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14 sept 2013

[Brasil] Fanzine "Tocando o Terror"

Damos pulo a este "zine" feito em Brasil que recebemos na nossa caixa de correios da Agência de Notícias Anarquistas- ANA:

“Esse é um zine feito coletivamente antes dos levantes no Brasil e que temos distribuído mais de forma impressa, mas que agora estamos circulando na internet. Apesar de partir de outro diagnóstico, ele contribui para pensar o controle social”, explica os realizadores do zine “Tocando o terror”, de oito páginas, que já está disponível para consulta e download (links abaixo). A seguir, a apresentação feita pelos autores dessa publicação.

Apresentação:

“O antiterrorismo é uma técnica de governo que afunda suas raízes na velha arte da contrainsurgência, da guerra denominada ‘psicológica’, para dizer de forma educada. O antiterrorismo, ao contrário do que gostaria de insinuar o termo, não é um meio para lutar contra o terrorismo, é um método pelo qual se produz, positivamente, o inimigo político como terrorista. Se trata, mediante uma abundância de provocações, de infiltrações, de intimidações e de propaganda, mediante toda uma ciência da manipulação midiática, da ‘ação psicológica’, da fabricação de provas e crimes, também mediante a fusão da polícia e da administração judicial, de aniquilar a “ameaça subversiva” ao associá-la, no seio da população, ao inimigo interior, ao inimigo político, ao afeto pelo terror”.

Para imprimir em versão PDF:

http://www.mediafire.com/download/2bxv3xdrsrcawyx/versao+impressao+zine+terror.1%281%29.cleaned.pdf

Para ler no computador:

http://www.mediafire.com/download/hj6eeklwl173j9k/versao_leitura_zine_terror.1.cleaned.pdf
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21 ago 2013

[Brasil] Artículo sobre o Black Bloc: “Fazemos o que xs outrxs nom têm coragem de fazer”

Colamos à ìntegra este artículo assinado por Paulo Cezar Monteiro na web da revista brasileira Forum na que descreve o que vem a ser o Black Bloc a níveis internacionais e a sua presência no Brasil:

Elxs afirmam nom temer o confronto com a polícia e defendem a destruiçom de “alvos capitalistas”. Conheça a história e a forma de luta que se popularizou com o movimento antiglobalizaçom e ganha destaque no Brasil.

“Xs ativistas Black Bloc nom som manifestantes, elxs nom estám lá para protestar. Elxs estám lá para promover umha intervençom direta contra os mecanismos de opressom, suas açons som concebidas para causar danos às instituiçons opressivas.” É dessa forma que a estratégia de açom do grupo que vem ganhando notoriedade devido às manifestaçons no País é definida por um vídeo que explica parte das motivaçons e forma de pensar dos seus adeptos.

A açom, ou estratégia de luta, pode ser reconhecida em grupos de pessoas vestidas de preto, com máscaras ou faixas cobrindo os rostos. Durante os protestos, elxs andam sempre juntxs e, usualmente, atacam de maneira agressiva bancos, grandes corporaçons ou qualquer outro símbolo das instituiçons “capitalistas e opressoras”, além de, caso julguem necessário, resistirem ou contra-atacarem intervençons policiais.

Devido ao atual ciclo de protestos de rua, o Black Bloc entrou no centro do debate político nacional. Parte das análises e opinions classifica as suas açons como “vandalismo” ou “violência gratuita”, e também som recorrentes as críticas ao anonimato produzido pelas máscaras ou panos cobrindo a face dxs adeptxs. Mas o Black Bloc nom é umha organizaçom ou entidade. Leo Vinicius, autor do livro Urgência das ruas – Black Bloc, Reclaim the Streets e os Dias de Açom Global, da Conrad, (sob o pseudônimo Ned Ludd), a define o como umha forma de agir, orientada por procedimentos e táticas, que podem ser usados para defesa ou ataque em uma manifestaçom pública.

Zuleide Silva (nome fictício), anarquista e adepta do Black Bloc no Ceará, aponta que elxs têm como alvo as “instituiçons corporativas” e tentam defender xs manifestantes fora do alcance das açons repressoras da polícia. “Fazemos o que xs manifestantes nom têm coragem de fazer. Botamos nossa cara a tapa por todo mundo”, afirma.

O jornalista e estudioso de movimentos anarquistas, Jairo Costa, no artigo “A tática Black Bloc”, publicado na Revista Mortal, lembra que o Black Bloc surgiu na Alemanha, na década de 1980, como umha forma utilizada por autonomistas e anarquistas para defenderem os squats (okupas) e as universidades de açons da polícia e ataques de grupos nazistas e fascistas. “O Black Bloc foi resultado da busca emergencial por novas táticas de combate urbano contra as forças policiais e grupos nazifascistas. Diferentemente do que muitos pensam, o Black Bloc nom é um tipo de organizaçom anarquista, ONG libertária ou coisa parecida, é uma açom de guerrilha urbana”, contextualiza Costa.

De acordo com um dos “documentos informativos”, alguns dos elementos que xs caracterizam som a horizontalidade interna, a ausência de lideranças, a autonomia para decidir onde e como agir, além da solidariedade entre xs integrantes. Atualmente, há registros, por exemplo, de forças de açom Black Bloc nas recentes manifestaçons e levantes populares no Egito.

Black Bloc no Brasil
Para Leo Vinicius, é um “pouco surpreendente” que essa estratégia de manifestaçom urbana, bastante difundida ao redor do mundo, tenha demorado a chegar por aqui. “Essa forma de agir em protestos e manifestaçons ganhou muito destaque dentro dos movimentos antiglobalizaçom, na virada da década de 1990 para 2000. Nom é uma forma de açom política realmente nova”. No Brasil, existem páginas do movimento de quase todas as capitais e grandes cidades, a maior parte delas criadas durante o período de proliferaçom dos protestos. A maior é a Black Bloc Brasil, com quase 35 mil seguidores, seguida pela Black Bloc–RJ, com quase 20 mil membros.

A respeito da relaçom com o anarquismo, Vinicius faz uma ressalva. É preciso deixar claro que a noçom de que “toda açom Black Bloc é feita por anarquistas e que todos anarquistas fazem Black Bloc” é falsa. “A história do Black Bloc tem uma ligaçom com o anarquismo, mas outras correntes como os autonomistas, comunistas e mesmo independentes também participavam. Nunca foi algo exclusivo do anarquismo. Na prática, o Black Bloc, por se tratar de uma estratégia de operaçom, pode ser utilizado até por movimentos da direita”, explica o escritor.

Para alguns ativistas, o processo de aceitaçom das manifestaçons de rua, feito pela grande mídia e por parte do público, de certa forma impôs que, para serem considerados legítimos, os protestos deveriam seguir um padrom: pacífico, organizado, com cartazes e faixas bem feitas e em perfeito acordo com as leis. Vinicius demonstra certa preocupaçom com a possibilidade do fortalecimento da ideia de que essa forma “pacífica” seja vista como o único meio possível ou legítimo de protestar. Ele afirma que nom entende como violenta a açom Black Bloc de quebrar um escaparate ou se defender de umha açom policial excessiva. “A violência é um conceito bastante subjetivo. Por isso, nom dá pra taxar qualquer ato como violento, é preciso contextualizá-lo, entender as motivaçons por trás de cada gesto”, avalia.

Para ele, a eficácia de umha manifestaçom está em saber articular bem formas de açom “pacíficas” e “nom pacíficas”. Foi esse equilíbrio, analisa, que fez com que o Movimento Passe Livre – Som Paulo (MPL-SP) paralisasse o aumento da tarifa na capital paulista. “Só com faixas e cartazes a tarifa nom teria caído”, atesta. “Quem tem o poder político nas mans só cede a umha reivindicaçom pelo medo, por sentir que as coisas podem sair da rotina, de que ele pode perder o controle do Estado”, sentencia.
Por outro lado, Vinicius alerta que é preciso perceber os limites para evitar que as açons mais “radicais” façam com que o movimento seja criminalizado ou se isole da sociedade e, com isso, perda o potencial de realizar qualquer mudança. Em sua obra, faz a seguinte definiçom daqueles que adotam a estratégia Black Bloc: “Elxs praticam umha desobediência civil ativa e açom direta, afastando assim a política do teatro virtual perfeitamente doméstico, dentro do qual [a manifestaçom política tradicional] permanece encerrada. Xs BB nom se contentam com simples desfiles contestatórios, certamente importantes pela sua carga simbólica, mas incapazes de verdadeiramente sacudir a ordem das coisas”, aponta.

Outra crítica recorrente é o fato de os BB usarem máscaras ou panos para cobrirem os rostos. Xs adeptxs da açom explicam que as máscaras som um meio de proteger suas identidades para “evitar a perseguiçom policial” e outras formas de criminalizaçom, como também criar um “sentimento de unidade” e impedir o surgimento dx “líder carismáticx”.

Luta antiglobalizaçom

Com o passar do tempo, segundo Jairo Costa, as táticas Black Bloc passaram a ser reconhecidas como um meio de expressar a ira anticapitalista. Ele explica que geralmente as açons som planejadas para acontecer durante grandes manifestaçons de movimentos de esquerda.

O estudioso destaca como um dos momentos mais significativos da história Black Bloc a chamada “Batalha de Seattle”, em 1999, contra umha rodada de negociaçons da Organizaçom Mundial do Comércio (OMC). Em 30 de novembro daquele ano, após umha tarde de confrontos com as forças policiais, umha frente móvel de black blockers conseguiu quebrar o isolamento criado entre xs manifestantes e o centro comercial da cidade. Após vencer o cerco policial, xs manifestantes promoveram a destruiçom de várias propriedades, limusines e carros policiais, e fizeram várias pintadas com a mensagem “Zona Autônoma Temporária”. Estimativas apontam prejuízos de 10 milhons de dólares, além de centenas de feridxs e 68 pessoas presas.

Para Costa, um dos episódios mais impactantes – e duros – da história Black Bloc foi o assassinato de Carlo Giuliani, jovem anarquista de 23 anos, durante a realizaçom simultânea do Fórum Social de Gênova e a reuniom do G8 (Grupo dos oito países mais ricos), na Itália, em julho de 2001. Ele lembra que, após vários confrontos violentos – alguns deles vencidos pelxs manifestantes, que chegaram a provocar a fuga dos policiais, que deixaram carros blindados para trás –, ocorreu o episódio que levou à morte de Giuliani: “Ele partiu para cima de um carro de polícia tentando atirar nele um extintor de incêndio. Muitos fotógrafos estavam por lá e seus registros falam por si. Ao se aproximar do carro, Giuliani é atingido por dois tiros, um na cabeça. E, numha cena macabra, o carro da polícia dá marcha atrás e atropela-o várias vezes”, narra. Os assassinos de Carlo Giuliani nom foram condenados. Dois anos após o fato, a Justiça italiana considerou que a açom policial se deu como “reaçom legítima” ao comportamento do militante.

Alvos capitalistas

Entre as formas de açom direta do Black Bloc destacam-se os ataques aos chamados “alvos simbólicos do capital”, que incluem joalharias, cafeterias norte-americanas ou ainda a depredaçom de instituiçons oficiais e empresas multinacionais. Costa explica que essas açons “nom têm como objetivo atingir pessoas, mas bens de capital”.
Zuleide justifica a destruiçom praticada contra multinacionais ou outros símbolos capitalistas, porque elas seriam mecanismo de “explotaçom e exclusom das pessoas”. “Queremos que esses meios que oprimem e desrespeitam um ser humano se explodam, vaiam embora, morram. Trabalhar dez horas por dia para nom ganhar nada, isso é o que nos enfurece. Por isso, nossas açons diretas a eles, porque queremos causar prejuízos, para que percebam que há pessoas que rejeitam aquilo e que lutam pela populaçom”, explica.

Ela reconhece que essas açons diretas podem deixá-lxs “mal vistxs” na sociedade, já que há pessoas que pensam: “Vaia, nom vou poder mais comer no ***** porque destruíram tudo”. Porém, Zuleide afirma que x trabalhadorx, explotadx por essas corporaçons, “adoraria fazer o que nós fazemos”, mas, por ter família para sustentar e contas a pagar, nom faz. “Esse é mais um dos motivos que nos fazem do jeito que somos”, pontua.
Vinicius explica que, nas “açons diretas”, xs black blockers atacam bens particulares por considerarem que “a propriedade privada – principalmente a propriedade privada corporativa – é em si própria muito mais violenta do que qualquer açom que possa ser tomada contra ela”. Quebrar escaparates de comércios, por exemplo, teria como funçom destruir “feitiços” criados pela ideologia capitalista. Esses “feitiços” seriam meios de “embalar o esquecimento” de todas as violências cometidas “em nome do direito de propriedade privada” e de “todo o potencial de umha sociedade sem ela”.

Sem violência?

Em praticamente todas as manifestaçons, independentemente das causas e dxs organizadorxs, tornou-se comum o grito: “Sem violência! Sem violência!”, que tinha como destinatários os policiais que, teoricamente, entenderiam o caráter “pacifista” do ato. Também seria uma tentativa de coibir a açom de “vândalxs” ou “baderneirxs”, que perceberiam nom contar com o apoio do restante da massa.

Zuleide reconhece que, inicialmente, a açom Black Bloc era alvo desses gritos, mas, segundo ela, quando as pessoas entendem a forma como elxs atuam, isso muda. “Xs manifestantes perceberam que o Estado nom iria nos deixar falar, nos deixar reivindicar algo, e começaram a nos reprimir. Quando há confronto [com a polícia], nós xs ajudamos retardando a movimentaçom policial ou tirando elxs de situaçons que ofereçam perigo, e alguns perceberam isso”, afirma.

Apesar de os confrontos com policiais nom serem umha novidade durante as suas açons, xs adeptxs afirmam nom ter como objetivo atacar policiais. Contudo, outro documento intitulado “Manifesto Black Bloc” deixa claro que, caso a polícia assuma um caráter “opressor ou repressor”, ela se torna, automaticamente, umha “inimiga”.

No “Manual de Açom Direta – Black Bloc”, também disponível na internet (acá), a desobediência civil é definida como “a nom aceitaçom” de umha regra, lei ou decisom imposta, “que nom faça sentido e para nom se curvar a quem a impom. É este o princípio da desobediência civil, violenta ou nom”. Entre as possibilidades de desobediência civil som citadas, por exemplo, a nom aceitaçom da proibiçom da polícia que a manifestaçom siga por determinado caminho, a resistência à captura de algum(ha) manifestante ou, ainda, a tentativa de resgatar alguém detidx pelos policiais.
Também som ensinadas táticas para resistir a gás lacrimogêneo, sprays de pimenta e outras formas de açom policial, além de dicas de primeiros socorros e direitos legais dxs manifestantes. De acordo com o documento, as orientaçons desse manual tratam apenas da desobediência civil “nom violenta”.

Outra orientaçom é que seja definido, antes da manifestaçom, se a desobediência civil será “violenta” ou “nom violenta”. Caso se opte pela açom ‘nom violenta’, essa decisom deve ser respeitada por todxs, visto que nom cumprir o combinado pode pôr “em risco” outrxs companheirxs, além de ser um sinal de “desrespeito”.

Contudo, o mesmo manual deixa claro que o que “eles fazem conosco” todos os dias é umha violência, sendo assim, “a desobediência violenta é umha reaçom a isso e, portanto, nom é gratuita, como eles tentam fazer parecer”.

Uma breve história

1980: O termo Black Bloc (Schwarzer Block) é usado pela primeira vez pela polícia alemám, como forma de identificar grupos de esquerda na época denominados “autônomos, ou autonomistas”, que lutavam contra a repressom policial aos squats (okupas).

1986: Fundada, em Hamburgo (Alemanha), a liga autonomista Black Bloc 1500, para defender o Hafenstrasse Squat.

1987: Anarquistas vestidxs com roupas pretas protestam em Berlim Ocidental, por ocasiom da presença de Ronald Reagan, entom presidente dos EUA, na cidade.

1988: Em Berlim Ocidental, o Black Bloc confronta-se com a polícia durante uma manifestaçom contra a reuniom do Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

1992: Em San Francisco (EUA), na ocasiom do 500º aniversário da descoberta da América por Cristóvolo Colombo, o Black Bloc manifesta-se contra o genocídio de povos nativos das Américas.

1999: Seattle contra a Organizaçom Mundial do Comércio (OMC). Estima-se em 500 o número de integrantes do Black Bloc que destruíram o centro econômico da cidade.

2000: Em Washington, durante reuniom do FMI e Banco Mundial, cerca de mil black blockers anticapitalistas saíram às ruas e enfrentaram a polícia.

2000: Em Praga (República Tcheca), forma-se um dos maiores Black Blocs que se tem notícia, durante a reuniom do FMI. Cerca de 3 mil anarquistas lutam contra a polícia tcheca.

2001: Quebec (Canadá). Membros do Black Bloc som acusadxs de agredir um policia durante umha marcha pela paz nas ruas de Quebec. Após esse evento, a populaçom local e várixs manifestantes de esquerda distanciaram-se da tática Black Bloc e de seus métodos extremos.

2001: A cidade de Gênova (Itália), ao mesmo tempo, recebeu a cúpula do G8 e realizou o Fórum Social de Gênova, com um grande número de Black blockers, além de aproximadamente de 200 mil ativistas. A açom ficou marcada pela violenta morte do jovem Carlo Giuliani, de 23 anos.

2007: Em Heiligendamm (Alemanha), reuniom do G8 foi alvo de uma açom com a participaçom de cerca de 5 mil blackblockers.

2010: Toronto (Canadá), na reuniom do G20. Neste confronto, mais de 500 manifestantes foram presxs e dezenas de outrxs ativistas foram parar em hospitais com inúmeras fraturas.

2013: Cairo (Egito). O Black Bloc aparece com forte atuaçom nos protestos da Praça Tahir, no combate e resistência ao exército do entom presidente Hosni Mubarak.
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27 jul 2013

Buenos Aires: Ataque a sucursal bancaria en solidariedade con a revolta en Brasil

Recibimos un correo con esta noticia que colamos:
O pasado xoves 18 atacamos a pedradas o Banco ITAU situado pleno centro porteño. Á sua vez, deixamos pintado nas suas vidrieiras "Solidaridad con la Revuelta en Brasil". Un xesto mínimo que queríamos comunicar en momentos onde o papa Francisco I (Jorge Bergoglio) pasease polas ruas do país veciño, ante unha masa imbécil que o vitorea, entanto miles morren de fame ou baixo balas do exercito, mentras outrxs tantxs reventan amoreados nas favelas ou baixo o martelo do narcotráfego e as drogas.

Nin a obstentación da riqueza do vaticano, nen o espectáculo millonario do próximo mundial de fútebol, poden tapar tanta miseria.

Contra toda Autoridade!
PROPAGANDA E ACCIÓN
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8 jul 2013

Notas sobre as manifestaçons e revoltas no Brasil

Colamos à ìntegra de Contra Info:
Nas últimas semanas grandes manifestaçons tomaram ruas, avenidas e rodovias das várias cidades do Brasil. Questionáveis, manipuladoras e policialescas, as notícias divulgadas pela mídia corporativa nom condizem com os fatos, açons e motivaçons observados nas ruas. Constituído coletivamente no âmbito da Rede Anticapitalista e Apartidária de Informaçom Política (RAAIP) o relato a seguir apresenta umha perspectiva informativa e libertária destas manifestaçons. Este esforço de mídia autônoma tem como meta informar militantes e organizaçons libertárias de outros países, tornar publicamente conhecidos alguns antecedentes destas manifestaçons, a indignaçom coletiva frente à violência estatal, a manipulaçom midiática dos fatos, e a luta dos povos contra a injustiça social e exploraçom no Brasil.

Contexto

Nos últimos anos as elites brasileiras tem promovido uma série de açons no sentido de consolidar a imposiçom de seu projeto de capitalismo/estadismo nacional. Tendo como referencias as políticas desenvolvimentistas de países como a China e a África do Sul, através de parcerias publico-privadas, o estado tem promovido diversos programas de aceleraçom do crescimento (PACs) em consonância com a Iniciativa para a Integraçom da Infraestrutura Regional Sul Americana (IIRSA). Para a efetivaçom destes programas, áreas cada vez maiores de floresta som derrubadas, grandes rios som represados para a construçom de enormes hidroelétricas voltadas para a geraçom de energia para parques industriais. A construçom de infraestrutura para a promoçom de industrializaçom pesada se dá uma vez mais em detrimento das populaçons carentes e dos povos indígenas despejados de seus territórios. Os transportes de passageiros e cargas no Brasil som em grande medida dependentes dos combustíveis fósseis cada vez mais caros. Todos os anos, os preços dos alimentos aumentam. As políticas de produçom de biodiesel promovidas pelo governo estám levando o país a uma crise alimentar sem precedentes. Mais e mais áreas de plantio de alimentos vêm sendo destinadas à produçom de biocombustível. Em muitas cidades, capitalistas e estadistas aproveitam a alta dos combustíveis para sobretaxar anualmente os transportes de massa que controlam. Nos últimos três anos também, a especulaçom imobiliária resultou num aumento de até 150% nos preços de aluguéis e terrenos urbanos. Como resultado, uma parcela cada vez mais significativa da populaçom nom pode arcar com as despesas básicas.

Casos de corrupçom som extremamente comuns no Brasil. Governantes aumentam seus salários e benefícios chegando a dezenas de vezes o valor do salário mínimo que é de 650 reais (o equivalente a 300 dólares).

Há mais de umha década a ideia de umha Copa do Mundo no Brasil tem sido promovida pelos meios da mídia corporativa como fonte de grandes benefícios a toda populaçom. No discurso divulgado a copa seria a melhor forma de ‘aquecer a economia, criar empregos e estimular o turismo’. Na prática, nada mais longe da verdade. A Copa do Mundo tem servido como estopim para a ampliaçom das políticas de controle, distraçom de massas e engenharia social. Milhares de famílias som removidas de suas casas para dar lugar às obras de infraestrutura da copa afiladas com políticas de gentrificaçom e especulaçom imobiliária. Nesse contexto som aprovadas leis como a PL 728/2011, estabelecendo estado de exceçom durante a Copa, criando varas especiais para proteger interesses da FIFA e da CBF, criminalizando e perseguindo movimentos sociais e dissidentes políticos, definindo como terrorismo qualquer manifestaçom pública de indignaçom ou descontentamento.

Movimento Passe Livre

As manifestaçons que deram início à série de protestos que estám acontecendo foram organizadas com base nas convocatórias emitidas pelo Movimento Passe Livre (MPL). O MPL se organiza em umha rede de jovens militantes, muitxs delxs apartidárixs e vinculadxs ao movimento estudantil nom institucional. Desde o início da década de 2000 o MPL vem convocando manifestaçons frente aos aumentos anuais nas tarifas de transporte de massas nas grandes cidades. Sua principal reivindicaçom é o fim da cobrança do transporte público para trabalhadores desempregados e estudantes. Diferente de outros anos, em que as manifestaçons organizadas pelo MPL juntavam no máximo alguns milhares de pessoas, nos protestos contra o aumento da passagem em março de 2013 o que se viu foi a rápida adesom massiva de dezenas de milhares de pessoas. Os primeiros protestos organizados em Porto Alegre sofreram umha forte repressom policial, mas no início de abril se conseguiu revogar o aumento da passagem que tinha ocorrido semanas antes. Após essas informaçons serem divulgadas pelas redes sociais e pela mídia, outras manifestaçons passaram a acontecer em outras capitais e cidades menores. Com a adesom massiva, diversas reivindicaçons se somaram as demandadas do MPL. Estas novas demandas foram exibidas pelxs manifestantes através de faixas, cartazes e gritos nas ruas. Enquanto alguns grupos questionavam o sistema capitalista como um todo, outros se contrapunham a Copa e suas consequências. Pessoas manifestavam seu descontentamento com as coberturas da grande mídia. Grupos demandavam do governo melhorias nos serviços estatais de educaçom, saúde e segurança. Houve também quem protestasse contra a corrupçom retomando símbolos dos cara-pintadas, movimento nacionalista adolescente amplamente utilizado pela mídia no início dos anos de 1990 que saiu às ruas demandando o Impeachment do entom presidente Fernando Collor. Em diversos casos, visons políticas profundamente conservadoras se fizeram presentes em meio às reivindicaçons. Ainda que majoritariamente pacíficas, as primeiras manifestaçons foram duramente reprimidas pelos aparatos repressores dos estados. Centenas de pessoas ficaram feridas devido ao uso de armas nom letais, muitas foram presas e espancadas.
Cobertura midiática, autocensura e distorçom

Frente a grande adesom de manifestantes, a mídia corporativa, que por anos havia ignorado o Movimento Passe Livre, se viu forçada a mudar o foco de suas coberturas. As intençons, no entanto, eram claras – as coberturas jornalísticas eram criadas de forma a manipular, dividir e pacificar as manifestaçons. Posturas pacifistas colaborativas com o aparato repressor passaram a ser entom constantemente elogiadas por repórteres e jornalistas que as associavam com expressons estéticas de cunho nacionalista. Bordons da época da ditadura foram resgatados em meio aos protestos. Questionamentos sistêmicos e críticas às coberturas midiáticas foram omitidos. De forma extremamente tendenciosa os meios de mídia incitavam a populaçom a assumir uma postura pacifista e nacionalista como a forma mais correta de agir nas manifestaçons. Ao mesmo tempo, manifestantes mais indignados que adotaram táticas consideradas mais agressivas de protesto foram retratados como uma minoria de vândalos, violentos e anarquistas – demonizados, perseguidos e criminalizados repetidas vezes pela grande mídia que incitava as forças repressoras a responder de forma violenta. Em Porto Alegre este tipo de conduta gerou grande indignaçom fazendo com que as manifestaçons se dirigissem para as instalaçons do Grupo de mídia RBS, diante da qual, por duas vezes consecutivas manifestantes e policiais entraram em confronto.

Muito das coberturas das manifestaçons têm se dado através das câmeras de controle do tráfego das cidades, ou de trás dos aparatos repressores. Muitas prisons têm acontecido em diversas cidades, e inúmeros casos de tortura jovens, adolescentes e pessoas idosas têm sido reportados pela internet, apenas divulgados por jornais e TV em termos de número, mas sem qualquer aprofundamento.

Temos visto na mídia, absurdos jornalísticos de autocensura e distorçom dos fatos: três manifestantes que se escondiam da tropa de choque atrás de umha banca de jornais, sem perceber, acabaram cercados. No momento exato em que seriam espancados diante da câmera da empresa de tráfego em cadeia nacional, a emissora televisiva TVCOM, do Grupo RBS, decidiu trocar de câmera para mostrar imagens das manifestaçons pacíficas que ocorriam em outro ponto da cidade. Em outro episódio ocorrido em Belo Horizonte, um manifestante com a cabeça aberta, cercado por uma dezena de policiais que os agrediam, é filmado por um repórter que em primeiro plano afirma que o ferido está sendo “socorrido” pela polícia.

Repressom, provocaçom e violência

Diante da truculência da polícia, um número cada vez maior de manifestantes passou a revidar os ataques dos aparatos repressores. Também a infraestrutura estatal e corporativa como vitrines de bancos e cadeias de grandes lojas foram quebradas. Prédios públicos foram ocupados e rodovias bloqueadas. Um número cada vez maior de policiais infiltrados agiu como agentes provocadores durante os protestos, e pela primeira vez pequenos comércios foram atacados, e manifestantes foram agredidos. Foram vistos também nas ruas grupos de fascistas se passando por apartidários, caçando “baderneiros” e partidários pelas ruas, e tentando se promover publicamente através de posturas politicamente corretas como recolher o lixo e desvirar lixeiras tombadas por outros manifestantes. Como resultado da manipulaçom da grande mídia muitos dos chamados “pacifistas” assumiram posturas policialescas cada vez mais evidentes, denunciando e perseguindo os chamados “manifestantes violentos”. Muitas pessoas passaram a aderir também à estética nacionalista em diversas cidades. As manifestaçons se tornaram mais comuns, em muitos casos ganhando ares de levantes e revoltas. Avenidas centrais de grandes capitais como São Paulo e Rio de Janeiro se tornaram palco de confrontos generalizados entre a polícia e manifestantes, com a primeira utilizando até mesmo armas de fogo contra estes últimos. Pessoas foram espancadas e ocorreram prisons absurdas e arbitrárias, como é o caso detençons por porte de vinagre, umha vez que essa substancia estava sendo utilizada contra os efeitos do gás lacrimogênio. Em Pernambuco, nordeste brasileiro, a primeira manifestaçom foi inteiramente pacífica. Atos de depredaçom a bancos, igrejas neopentencostais e prédios públicos foram duramente reprimidos pela massa nacionalista que cantava o hino e tinha o rosto pintado com as cores da bandeira brasileira. Ocorreram denúncias e perseguiçons na tentativa de colaborar com o trabalho da polícia. Ainda aconteceram atitudes repressivas aos setores marginalizados que aderiram às manifestaçons. Grupos de manifestantes aplaudiam a açom da polícia e demandavam a execuçom de adolescentes em situaçom de rua, por terem realizados furtos durante as manifestaçons.

Acusaçons de conspiraçom e preparativos para um golpe

Diante da resistência dos manifestantes nas ruas enfrentando, e em alguns casos vencendo os aparatos repressores, devido também à presença de símbolos anarquistas em bandeiras e pichaçons durante as manifestaçons, e ainda graças à presença de organizaçons libertárias envolvidas no Movimento Passe Livre, governantes e militares levantaram a hipótese de estar em andamento uma conspiraçom anarquista internacional pela derrubada do poder. Com conjecturas sem fundamento sendo publicadas nos jornais, libertárixs passaram a ser investigadxs pela agência de inteligência brasileira e forças policiais. Militantes do MPL foram ameaçadxs de morte durante os protestos. Um espaço cultural da Federaçom Anarquista Gaúcha foi invadido pela polícia sem qualquer mandato ou identificaçom. Livros e outros materiais foram aprendidos, materiais para pintar cartazes e faixas foram considerados ‘materiais para confecçom de coquetéis molotovs’. Um mapa com a identificaçom de órgãos de segurança foi implantado pela polícia para simular um eminente ataque anarquista ao estado. Também foi levantada pelo governo a hipótese de umha conspiraçom de extrema direita envolvendo setores da polícia do exército e da grande mídia, com o intuito de levar o caos às ruas das cidades, de forma a justificar uma intervençom ou golpe militar. Esta hipótese nom parece ser de todo fantasiosa, em algumhas cidades o efetivo militar tem se mostrado cada vez mais presentes. Um general de alta patente já se posicionou em favor de um novo golpe.

Articulaçom

Desde já, convidamos a grupos e indivíduos com afinidade com os ideais libertários, para um esforço coletivo na divulgaçom destas informaçons através de campanhas informativas sobre os acontecimentos relacionados ao autoritarismo no Brasil. Também é importante que a Copa do mundo no Brasil nom possa acontecer, para que este evento nom sirva de desculpa para a implementaçom de um estado policial de exceçom. Chamamos para o combate de discursos nacionalistas que no momento estám sendo divulgados pela mídia corporativa brasileira, ao que tudo indica, preparando terreno para um novo golpe da direita.

RAAIP – Rede Anticapitalista e Apartidária de Informaçom Política
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2 jul 2013

Curioso artículo num jornal brasileiro sobre o Black Block

Estado de Minas (EM) é um dos mais importantes jornais impressos do estado de Minas Gerais, também conhecido como o grande jornal dos mineiros, ou seja um mass media brasileiro, mas isso nom desmerece esta particular vissom (autoria de Daniel Camargos e Alessandra Mello) e que colamos à ìntegra da sua ediçom digital e que começa com o "tutorial e explicativo" cabeçalho: "Entenda a ideologia por trás da quebradeira" e o subtítulo clarificador: "Classificados de vândalos, jovens que promovem destruição nos protestos seguem o Black Bloc, movidos por ideais anarquistas" (a foto e a descripçom da mesma é também autoria do EM):
Durante a batalha de quarta-feira, com os rostos cobertos, manifestantes orientados por gritos combinados dos Black Blocs queimaram concessionárias na Avenida Antônio Carlos e usaram tapumes como escudos

Pouco depois das 23h da última quinta-feira, durante a quarta Assembleia Popular que acontecia embaixo do Viaduto Santa Tereza, em Belo Horizonte, um jovem pediu a palavra e falou ao microfone: “Se vocês querem mudar e enfrentar a repressão, não será com cartaz. Tem que ter tropas para combater os cassetetes. Nós somos a tropa de choque do povo, somos o Black Bloc. Eu sou um vândalo, se é assim que a mídia me chama”. A fala do jovem, que se identificou como João, assustou as cerca de 200 pessoas que ainda estavam na assembleia e é uma das poucas faces nítidas de um movimento que intriga a polícia. Investigações tentam entender como atuam e quem são os mineiros alinhados com o grupo que tem ideologia anarquista.

Na última quarta-feira, durante a batalha que ocorreu nas avenidas Abrahão Caram e Antônio Carlos, foi possível identificar um grupo de manifestantes que partiram para o embate com a polícia e seguiam táticas definidas. Classificados como vândalos pela polícia, eles se orientavam com gritos combinados, usavam tapumes como escudos, escondiam o rosto e não hesitavam em devolver as bombas de gás lacrimogêneo em direção aos militares.

“A Polícia Civil sabe da existência desse grupo e está fazendo investigações para tentar identificar quem são essas pessoas”
, afirma a titular da Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos, Paloma Boson Kairala. A polícia não revela detalhes da investigação, pois teme que atrapalhe o que já foi realizado. A corporação sabe que os integrantes do BB, como se referem ao grupo os próprios membros, têm como prisma a ideologia anarquista e pregam a quebradeira de órgãos públicos.

Outro ponto identificado nas investigações é que os alvos principais do Black Bloc são os patrocinadores da Fifa, entre eles a fabricante de automóveis Hyundai e o Banco Itaú. Na batalha de quarta-feira em BH, a depredação foi iniciada numa revenda Hyundai e numa concessionária da Kia Motors, do mesmo grupo empresarial da Hyundai na Coreia, sede das duas. Porém, no Brasil, são representadas por grupos distintos.

“Esse grupo é organizado, mas existem pessoas que chegam lá por causa do calor e da emoção. Outros com passagens pela polícia que aproveitam para furtar. Tem de tudo nessas manifestações”, entende Paloma, mostrando que o grupo não consegue controlar os ataques traçados antes das manifestações.

O Black Bloc é hostil à imprensa. Um e-mail enviado pela reportagem com várias perguntas foi respondido com um texto panfletário. “Somos o grupo que está na frente das grandes manifestações em momentos de conflito. Não somos nós que iniciamos, somos nós que seguramos a bomba e tomamos tiro para que o restante possa correr. Enquanto a maioria corre, nós retardamos o opressor ao máximo”, informa o grupo.

O texto destaca que não existe uma organização fixa e que o grupo pode ser visto como “coletivo temporário de anarquistas”. O grupo nega que existam líderes e também diz que não há reuniões e que os integrantes têm entre 17 e 30 anos. “A corporação policial torna-se nossa inimiga somente a partir do momento em que suas ações tomam caráter opressor ou repressor. Somos pessoas como quaisquer outras, temos vida, temos que estudar e trabalhar”, conclui o texto.

Referências

Um dos guias para os seguidores é um manual de 397 páginas chamado The Black Bloc Papers, disponível on-line, com um histórico dos principais confrontos e também um detalhamento das estratégias recomendadas para os manifestantes radicais. O manual ensina noções de primeiros socorros, o que fazer em caso de prisão e recomenda dicas básicas, como sempre levar uma camisa diferente na mochila, para não ficar marcado pela polícia e poder fugir após os conflitos.

O BB não remete a movimentos anarquistas da década de 1980, mas, depois da onda de protestos, ganhou novos adeptos no Brasil e muitas páginas nas redes sociais. Caso do Black Bloc mineiro, que abriu seu canal de informação no Facebook no dia 21, quatro dias depois da segunda manifestação na capital mineira, que reuniu cerca de 30 mil pessoas. Hoje já existem páginas do movimento em pelo menos nove estados, todas criadas depois do início dos protestos pela redução das tarifas na capital paulista.

Além dos perfis nas redes sociais, o grupo tem como canal de comunicação um programa de computador usado para conversas on-line entre jogadores de videogame ou o TwitCasting, que permite transmitir um vídeo ao vivo a partir de aparelhos de telefone celular. Também trocam fotos, sempre imagens de confronto com a polícia ou cenas de depredação, mensagens de solidariedade entre os grupos, instruções sobre como agir nos protestos, vídeos e textos doutrinários.

Somente o Black Bloc Brasil, grupo criado no Facebook em 2012, já tem quase 200 mil seguidores. Na página, uma foto de manifestantes quebrando uma estação de metrô e uma citação do Jack Kerouac, escritor norte-americano, símbolo da geração beatnik, autor de On the road: “Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que veem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas”.

Estudo

Jeffrey Juris é professor de antropologia do Departamento de Sociologia e Antropologia da Northeastearn University, em Boston, nos Estados Unidos, e estudou os Black Blocs após os conflitos em Gênova, na Itália, em 2001, durante encontro dos oito países mais ricos do mundo, o G-8, quando um manifestante foi morto atingido por uma arma de fogo.

Juris explica que o Black Bloc não é uma organização, mas um conjunto de táticas editadas e difundidas pela internet por grupo de jovens militantes durante os protestos. Geralmente, mas sem ser uma regra, eles vestem calças e blusas pretas, botas e máscaras ou bandanas para cobrir o rosto. As máscaras servem para esconder a identidade, mas também tem outra função: “Expressar solidariedade coletiva através do anonimato e retratar imagens típicas da rebeldia juvenil”, afirma Juris. Ainda segundo o acadêmico, eles têm uma postura anticapitalista e rejeitam o mercado e o Estado.
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26 jun 2013

[Brasil] Carta aberta da Coalizão Anarquista e Libertária de Porto Alegre

A Coalizão Anarquista e Libertária de Porto Alegre, contesta assim as afirmações irresponsáveis e equivocadas do governador Tarso Genro em relação à militância anarquista, feitas no contexto dos protestos que têm movimentado a cidade:

Esta carta, elaborada por diversos coletivos anarquistas, em nome da Coalizão Anarquista e Libertária de Porto Alegre, vem contestar as afirmações irresponsáveis e equivocadas do governador Tarso Genro em relação à militância anarquista. O governador mostra um entendimento errôneo e uma má intenção em relação à militância anarquista, com acusações de que esta seria ?vândala, violenta, desorientada, antidemocrática, e até fascista?. Como anarquistas, repudiamos com veemência essas declarações. O anarquismo é uma filosofia política séria, com grande produção teórica e um rico histórico de lutas sociais, organização popular, e reinvenção de práticas de liberdade. Está presente há mais de um século e vai continuar atuante em Porto Alegre, na luta por uma sociedade livre de qualquer forma de dominação e autoritarismo.

O anarquismo não é antidemocrático, mas sim radicalmente democrático. A militância anarquista tem como pilares a democracia direta, a autogestão, e a horizontalidade organizacional nos processos coletivos de tomada de decisões. E, cabe destacar, é justamente no compromisso profundo com a democracia direta que se localiza a principal discordância da militância anarquista com partidos políticos identificados com a esquerda, que operam de forma burocrática e verticalizada. Defendemos a manutenção dos nossos valores de tomada de decisão horizontal, enquanto governos, mesmo quando constituídos por partidos de esquerda, passam tempo demais preocupados em fazer alianças para manter o poder, e parecem só escutar a população quando ela grita nas ruas.

O anarquismo não luta contra as instituições democráticas, mas pela democratização radical das instituições. A militância anarquista está na gênese da formação dos sindicatos e do fortalecimento da classe trabalhadora, que ainda hoje em diversos países permanece alinhada ao anarcossindicalismo, construindo sindicatos fortes, que tomam decisões de forma horizontal e repudiam os privilégios e negociatas de dirigentes de sindicatos. A militância anarquista também já construiu escolas racionalistas e libertárias, centros de cultura, e bibliotecas livres, em favor de uma educação livre do autoritarismo e acessível a todos e todas. Em uma época na qual o sistema escolar era segregado por sexo e dominado pela Igreja Católica e pela Educação Moral e Cívica, anarquistas criavam escolas mistas, sem exames e livres de castigos corporais. Essas belas iniciativas que marcam a nossa História só foram encerradas por causa de ataques promovidos pelo governo brasileiro da época, desmantelando escolas, bibliotecas e sindicatos. Sofremos em nossa história ? enquanto minoria política ? inúmeros episódios de perseguição e terror promovidos por capitalistas e estadistas de diferentes nacionalidades. Mas sempre nos reerguemos. Hoje, o anarquismo se faz presente na autogestão nas fábricas e no campo, em escolas, hospitais e comunidades. Mantemos bibliotecas, compartilhamos conhecimento, promovemos debates, reivindicamos justiça, nos organizamos de acordo com nossos valores, vivemos construindo autonomia em relação a esse sistema capitalista injusto. Na Grécia, temos a experiência atual de hospitais funcionando pela autogestão, graças ao compromisso de voluntários, trabalhadores e pacientes, na tomada de decisões sobre o funcionamento de cada hospital, em um contexto no qual a saúde pública tem sido abandonada e negligenciada pelo governo.

O anarquismo também é radicalmente contra todas as formas de violência e opressão. Lutamos contra o racismo, o machismo, a homofobia, a transfobia, a xenofobia, as remoções forçadas, o extermínio da juventude moradora da periferia, e a exploração do trabalho assalariado. Somos contra toda forma de violência institucionalizada em espaços como manicômios, prisões, e quartéis, e em favor da liberdade de todas as pessoas. Anarquistas estão sempre presentes na luta contra o fascismo em qualquer lugar do mundo, integrando frentes antifascistas e lutando ao lado das populações oprimidas. Somos contra as diversas formas de violência, humilhação, preconceito, assédio, exploração, e castigo, e nos posicionamos pelo fim das opressões. Na Grécia, por exemplo, grupos anarquistas locais oferecem abrigo e apoio a imigrantes perseguidos pela extrema direita, enquanto que a esquerda eleitoreira não se pronuncia e nada faz em relação às agressões motivadas pela xenofobia.

Diferentemente do que o governador e os de alta patente acreditam, a comunicação entre anarquistas a nível internacional não é uma relação nova, mas uma das bases históricas do anarquismo. O internacionalismo é um valor caro à militância anarquista, e significa afirmar a experiência de compaixão, solidariedade e aprendizado que supera barreiras físicas, culturais ou linguísticas, e a identificação com toda a humanidade, independente de nacionalidade. Não acreditamos nas fronteiras e mantemos comunicação com muitas pessoas também identificadas com o anarquismo, para trocar experiências sobre formas de organização e luta contra as opressões, para fazer circular leituras, relatos de experiência e pedir e manifestar solidariedade, assim como esperamos que outros grupos políticos dedicados a lutas por justiça social também façam. Apoiamos populações oprimidas por todo o globo em suas lutas contra a opressão e em favor da autodeterminação.

Cabe destacar que isso não tem nenhuma relação com ?táticas de guerrilha? ou ?terrorismo?. Repudiamos qualquer ato terrorista, pois o terrorismo é uma opressão e trata vidas humanas como objetos ? e somos contrários a qualquer forma de objetificação. Não nos alistamos a exércitos, sejam exércitos oficiais ou paramilitares, pois repudiamos o terror que os militares e outros grupos armados impõem sobre as populações civis desde que chegaram a esse e a outros continentes.

A resistência nas ruas não é uma exclusividade de anarquistas: são práticas comuns em todas as populações que se sentem agredidas por aparatos repressores. Não é preciso ser anarquista para se defender ? basta não aceitar nem naturalizar a agressão. A utilização de escudos ou bastões, que o governador e a Brigada Militar acusam de ?táticas de guerrilha orientadas por anarquistas internacionais?, são práticas, na verdade, bastante óbvias de autodefesa, e que tem sido muito divulgadas em vídeos e jornais de grande circulação, como as que reportam os conflitos na Turquia, por exemplo. Essas práticas estão para além da filosofia política anarquista, estão no senso comum. Mas caso o governador seja contra a população se proteger da violência da polícia, e acredite que divulgar a informação de que vinagre protege dos efeitos do gás lacrimogênio seja uma ?tática de guerrilha?, isso significa que o governador acredita que a população deve sofrer de forma indefesa às agressões da polícia, e que concorda com práticas abusivas como as detenções arbitrárias por porte de vinagre e os espancamentos de manifestantes e jornalistas, como aconteceu em São Paulo no dia 13 de junho. Que concorda também com invasões de espaços culturais sociais, como ocorreu no dia 21 de junho em Porto Alegre: tudo sem qualquer mandato judicial. Ao ver o governo desrespeitar as regras da própria democracia que diz defender, fica evidente o por quê de os anarquistas alegarem que ela é uma farsa.

Seguindo na linha da criminalização das organizações populares e dos movimentos sociais, contestamos a acusação absurda de ?coordenação dos atos de violência?, e questionamos a própria capacidade de investigação da polícia e a fundamentação de suas hipóteses. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, a polícia arquiva cerca de 90% dos inquéritos de homicídios, e chega à resolução de menos de 5% dos casos. Se a polícia não tem competência nem para investigar crimes contra a vida ? que se supõe ser a sua prioridade -, como se acredita que ela teria competência para compreender movimentos sociais, o que exige profundo conhecimento teórico e reflexivo sobre Sociologia, História e Filosofia Política e experiência em organizações horizontais? Em vez de conhecer em profundidade e tratar movimentos sociais de forma séria e respeitosa, a Brigada Militar insiste em acusações sem fundamento e sem autocrítica, demonstrando sua ideologia autoritária e contrária à organização popular.

Manifestamos repúdio à intensificação da perseguição policial e de práticas de espionagem sobre os movimentos sociais, em especial sobre a militância anarquista. Em função das grandes obras para os megaeventos, o Estado brasileiro tem intensificado a violência sobre as populações mais vulneráveis e os movimentos sociais. Segundo a Associação Nacional dos Comitês Populares da Copa, a previsão é de que 250 mil famílias sejam atingidas pelas remoções forçadas nos preparativos para a Copa de 2014 no Brasil. A Agência Brasileira de Inteligência divulgou um boletim, no dia 7 de junho, anunciando a intensificação das práticas de espionagem e da infiltração de agentes provocadores nos movimentos sociais, com o claro objetivo de desmobilizar as organizações populares, em função das exigências da FIFA. Considerando os gastos de R$ 4 milhões na compra de armas erroneamente chamadas de ?não letais?, a serem empregadas em ações de repressão a manifestações populares pelo Estado do Rio Grande do Sul, e a falta de posicionamento do governador em relação ao Regime de Exceção imposto pela Lei Geral da Copa, tudo indica que o governador concorda com essa supressão da democracia e com a repressão às manifestações populares. Esse processo de militarização da segurança pública e expansão do Estado de Vigilância contribui apenas para o aumento da violência sobre a população de periferia e para a perseguição a movimentos sociais, e consiste em um ataque brutal à liberdade de pensamento e de organização.

Cabe questionar também a cumplicidade do governador Tarso Genro com o grupo RBS, grupo conhecido pelas suas campanhas de difamação e criminalização dos movimentos sociais e até do próprio Partido dos Trabalhadores, tantas vezes já criminalizado por esta empresa de comunicação e marketing de grande poder político. O próprio fato de as ações desmedidamente violentas da polícia em Porto Alegre se darem sempre que as manifestações se aproximaram do prédio da RBS já denuncia o vínculo entre os interesses econômicos do governo e dessa empresa de comunicação. As declarações do governador na última sexta feira parecem apontar também para uma afinidade ideológica crescente entre eles. Somos a favor de uma política decidida horizontalmente, pela democracia direta, e não por dirigentes de conglomerados empresariais e midiáticos.

Por fim, o anarquismo não é uma doutrina, mas uma filosofia política. Não seguimos ordens, dogmas e nem interesses escusos de grupos empresariais, diferentemente de outros grupos políticos verticalizados e centrados na punição, no medo e na obediência. Repudiamos qualquer forma de silenciamento e de violência, e convocamos a todos para conhecer mais sobre a História do Anarquismo e sobre as práticas de autogestão e democracia direta, a fim de abolir preconceitos em relação ao anarquismo, como os expressos anteriormente, e construir uma sociedade livre de qualquer forma de dominação e autoritarismo.

Colado à ìntegra de Indymedia Brasil
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25 jun 2013

[Brasil] Análise da Organização Anarquista Terra e Liberdade sobre as atuais mobilizações

Colamos de Indymedia Portugal esta analise assindada pola Organização Anarquista Terra e Liberdade do Brasil:

Este texto traz o esforço da OATL para pensar a nova conjuntura do país após as milhares de revoltas populares que ocorreram em quase todo o Brasil. A esquerda revolucionária precisa analisar com cuidado tudo o que tem acontecido e aproveitar este momento para fortalecer os movimentos sociais combativos, aumentar sua presença e influência entre os trabalhadores, nas comunidades, combater o velho reformismo legalista e também as novas ondas fascistas que tem crescido inclusive nos atos, para que a gente possa, nos próximos anos e nas próximas revoltas populares que se instalarão no país, estar preparados para encaminhar um processo revolucionário que irá derrubar o capitalismo, o Estado, e criar a sociedade sem classes e sem opressões.

A insatisfação popular e as atuais revoltas


Comparando com o cenário do fim da ditadura militar e da década de 90, podemos dizer, ao analisar os movimentos sociais hoje, que ainda estamos nos recuperando do efeito PT/PCdoB e sua gerência do Estado. Com a vitória de Lula em 2002, vimos a nível nacional o que o reformismo pode despertar e como pode fragilizar as lutas populares e tornar movimentos sociais em braços do Estado e do capital (Não, ao falarmos das transformações no programa político do PT, não estamos falando de “traição” ao princípio do partido, mas de coerência com o seu projeto principal que era vencer eleições e gerir o Estado. Para isso eles perceberam que era preciso não apenas atrelar e sufocar os movimentos sociais, como fazer alianças com a direita e a elite do país). Encarando uma crise - que para muitos foi uma descoberta -, tendo que conviver ainda com a linha política de um partido como o PSOL que busca reviver o fracasso do reformismo petista, ou com o legalismo burocrático de um PSTU, o movimento social tem mostrado que tem força pra reagir e comandar a vida. Somente este ano, no Rio de Janeiro, bem antes do canto “o Brasil acordou”, ocorreram diversas lutas e mobilizações importantes como a da Aldeia Maracanã, a resistência popular em Manguinhos, a luta dos moradores do Morro da Providência, do Horto, da Favela Bandeira I, de Vila Autódromo, do Morro da Indiana, as atividades e passeatas dos moradores do Borel lembrando (para enfrentar e não esquecer) a dolorosa chacina de 2003, as rebeliões no Morro do Alemão, no São Carlos, na Coroa, contra a violência cometida pela UPP, o Encontro e criação da Rede de Comunidades Impactadas, do grupo “Favela não se cala”, os atos contra a homofobia, o machismo e o racismo, contra a privatização do Maracanã, contra o fechamento de escolas, entre tantos e tantos outros.

Impulsionadas pela luta vitoriosa em Porto Alegre – que conseguiu reduzir a tarifa dos transportes – e pela incrível mobilização puxada pelo MPL em São Paulo, todas estas lutas se confluíram e mostraram a sua cara nas gigantescas passeatas em torno da redução das passagens – as maiores desde as “diretas já” -, mas que na verdade mostram e expressam muito mais do que a descontentamento com o transporte. Este grito tornou-se uma voz poderosa de uma multidão – a maior parte das manifestações - que estava engasgada, que não suporta mais o nível de opressão e violência sofrida. Saques, destruições de bancos, lojas, instituições, junto a mobilizações que chegaram, apenas no Rio de Janeiro, a mais de 200 mil pessoas no dia 17 de Junho e a mais de 1 milhão no dia 20, mostram um descontentamento e uma raiva que não podem ser simplesmente reduzidas a um desejo de violência ou a uma apropriação nacionalista-fascista da direita.

Retornam, agora, grandes protestos e gritos que lembram, em alguma medida, as primeiras décadas do século XX quando o povo levantou-se contra a carestia da vida. Os trabalhadores, daquela época, se revoltavam contra as suas péssimas condições de trabalho (isso quando o tinham), suas péssimas condições de moradia e contra o alto custo de vida. Os trabalhadores não aguentavam mais sustentar o luxo da burguesia enquanto viviam na miséria.

Uma importante diferença, no entanto, é que neste período os trabalhadores estavam organizados em sindicatos fortes e livres, em associações por bairros e tinham como princípio de ação os lemas libertários da ação direta, da autogestão, do poder popular, do anti-capitalismo. Hoje, infelizmente, vemos o povo ir para as ruas, rebelar-se, mas sem organização e sem orientação revolucionária, o que altera
significantemente o quadro em que estamos e as nossas possibilidades de ação.

A disputa com a direita: luta de classes contra o fascismo


Tocadas pela esquerda em todo o país, as mobilizações pela redução da passagem só tornaram-se mobilizações de massas após os confrontos do povo com a polícia. Não podemos esquecer que foi o combate corajoso com o Estado que levantou e expandiu as lutas! No Rio de Janeiro, por exemplo, a primeira manifestação contava com cerca de 100 pessoas e na terceira manifestação, quando a mídia ainda criminalizava totalmente o movimento, já haviam 10 mil pessoas nas ruas. No segundo ato, houveram mais de 40 detidos e uma repressão brutal da polícia que correu todo o centro da cidade atrás dos manifestantes, prendendo e espancando qualquer pessoa que encontrasse pela frente. A virada da mídia e a tentativa de apropriação das manifestações pela direita, portanto, só se deram bem mais tarde, quando o povo já estava na rua e quando ela percebeu que era mais proveitoso disputar este movimento do que negá-lo integralmente.

Esta virada dos monopólios de comunicação foi e está sendo crucial para o destino das lutas. Com uma esquerda enfraquecida por anos de reformismo, uma aversão do povo às formas partidárias associadas ao regime político eleitoral, mas também com uma incapacidade dos setores revolucionários de direcionarem esta revolta num sentido libertário e de criação do poder popular, as ruas pegam fogo, tornam-se barricadas, chamas, mas não sinalizam para qualquer perspectiva imediata de transformação radical da sociedade. Sem uma perspectiva revolucionária, sem um movimento popular forte a nível nacional, sem uma organização revolucionária para impulsionar estas lutas, vemos se espalhar nas manifestações diversos discursos conservadores, ideologias dominantes, preconceitos, bandeiras vazias manipuladas pela imprensa – como a luta contra a orrupção – e uma onda fascista-nacionalista contra os partidos e organizações de esquerda.

É abominável e terrível a agressão aos militantes dos movimentos sociais e dos partidos de esquerda. Por isso, precisamos organizar uma grande frente anti-fascista para unir a esquerda contra estes setores da direita que se infiltraram nos atos e que tentam tomá-lo. A presença desta onda conservadora não define, no entanto, estas lutas como conservadoras, de direita, golpistas. As manifestações estão em disputa e a maior parte dos gritos nas manifestações continua sendo reivindicações de esquerda: direito a saúde, educação, “Fora Feliciano”, “Fora Cabral”, “Pelo fim da PM”, “Não haverá copa”, etc.

Grande parte dos que radicalizam na frente de batalha são jovens negros das favelas e periferias, e em cada passeata eles se organizam, descem os morros, para protestar e rebelar-se com uma força que aterroriza a classe média. É interessante notar, também, como a grande mídia, o senso comum e os “especialistas” vem criminalizando essas ações mais radicalizadas. Quando revoltas de imigrantes e jovens europeus em Londres (2011) e na França (2005) tomam as cidades com saques, incêndios e confrontos com a policia, elas são taxadas como revoltas populares, já no Brasil são nomeadas como vandalismo, sem nenhuma análise crítica, sociológica ou histórica de tal fato. A grande mídia, parte da esquerda e a academia se calam em uma espécie de pacto de silencio que acaba por legitimar ações repressivas da força policial. No “vácuo” de uma voz dissonante, fica o senso comum e a Rede Globo e vence o discurso do pacifismo e da separação dos militantes pacatos, ordeiros e bem comportados de classe média dos “marginais e arruaceiros”, negros e pobres. Outro ponto fundamental e extremamente importante é o ataque generalizado e em todo pais aos centros de poder.

Todas as revoltas e revoluções canalizaram suas energias nesses ataques (como a tentativa de entrar na ALERJ e na Prefeitura do Rio), eles revelam um caminho correto que vem sendo apontado por esses grupos, que souberam identificar os órgãos que materializam a opressão e exploração. Conscientes ou parcialmente conscientes de sua força, esse fenômeno nos demonstra uma insatisfação com as instituições do Estado, que são um terreno propicio para a construção do poder popular.

Outro aspecto importante que este contexto promoveu foi politização da vida, do cotidiano. As pessoas que “não queriam discutir política” agora conversam sobre as manifestações, as propostas, sobre os discursos do governo, sobre o que fazer, fazem reuniões. Desse modo, precisamos tomar cuidado para não universalizar o fascismo e desconsiderar o fato muito importante de milhares de trabalhadores estarem indo para as ruas - ainda que seja com a blusa do Brasil - lutando pelos direitos à saúde, educação, moradia e transporte. É duro demais ver nossos companheiros espancados, perseguidos, mas não podemos abandonar o que nós mesmos construímos e perder o contato com estes milhares de trabalhadores que saíram do campo do "odeio a política" e estão discutindo em todos os espaços os destinos do país e da vida. Em vez de deixar tudo para a mídia e para os nazi-fascistas, precisamos criar uma frente anti-fascista, trazer os trabalhadores para as plenárias, dar espaço para as comunidades e organizações de base na mesa das assembleias, organizar assembleias de bairro, nos organizar para o enfrentamento e para a defesa. Não podemos simplesmente negar todos os aspectos positivos destes levantes que começaram conosco e já conquistaram algumas vitórias como o cancelamento do aumento da passagem em diversas cidades e, sobretudo, a experiência de levar o povo pra rua lembrando que ele tem poder e colocando medo em quem roubou dele seus meios e sua vida. Não podemos abandonar as ruas agora. Temos que tentar organizar estas revoltas e dar um direcionamento radical e anti-capitalista. Contra o fascismo, contra o capitalismo, somente a luta!

Alguns ensinamentos dos últimos atos: toda vitória é popular e radical Os combates de rua que aconteceram todo este mês têm apontado para uma perspectiva diferente, sendo marcadas pela ação direta e pela radicalização. Infelizmente, sendo oprimidxs e exploradxs todos os dias por um Estado extremamente violento e por monopólios do capital sedentos para arrancar da nossa carne o máximo possível de lucro, não alcançamos vitórias que não passem pelo confronto violento com estes e pela conseqüente criminalização feita por sua mídia. Todo o discurso feito pela esquerda “bem-comportada” que se dita pela polícia, desse modo, deve ser enfrentado, pois não há luta vitoriosa que não passe pela mobilização popular e sua radicalidade. As lutas em São Paulo, em BH, em Brasília, em Porto Alegre, em Belém, em Recife, aqui no Rio, têm mostrado que o modelo desta esquerda que não incomoda – a forma Candelária-Cinelândia/ Cinelândia-Alerj – não dá repercussão, não ameaça as classes dominantes e só agrada a mídia e o discurso burguês da “sociedade democrática” (“viu como vivemos numa democracia? Eles fazem passeata a vontade”). Não podemos aceitar que além da mídia e das classes dominantes estes setores, que tentam conter a revolta da multidão nos atos e monopolizam com violência todos os carros de som com suas cantigas de auditório, contribuam para a nossa criminalização como “vândalos” e “marginais” ao trazermos nosso ódio e indignação diante da situação atual para as ruas. Se não pararmos a cidade, se não incomodarmos o trânsito, se não reagirmos à violência da polícia, se não apostarmos na ação direta e na democracia popular, nunca conseguiremos nossos direitos.

As grandes vitórias deste momento são mostrar que somente a organização e a luta do povo através de seus próprios meios são capazes de mudar a nossa realidade. Enquanto a esquerda eleitoral se organiza para eleger seus candidatos no Estado, o povo foi para as ruas, fez assembleias e começou a arrancar aquilo que nenhum parlamentar de esquerda conseguiu. Criando esta cultura da organização e da mobilização, podemos dar saltos bem maiores e realizar uma revolução social profunda, libertária e radical. Esta deve ser a nossa luta.

Organização Anarquista Terra e Liberdade (OATL)

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[Brasil] Açons radicias e enfrentamento policial na manifestaçom do Sábado 22 em Belo Horizonte

Como jeito de contra-restar essas informaçons dos mass merda sobre o guai que é a presi brasileira e mesmo a polícia que entrega flores às manifestantes, além doutras tergiversaçons interesadas em negar os protestos e mesmo em criminalizar a quem, para eles, som só atos dumha minoria violenta, colamos este "Relato ativista sobre os acontecimentos nas movidas anticopa de BH" assinado por Amigxs da Insurreição e que recolhimos do CMI Brasil:
Grande enfrentamento hoje sob a lua cheia em Belo Horizonte. As movidas anticopa estao cada vez mais radicais, apesar de muito fluffy (comeflores) ainda criticar e tentar isolar individuos que empreendem açoes diretas mais ousadas.

Concessionarias de veiculos e bancos da Avenida Antonio Carlos (trajeto do Mineirao, onde acontecia uma partida da Copa das Enganações) foram destruidos sob a furia anticapitalista do povo. Debaixo do Viaduto Jose Alencar xs manifestantes enfrentaram a Guarda da Fifa (uma mescla de PMMG, Guarda Nacional e Leis da Copa) sob o lema "gentileza gera gentileza".

Bombas de efeito moral e gas lacrimogenio em abundancia. Helicopteros (2) ainda pioravam os efeitos do gas espalhando-o em voos rasantes sobre xs manifestantes. Tiros de bala de borracha a todo tempo, resultando em pessoas feridas. Uma cápsula de muniçao letal foi encontrada por manifestantes em meio ao tumulto.

O povo se defendeu com escudos e barricadas improvisadas e respondeu com pedras aos ataques policiais sob palavras de ordem como "o povo unido jamais sera vencido". Em um dado momento, a cavalaria teve de recuar ante o contrataque de manifestantes, o que foi saudado a gritos por todxs. Um adolescente de 17 anos aparentemente caiu do viaduto e foi hospitalizado, ainda nao se sabe se ele corre risco de morte ou nao.

Muito se espera da Greve Geral do dia 01.

As ruas chamam.

Amigxs da Insurreição
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21 jun 2013

Solidariedade com a revolta no Brasil !! (vídeos)

Colamos de ContraInfo o seguinte texto e vídeos dos sucessos do Brasil que vem a contrarrestar essa onda mediática teimuda que asombra-se de que Brasil por fim acordara como se a gente estivera durmida, assim monstra-se que a raiba nom jurde por geraçom espontánea e que já há tempo que muita gente peleja, mas ao igual que acá com o 15M, nom foram motivo do sensaçonalismo mediático e da sua vissom parcial dos acontecementos na que gostam de desfarçar os protestos como pacíficos, agás pola acçom de algumhas descontroladas violentas:

Río de Janeiro, 17 de junho: Manifestantes devolvem aos "pacos" um pouco do jarabe de violência que repartem eles a diário

Por fim, as metrópolis brasileiras viverom os momentos que já lhes fazia falha desde háe muito tempo. Desde primeiros de junho, centos de miles de manifestantes tomarom as ruas de várias cidades no contexto da luita contra o aumento da tarifa dos médios de transporte público, pero também contra as devastadoras consequências de ser a sede da Taça do Mundo de futebol em 2014 e das Olimpiadas em 2016.

Os protestos nom surgirom da nada, som froito dumha luita que leva case 10 anos, desde as manifestaçons maciças do movimento estudiantil contra o aumento da tarifa dos autocarros na cidade de Salvador de Bahía em agosto e setembro de 2003 (conhecidas também como a Revolta de Buzu), e as de junho de 2004, polo mesmo motivo, na cidade de Florianópolis (conhecida como a Revolta da Catraca).

Pero também estas revoltas do século XXI tenhem antecedentes históricos, que se remontam a finais do século XIX com a revolta popular em Río de Janeiro entre 1879 e 1880 (a Revolta de Vintém) quando ainda os burros tiravam do tranvia, ou a Revolta dos Barcos que tivera lugar em 22 de maio de 1959 e, durante a qual, o povo prendera lume às instalaçons dos serviços hidroviários da cidade de Niterói, no estado de Río de Janeiro, ou a greve estudiantil em outono de 1979 na cidade de Sam Luis (estado de Maranhom), que conseguira o desconto à mitade do preço da tarifa para xs estudantes.

As manifestaçons deste ano enfrontarom-se desde o início à repressom policial e, aos poucos, mês tras ms, se viro^m multiplicadas e intensificadas até a explosom das últimas semanas.

No mês de maio em Goiânia, capital do Estado de Goiás, realizaram-se 4 marchas contra o aumento da tarifa, sendo a do 28 a mais intensa, tanto polo nível da repressom aplicada polos pacos, como pola resposta dxs manifestantes que destroçarom e queimarom autocarros.


1º Ato contra o aumento das tarifas do transporte público realizado em 06/06 na cidade de São Paulo.

2º Ato contra o aumento da passagem em 07/06 - Av. Rebouças, São Paulo

3º Ato -Luta contra o aumento da passagem São Paulo

4º Ato contra o aumento das tarifas em SP - a barbárie da pm paulista

Εn São Paolo, a primeira marcha do mês de junho levou-se a cabo o dia 6, quando miles de manifestantes curtaram o trafico em várias avenidas principais com barricadas prendidas e enfrontaram-se com os pacos que usou gases lacrimógenos e bolas de goma para dispersar à gente. As marchas dos dias 7, 11 e 13 também estiverom marcadas tanto pola repressom policial, as detençons maciças e os centos de manifestantes feridxs, como pola resistência activa da gente que se enfrontou direitamente com os pacos. Notanto, as manifestaçons do 17 de junho, tanto em São Paolo, como em Río de Janeiro (e outras cidades, como Brasilia, Porto Alegre, Belo Horizonte etc.) forom as mais multitudinárias e combativas até o de agora.

5º Grande Ato Contra o Aumento da Tarifa em 17 de junho - São Paulo


Rio de Janeiro em 17 de junho- Seis minutos em que manifestantes tomaram as escadarias da Alerj (Edificio da Assemblea Legislativa) antes, ocupadas por cerca de 50 Pacos.

O protesto no Rio de Janeiro foi o maior do Brasil nessa segunda-feira, dia 17 de junho, e contou com mais de 150 mil pessoas. Quando chegou a Alerj, manifestantes se depararam com um grupo de policiais ocupando as escadarias que, em 50 anos de lutas das massas, foi refúgio das maiores manifestaçons que aconteceram no Rio de Janeiro. Em menos de dez minutos, o protesto tomou de volta o seu espaço na marra.

Como poucas vezes se viu na história do país, as massas esbanjaram coragem e encurralaram umha das polícias que mais mata no mundo. Uma chuva de pedras, paus, morteiros e coquetéis molotov forçou as tropas de repressom a recuarem cara o intérior e prendendo lume às suas portas. Os PMs permaneceram por horas no interior do prédio cercado pela fúria de milhares de pessoas em luta, nom apenas contra o aumento das passagens, mas contra toda a carestia e a opressom imposta pelas classes dominantes e pelo imperialismo às massas.

Assim pois, a mecha também fica prendida em Brasil; “O amor rematou, Brasil vai ser como Turquía” tal e como diziam xs manifestantes. Mais alá de qualquer análise e verborreia, o importante é manter vivo o lume e propagar a insurreçom que vem contra todo icono do Poder com ainda mais intensidade. Fazemos um chamado axs compas anarquistas que estám vivendo de primeira mão os acontecementos da revolta em Brasil a que contribuam com notícias desde a rua, como também reiteramos a nossa proposta por umha campanha internacional de agitaçom e acçom direita contra a Taça do Mundo e as Olimpiadas.

A nom deixar axs nossxs irmanxs que luitam nas ruas de Brasil sos!
Solidariedade incendiária e internacional!
Rebelar-se é justo.

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