5 abr. 2014

[Grécia] Kamateró, Atenas: Intervençom antieleitoral anarquista

Informaçom facilitada por Agência de Notícias Anarquistas-ANA:

No sábado, 29 de março de 2014, no bairro Kamateró, nas proximidades de Atenas, realizou-se umha intervençom antieleitoral¹ e antifascista. Aproximadamente 50 antifascistas, antiautoritários e anarquistas do bairro e seus arredores participaram durante umhas duas horas nesta intervençom, em vários lugares do bairro, onde estám os negócios, os supermercados, as cafeterias e o mercadinho local. Durante cada umha das acçons realizadas, se distribuiu um panfleto antieleitoral e antifascista, abriram faixas com dizeres: “Contra o Estado, os fascistas e os patrons, contra as ilusons eleitorais. Solidariedade – resistência – auto-organizaçom” (ver foto), distribuíram panfletos e pintaram slogans. Foi o começo de umha campanha em quatro bairros próximos de Atenas, contra o Estado, o fascismo e as eleiçons. As acçons vám continuar, de umha maneira colectiva e auto-organizada, por uns bairros de solidariedade e liberdade, por umhas vizinhanças de coexistência e entendimento mútuo, contra a desesperança, o derrotismo, a miséria, o canibalismo, o fascismo.

A seguir publicamos o texto que foi distribuído durante a intervençom, asinado por Anarquistas, antiautoritário/as, antifascistas dos bairros de Kamateró, Petrúpoli, Ilion Aguii Anárguiri:

A partir da submersom no totalitarismo...


Estamos em um período de barbárie generalizada. E isto o sabemos muito bem, nós que vivemos nestes bairros. Somos testemunhas da emergência de um totalitarismo moderno, com suas marcas (sinais) claramente visíveis em cada vez mais grupos sociais, em componentes sociais cada vez mais amplos, em todas as facetas da vida cotidiana. nom é só pelas filas (dos desempregados) nos Institutos de Emprego, a coisa está ainda pior, quando alguém tem “sorte” e consegue trabalho nas “galés” modernas do patronato, que... “por desgraça, o dinheiro nom é suficiente”: Na jornada de 4 horas por 250 euros nos supermercados, na jornada de 8 horas por 480 euros, que nom podes recusar...

Ao mesmo tempo, em todas as partes estám montando aqueles “pequenos” totalitarismos que reforçam esta mesma normalidade: a partir dos campos de reclusom (concentraçom) para imigrantes, até as operaçons vassoura contra as pessoas sem teto e os drogaditos. A partir dos tiros da polícia antidistúrbios nas manifestaçons, a ocupaçom policial dos povoados de Calcídica que resistem ao saque de sua terra contra a exploraçom “de ouro”, até a arrogância dos policiais motorizados contra os “estranhos” e os jovens em todas as ruas e praças de nossos bairros. A partir do novo código penitenciário, até a criaçom de prisões de segurança máxima para “terroristas”... Os pobres, os diferentes e os rebelados, nom só estám obrigados a experimentar um estado de ameaça contínua em todos os níveis, senom que têm que incorporá-lo (assimilá-lo), convertendo-o em um componente (umha parte integral) de sua vida.

E quem mais poderia fazer melhor este trabalho sujo, que a Democracia nom pode completar com seus pretextos? As forças de reserva do Estado, que operam como sua muleta, têm sido e sempre serám os fascistas. E em particular, na conjuntura actual, estas forças de reserva som os neonazistas da Aurora Dourada. Segundo parece, contudo, possivelmente se completa umha primeira etapa de negócios entre os fascistas e a Democracia grega. Os fascistas da Aurora Dourada têm cumprido com sua tarefa: conseguiram que os actos diários de violência racista e o discurso racista da extrema-direita, parecessem familiares (às pessoas).

E devido a que, por um lado se enjoaram dos privilégios de que desfrutavam como o longo braço do Estado e, por outro, aumentaram seu espaço político vital em prejuízo dos demais, tiveram que ser temporariamente eliminados, ou tomar a forma de um partido político ultradireitista mais “sério”. E isto se tornou urgente, sobretudo depois do assassinato de Pavlos Fyssas, quando a raiva social ameaçava a normalidade sistêmica. As perseguiçons, portanto, contra Aurora Dourada afectam só a pessoas, nom opçons sistêmicas. Por outro lado, a Democracia grega implementa muito bem as declaraçons programáticas dos fascistas. Acaso estes últimos nom som os que falam da necessidade da presença da Polícia em todos os lugares? Estes nom som os que prometiam salários de 18 euros diários aos trabalhadores dos estaleiros de Pérama e aos trabalhadores da zona industrial de Beocia? (se até a Troika e os governantes locais nom baixaram dos 20 euros). nom som eles mesmos os que se apresentam como anti-sistêmicos, nom som votados por 50% dos policiais, nom som apoiados por metade da canalha da Sociedade Anônima sob o nome de “Igreja da Grécia”, e tem votado no Parlamento, concessons aos armadores, a fusom do Banco Rural com o Banco do Pireo (assim que saia beneficiado o mecenas Salas, e que paguemos nós, os de baixo, uns milhões de euros mais)? nom som eles os que enquanto sustentam que declararam guerra aos canais televisivos dos grandes constructores, como Bóbolas, ao mesmo tempo andam de namoro nos canais de outros grandes constructores (por exemplo, Kurís, etc.)? nom som eles que indicam aos empobrecidos e os oprimidos (imigrantes, ciganos, pessoas que resistem...), como inimigos, se o verdadeiro inimigo som os de cima, que determinam nossa vida?

A falsidade de que “todos somos gregos”, que volta a reavivar na consciência social através do Aurora Dourada (junto com todos esses mitos grotescos sobre o sangue comum, a história comum, etc.), nom serve a ninguém mais que ao Estado, já que guarda todos os de baixo, presos sob o teto da “Naçom”, deixando intacto o sistema de desigualdades e exploraçom contra nós. Vamos deixar claro para qualquer pessoa imersa na estupidez, que pense em outra coisa: os membros do Aurora Dourada som necessários para a soberania, som uns capangas engravatados, respaldados pelo Estado e os capitalistas poderosos que se encontram por trás deles...

…Até o branqueamento na pia batismal da Democracia...

E tudo isto antes das próximas eleiçons de maio, nas quais terá lugar mais um festival eleitoral, por que como é bem conhecido “o medo é sucedido pela esperança”. Neste festival, que se branqueiam todos (desde os direitistas e os fascistas, até a esquerda), e que se legalizam na consciência social para continuar cumprindo com seu “dever nacional”. O buscar e fazer ressaltar umha vez mais um “salvador” que nos salve dos males da crise, os discursos eleitorais e as campanhas por um melhor futuro que está por vir, e os dilemas que se nos apresentam diariamente, constituem umha parte integral da perpetuaçom do sistema existente. Nom se equivoquem, todos aqueles que buscam salvadores, logo verám suas esperanças frustradas. O processo eleitoral é o pretexto da mediaçom, o votar a cada quatro anos, se parece ao despertar instantâneo de umha letargia. Só se tomamos a vida em nossas máns, sem mediadores e salvadores, sem especialistas e politiqueiros, poderemos falar de umha sociedade diferente, umha sociedade de liberdade, igualdade e solidariedade.

A abstençom consciente das eleiçons constituem umha parte integral da luta contra um mundo de podridom organizado.

Esmagar os fascistas em cada bairro

Abstençom das eleiçons


Resistência – Auto-organizaçom – Solidariedade

Anarquistas, antiautoritário/as, antifascistas dos bairros de Kamateró, Petrúpoli, Ilion Aguii Anárguiri

O texto em grego:

https://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1520528
[1] Um mês e meio antes das eleiçons municipais e europeias.

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