17 feb. 2014

[Grécia] “Acontece a um anarquista”

Texto publicado no site http://withoutreasonorrhyme.wordpress.com/, em razom da condena ao anarquista Tasos Theofilu a 25 anos de prisom polo assalto de um banco, tam só por ser anarquista, sem nengumha evidência ou prova contra ele, e que recebemos de ANA -Agência de Notícias Anarquistas-, e colamos:

Fai uns dias, um anarquista foi condenado a 25 anos de prisom por que ele (segundo o tribunal) foi quem matou o taxista Dimitris Mijas em 2012, em um assalto a um banco na ilha de Paros. Tasos Theofilu é um homem que foi acusado de haver participado nesta acçom delituosa, e foi arrastado a umha cela na qual permanecerá durante os próximos 25 anos de sua vida, sem que haja nengumha prova de sua culpa. A primeira frase se ouve em todas as partes, a segunda em nengumha.

Era anarquista, isto é o que nos interessa. “Anarquista” vai gritar o jornalista com cara de asco, amenizando sua reportagem com a trilha sonora de algum filme barato de acçom de Hollywood, a fim de criar sentimentos de medo e a sensaçom de um estado de emergência. Um miasma, umha escória da sociedade, um inimigo da naçom, do Estado, dos pequenos proprietários, dos pequenos burgueses, da tendinha menor do bairro, na qual (o anarquista) quer vê-la incendiada. Um anarquista, nom é um homem como os demais. É alguém diferente de “nós”. De nós, os bons, que temos nossas próprias normas de comportamento, que nosso pensamento é o correto, e que temos moral. Como Tasos Theofilu era anarquista e como os anarquistas som maus, nom têm direitos. Nom é válido para ele o que é válido para ti e para mim que nom somos anarquistas. Som ilegais, só o que merecem é a prisom, para que nom os vejamos, para que nom os ouçamos, para que nom nos dêem sustos estes selvagens incultos com as bandeiras negras, seus panfletos e suas crenças imorais.

Tasos Theofilu foi condenado sem nengumha evidência contra ele. Ou melhor, sejamos objectivos: Tasos Theofilu foi condenado a 25 anos de prisom porque tinha umha bolsa em que estava escrito: “Paros”. Portanto, ele cometeu o assassinato, porque já que é anarquista é assassino, porque já que tinha a bolsa, havia estado em algum momento em Paros, portanto, foi ele. Nom importa que nengumha testemunha do assalto o reconheça, que o suposto chapéu que levava ninguém o vira, que o corpo do taxista morto estivera cheio de marcas pela luita com o assassino, enquanto que Theofilu nom tinha nengumha, que a testemunha da Agência Antiterrorista admitira que podia ser que Theofilu nom estivera presente no assalto, que o polícia que o estava vigiando nom fora capaz de reconhecê-lo, que haja testemunhas que estavam com ele em Atenas no momento do assalto, que em última instância nom haja sequer umha maldita evidência que demonstre que foi ele quen o figera. Nengumha evidência. Ou melhor, me equivoco, há umha. É anarquista.

Esta única evidência é a causa de Theofilu apodrecer na prisom –a única evidência pola qual a polícia há dias faz rondas nas casas de várias pessoas, por que lhes dá vontade, a única evidência pola qual torturou 15 antifascistas, ou quebrou cabeças em manifestaçons. Nom se necessita nada mais. Isto é suficiente. Vamos nos calar todos ante esta acusaçom injusta, na qual parece que é suficiente para cobrir tudo e fazer fechar todas as bocas. Som estas palavras-condenaçons, estas que som suficientes para qualificar alguém, assim que a acusaçom seja em si mesma umha prova de sua culpabilidade de algo. Imigrante, ateu, anarquista, judeu: acusaçom e condena é umha só palavra. Sem indícios e sem provas. Estas coisas nom fam falta, estes som inimigos, e para os inimigos nom há justiça. O que merecem é o extermínio. Outrora era o comunista, o descendente de turcos, o roqueiro, o cabeludo, o de cabelo comprido, o que falava o grego popular, o cigano, o guerrilheiro durante a guerra civil. Os inimigos mudam, a necessidade de encontrar inimigos nunca muda.

Theofilu foi condenado porque é anarquista. Theofilu foi condenado porque o governo tem que dar sangue ao povo para salvar-se ele mesmo. Theofilu foi condenado porque alguém tinha que ser condenado por este crime, e foi ele porque tocou a ele pagar o pato. Se em todas estas explicaçons cabe mais umha, é dizer que o Estado está tratando de intimidar a qualquer inimigo seu. Comigo nom têm conseguido. Condenar a alguém por ser anarquista, isto nom chego a entender. Temos chegado ao ponto em que a luta se remonta aos que todavia têm um pouco de sentido da lógica e da justiça. Luntemis [1], ao ser processado, ante a incitaçom do presidente do tribunal a assinar uma declaraçom (de renúncia de sua ideologia), disse: “O homem demorou uns milhons de anos para poder ficar de pé. Eu nom vou fazer retroceder à fase na qual estava engatinhando”. Temos chegado ao ponto em que a luta se inicia justamente ali: que nom voltemos a essa fase.

Cada pequeno burguês, cada despreocupado, cada tipo do “sim, mas...", cada moderado, cada lobotomizado pela televisom, cada apático, cada qual que representa o grego médio, o dia de ser processado por sua casa, por suas dívidas, por seu trabalho, por seu lugar de origem, o dia que venham por ele e por sua vida (porque virám), que recorde a Theofilu e a sua condena a 25 anos de prisom, e que sussurre a si mesmo, sem voz: “Sim, mas ele era anarquista”.

[1] Escritor comunista (1912-1977). Participara na guerrilha contra os nazis e na guerra civil. Fora processado e condenado tanto durante ela como posterior ao seu fim.

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