20 feb. 2014

[França] Notre-Dame-des-Landes: Sábado 22 Manifestaçom em Nantes.- Nem obras nem desalojos... Ao aeroporto, seguimos dizendo NOM!

Recebemos esta informaçom na nossa caixa de correios procedente da Agência de Notícias Anarquistas - ANA sobre a situaçom actual desta luita contra um aeroporto inecessário que se remonta a vários anos atrás e que semelha que há intençom de retomar as obras pelas empresas destructoras, pelo que se fai um chamado internacional para este vindouro sábado 22:

CHAMADO COMUM DO MOVIMENTO ANTI-AEROPORTO

[Em Notre-Dame-des-Landes, a Oeste da França], o Estado e as pessoas a favor do aeroporto ameaçam de novo com a imposiçom do projecto pela força. Pretendem iniciar, nos próximos meses, a destruiçom das espécies protegidas e a construçom do aeroporto. Umha nova onda de desalojos poderá chegar. Nom os deixaremos agir! Na zona de Notre-Dame-des-Landes, o movimento está ainda mais vivo que no outono de 2012 [quando atacaram para tentar desalojar todos os espaços ocupados], os laços som mais densos, os campos mais cultivados e as cabanas mais numerosas... Mas, além disso, há mais de 200 comitês locais (externos a zona) que foram criados em solidariedade com a luta e com a finalidade de propagá-la em seu próprio entorno. Chamamos a todas as forças anti-aeroporto a unir-se a manifestaçom de 22 de fevereiro em Nantes, para mostrar-lhes que de nenhum modo podem pôr a mão ao “bocage” [um ecossistema em estrutura de campo fechado].

Chamado feito por ocupas da ZAD [Zona A Defender]. A derrota da operaçom policial “Cesar”!

Fazem algumas décadas, um projeto grotesco de aeroporto ameaça o “bocage” de Notre-Dame-de-Landes, próximo da cidade de Nantes (Oeste da França). Deixado de lado por causa da crise do petróleo nos anos setenta, os dirigentes locais, o Partido Socialista, o UMP [partido de direita] e os empresários, todos reunidos, o trouxeram de novo a luz faz alguns anos, agora rotulado de “ecológico”! Fazem décadas, a populaçom local se opom à destruiçom de suas casas e de sua agricultura, respaldando-se sobre suas tradiçons de luta camponesa e antinuclear. A partir do final dos anos 2000, pessoas de toda a Europa chegaram para apoiá-la. Vieram instalar-se na Zona A Defender [ZAD], respondendo a um chamado de uns vizinhos que decidiram resistir, e ocupando desde entom as terras e as casas que se abandonaram – fazem alguns anos – para deixar o espaço ao futuro aeroporto.

Em 16 de outubro de 2012, quando mais de mil gendarmes [polícia antes visada às zonas rurais, que depende do exército] chegaram para desalojar aos ocupas da ZAD, o vigor da resistência e a onda de solidariedade que essa operaçom engendrou, surpreendeu a todo mundo e sobretudo aos dirigentes, que já haviam duvidado que se podia responder assim à violência de suas escavadoras. Depois de dois meses de subir nas árvores [para impedir que fossem tombadas], de recursos jurídicos, de barricadas, de cantos e de projetos no “bocage”, de manifestaçons e de acçons apontando a obras e a sedes políticas em outras partes da França, a “operaçom César” afundou definitivamente.

A ZAD em movimento.

A oposiçom aos desalojos difundiu a convicçom, verdadeiro pesadelo para os planejadores do território, que é possível colocar-se no meio de seu caminho. Sim, nos falta enterrar definitivamente o projecto do aeroporto, a brecha aberta aqui tem deixado lugar a um terreno de experimentaçons sociais e agrícolas, efervescentes e guiadas pela solidariedade e a vontade de mudar. Na ZAD se está elaborando um movimento consolidado pelos encontros entre vizinhos antigos e recém-chegados, entre camponeses que lutam e coletivos que tratam de viver, semear e criar, rechaçando os circuitos mercantis e as normas.

A operaçom César teve como efeito a geraçom durante todo o ano passado de um grande impulso de reocupaçom e de reconstruçom. Há hoje em dia uns sessenta lugares habitados, granjas, casas, cabanas e aldeias divididas na zona, assim que umha vintena de projectos de produçom agrícola e de hortaliças. Também existem espaços coleticvos para fazer rádio, música, comedores e festas, fazer pam e transformar alimentos, ler e jogar, fazer costura ou fabricar artesanalmente um moinho de vento, consertar bicicletas ou curar-se...

O retorno de César?


Estes últimos meses a maioria das tentativas feitas por VINCI, a empresa encarregada do projeto, e pela Prefeitura [autoridade estatal regional] para levar a cabo as obras preparatórias na ZAD, têm sido impedidas ou sabotadas. Apesar de tudo, fazem umas semanas os pró-aeroporto nom param de anunciar nos meios de comunicaçom o reinício próximo das obras, e a necessidade de voltar a desalojar-nos.

A próxima etapa em seu calendário seria vir a “deslocar” algumhas espécies de animais raras do “bocage”, e levar a cabo a criaçom de lagos e sebes nos arredores, segundo quotas de “compensaçom” fixadas a partir da quantificaçom em seus termos dos “bens e serviços ao eco sistema” do “capital natural”. Mas além do aeroporto de Notre-Dame-des-Landes, trata-se aqui de pôr em funcionamento, técnicas de engenharia ecológica ainda experimentais e emblemáticas da “maquiagem verde” moderna, que poderia servir no futuro de modelo e de legitimaçom para a viabilidade de outros projectos deste tipo. Para empresas como VINCE, trata-se de fato de comprar direitos de contaminaçom e de destruiçom, agora com a legitimaçom de “naturalistas” mercenários como a empresa Biotope. A compensaçom encarna umha lógica gestora que pretende encaixar em parâmetros e contabilizar a vida.

Nós mantemos uma relaçom totalmente diferente com os bosques, “bocages” e caminhos, com as histórias que os atravessa, e os seres vivos que fazem parte de nossa vida diária. Esses vínculos sensíveis, esses saberes práticos, ferramentas, armas e cúmplices, recursos ou referências nom se deixarám nivelar. Nos negamos categoricamente a que nossas vidas sejam encaixadas e fracionadas ao infinito em suas equaçons acadêmicas, calculadas segundo os princípios econômicos da moda.

A resistência é contagiosa.

Hoje em dia, Notre-Dame-des-Landes se tornou um símbolo das lutas contra a ordenaçom territorial capitalista, que acredita que pode dispor segundo seus desejos dos espaços considerados como “nom produtivos”, para implementar ali suas centrais eléctricas, seus centros comerciais, suas linhas de alta tensom ou seus mega meios de circulaçom para humanos e produtos. Um símbolo e um grito de guerra, como puderam ser em sua época, Plogoff [luta vitoriosa contra a construçom de umha central nuclear na Bretanha no final dos anos setenta], ou Larzac [luta camponesa vitoriosa contra a construçom de um gigantesco campo militar no centro da França em 1973]. Um símbolo, porque em todos os lados opera essa lógica do maldito dinheiro, da velocidade, da destruiçom de territórios e do controle – o que eles chamam o “desenvolvimento”. De Notre-Dame-des-Landes a linha de alta velocidade entre Lyon e Torino, passando pela lixeira de rejeitos nucleares em Bure, os poderes públicos tentam impô-lo a base de pseudo-consultas e marketing “verde”. Muitas vezes se saem bem, e logram fazer-nos crer que nom há alternativas. Às vezes, a reacçom dos vizinhos os colocam em xeque.

No próximo 22 de fevereiro em Nantes, é umha virada decisiva que está em jogo: A metrópole de Nantes tenta de novo a anexaçom de Notre-Dame-des-Landes? Entom serám todas as oposiçons a este projecto e a todos os projectos do mesmo alcance que diremos à metrópole que nom os queremos! Manifestaremos com alegria e determinaçom por lograr o abandono do projecto e para o porvir, todavia por construir, sem planificadores territoriais, tanto na ZAD como em outras partes.

Já que pretendem “compensar” o “bocage”, levaremos fragmentos dele a Nantes, e faremos ressoar o chamado para impedir concretamente o início das obras, que seja a destruiçom das espécies locais ou as outras obras conexas ao projecto de aeroporto: a estrada, a extensom das estradas e a modificaçom das redes de abastecimento de água, de electricidade, etc...

Aproveitaremos para afirmar que se vem para desalojar-nos de novo, vamos resistir, reocupar e reconstruir, com as dezenas de milhares de pessoas que já se têm aliado aos vizinhos e camponeses da ZAD.

Lançamos a partir de hoje mesmo, um convite a organizar-se para bloquear a regiom e ocupar centros de poder por toda França e as representaçons diplomáticas, ou o que seja, no resto do mundo, em caso de umha nova grande operaçom policial. A VINCI, Auxiette, Ayrault e demais dirigentes: fora! Vivam as ZAD!

Ocupas da ZAD, grupos e pessoas em luta contra o aeroporto e seu mundo. Notre-Dame-des-Landes


https://zad.nadir.org/

http://22fevrier2014.blogspot.fr/

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