10 sept. 2013

[Uruguai] Sobre os ataques ao movimento anarquista em Montevideo

Há uns dias publicavamos umha entrada neste blogue com o cabeçalho: "A mesma repressom que na Ditadura militar no Uruguai do ex-guerrilheiro tupamaro José Múgica" (ver acá) na que davamos conta de 3 notícias que justificavam dito titular: Umha a venda de terreos a umha mepresa estrangeira para umha mina de ferro a ceo aberto, e as outras duas falavam da repressom a activistas anarquistas. Agora colamos este Comunicado, assinado por "anarquistas", publicado em 29 de agosto na web do PeriódicoAnarquista (do Uruguai) e que tem como titular o cabeçalho desta entrada:

Sobre os ataques ao movimento anarquista em Montevideo

Em umha semana e meia 14 companheiros foram presos, isto se soma à campanha de escutas, perseguiçons, tentativas de despejos e ataques ao movimento anarquista em Montevideo. Nada disto nos assusta, só nos faz mais fortes. Se nos golpeiam é porque incomodamos. Se incomodamos aos poderosos e seus delatores, estamos fazendo bem as coisas.

Há umha guerra social que passa por diferentes momentos. Os poderosos sabem, nós também. A imprensa oculta, ofegando sobre o barril do capital, impondo a ideia de umha democracia rançosa que nom cumpre nem com suas próprias mentiras mais repetidas, segurança, direitos humanos, justiça…

Entre tudo isso a raiva abre passagem.

O governo dos tupamaros tortura. Onde está a novidade?

O Estado que ocupa o território uruguaio nom é alheio ao medo e intençom de recrudescer o controle sobre sua populaçom, como estám levando adiante os diferentes governos progressistas da regiom (lembrem os encontros de segurança e “antiterrorismo” do Mercosul). O fantasma da primavera árabe, é um medo longínquo mas que palpita e o Brasil se converte em pesadelo para a camarilha empresarial. Qual é o pesadelo para os democratas, extremistas, radicais do poder e demais fascistas? A revolta, a insurreiçom que quando desperta nom parece poder ser controlada. Umha raiva que nom pode ser reconduzida pelo futebol ou a compra de roupas de marca ou congêneres. É aí onde aparecem os que lhes fazem o “trabalho sujo” a Bonomi, Tabaré e Mujica, as forças da ordem a serviço de sua autoridade. É aí que os mercenários criados pela direita e especializados pela esquerda do poder saem ao ataque.

Os violentos, encapuzados, anarquistas.

Palavras vazias de todo tipo tem enchido o papo dos jornalistas estes dias. Que os anarquistas isto e aquilo, que as táticas de violência urbana, que minorias, etc., etc. Os violentos de 14 de agosto, os radicais, os infiltrados em tudo, até na torcida do Penharol (como se nesta nom houvesse sentimento antipolícia, que precise infiltrar-se os ácratas). Por todos os lados a uniom entre a repressom policial, a coordenaçom política e a preparaçom do pastel feito pela imprensa. O ataque tem várias pontas. O Estado defendendo-se definitivamente. Mas de que? De que se defende o Estado? Hoje todo o exército que mantêm a ordem existente (imprensa, polícia, militares, políticos e demais acomodados) se conjuga sob o abrigo de um nível inédito de consenso entre a direita e a esquerda no que têm a ver com a potencializaçom do desenvolvimento capitalista. Mas além do jogo eleitoral, as bases importantes do desenvolvimento do capital na regiom nom se ponhem em discussom por nenhum dos partidos. A mega-mineria, o desmatamento, a coordenaçom, em fim, pela instauraçom do plano IIRSA [Iniciativa de Integraçom da Infra-estrutura Regional Sul-americana] e demais planos, sua grande coordenaçom política, econômica e militar seguem em marcha. É necessário deter e evitar toda resistência, todo germe de resistência. É necessário deter aos que nom negociam, aos “violentos”.

Um passo mais…

E que dizer da violência? Nom é para nós uma “opçom política” como creem os sabidos da faculdade de ciências sociais. Para nada. Nom é umha opçom e nom é para nada política. A escolha que sim fazemos é a de tentar viver do único modo que nos parece digno, o livre. O de nom calar, o de fazer algo quando vemos que a coisa vai mal e vai ainda para pior. Escolhemos resistir, escolhemos defender-nos. Aqui (mais além do jogo preferido da imprensa, dirigentes sindicais e demais políticos) nom há violentos e nom violentos, bons e maus, e demais categorias do poder. Quem nom se anojara, quem nom sentira vontade de resistir à miséria, de opor-se e saltar ante tanta porcaria, simplesmente nom deve ter sangue. Quem nom se anoja conhecendo os negócios policiais com a pasta base, a miséria do trabalho ou o sabor da água de OSE? A violência neste mundo capitalista é natural, a resistência a ele, umha necessidade vital.

E outro depois…

Nom negamos, jamais o temos feito, nossos crimes. Queremos e potencializamos a liberdade, esse é um grande crime contra o poder. Queremos e potencializamos nom a etiqueta de liberdade, abstrata, utilizável e manejada por qualquer um. Por isso praticamos a solidariedade, o apoio mútuo, a reciprocidade, a resistência e é essa prática a que inevitavelmente produz choque em um mundo voltado cada vez mais a negar cham a quem está caindo. A cultura do medo nom pode, nom tem podido e nom poderá amedrontar-nos ainda que o tente. Por isso os insultos, as ameaças com a tortura e a violência, por isso a pistola na cabeça de um companheiro na delegacia, a nudez forçada e os golpes. Por isso o enfurecimento.

E por que sorriem? Se perguntam…

Nós nom temos aparência de vítimas. Se dizemos, se mostramos outro golpe ao movimento anárquico é para mostrar, para continuar mostrando esses golpes que sofremos geralmente em nossos bairros e que a polícia costuma silenciar. Sabemos falar, o fazemos bem e somos suficientemente livres e fortes para nom nos calarmos. O porque de tantos e seguidos golpes ao movimento corresponde a um crescimento que o poder nom tem podido frear, ainda que o tenha tentado. Corresponde a perda do medo e o abandono da confiança que parte da sociedade oferecera aos governos progressistas. Somos tratados com dureza porque o governo tem dado carta branca ante a presença que têm desbancado o parlamentarismo das ruas. Ante a açom direta que nom busca negociar, que nom pede nada. Somos tratados com dureza porque é contagioso um fazer auto-organizado que fomenta um verdadeiro diálogo, um entre iguais e nom políticos ou empresários. Sorrimos por que som bons os ventos e sabemos nos defender.

O espelho do poder.

Onde olham sempre buscando a si mesmos. Em seus interrogatórios quando nom se baseiam no simples insulto ou a ameaça, o que buscam é a eles mesmos e sua necessidade de chefes, de alguém que lhes diga o que têm que fazer. O poder necessita inimigos e nom serve a seus interesses que estes nom se vistam de terroristas, nom busquem governar ou que nom tenham autoridades. A falta de respeito em todos os âmbitos nom pode vir para os serviços de inteligência mais que de um só grupo de pessoas, nom pode nom ter chefes ou nom ter umha grande estrutura organizada para infundir o terror. Mas nós que estamos nas ruas sabemos que o seu crédito social acabou e que os companheiros som muitos e em nada respondem a lógica do partido. Pior para eles mas é assim.

Nós os anarquistas, nom somos os que mantemos um sistema de saúde que gera morte e insanidade, nom fazemos mega operativos nos bairros pobres, nom empreendemos o saque e a destruiçom do meio ambiente e definitivamente nom somos os que mantêm o negócio da pasta base nos bairros. Nom dizemos aos jovens que nom som nada se nom têm certa marca de roupa e nom fazemos cárceres para prendê-los depois.

Mas nom somos tampouco cidadáns obedientes, nom somos, jamais o temos sido dos que esquecem, somos parte dos que têm lutado sempre, como somos irmãos dos que lutam agora em qualquer parte do mundo contra um sistema que nega a vida. Impulsionamos e seguiremos impulsionando sempre a rebeliom para conseguir mais e mais liberdade. Quiseram tirar da vista dos turistas os indigentes, criando uma ilusom de comércio, mas aqui nom somos todos clientes ou submissos. Nem a todos se pode tapar. Nem todos se rendem.

Anarquistas.

Montevideo, Agosto-Setembro 2013

eDu

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