23 sept. 2013

Spanish bombs

Nestes dias várias notícias das crónicas de sucessos dos jornais recolhiam, um vrão mais, diversos accidentes por manipulaçom de bombas da guerra civil espanhola ( as mais recentes em Teruel e San Martín de Vega (Madrid))além de numerosos achados em lugares curiosos e perigosos ( num almacém dumha parróquia em Gandía, no telhado dumha igreja de Cadi (Castelló), num vertedoiro de Llíria (Valéncia)), ou no mar, moi perto de zonas de banho ( nas praias de sa Coma (Mallorca) e Port de la Selva (Girona) ), casos atopados fazendo umha simples busca na rede. Além tenhem saido dados nalgum jornal que confirmam a perigosa existência de ditas bombas (maiormente em terras do bando republicano) com capacidade de explodir depois de 80 anos, assim só em Aragón, as Equipas de Desativaçom de Explosivos (Edex) da Guarda Civil destrue mais de 100 explosivos ao ano.

Co galho destas notícias recuperamos e publicamos este texto de Carlos Varela escrito desde o cárcere de Topas em 26 de julho que colamos á íntegra do blogue da sua Rede de Apoio "De Volta Para Loureda":

1. Nem da resistência galega, nem da basca, nem da anarquista e nem tam sequer da islamista… A imensa maioria das bombas inutilizadas cada ano polos diversos corpos de desactivaçom de explosivos do Estado procedem da macabra sementeira efectuada polo fascismo espanhol desde 1936. Só em 2009 os TEDAX dos Mossos desactivárom mais de 1.6000 artefactos no Principado, entre eles bombas de 100 kg; em Uvieu encontram uns 60 ao ano; em 2012 os TEDAX topárom-se com 243 em Múrcia, e os GEDEX umha média de três ao mês só em Jaén e Granada. É o ‘terrorismo’ franquista tornado paisagem.

A organizaçom fantasma ataca pontos neurálgicos: colégios, universidades, estaçons de trem (Segorbe, 2005), aeroportos (Reus, 2012, umha bomba “legionária” de 100 kg), hospitais, túneis (Atocha-Chamartín), etc… A composiçom dos mesmos vai do TNT ao xofre branco. Umha das mais potentes encontrou-se em 2008 em Morata de Tajunha: 250 kg capazes de projectar metralha até um quilómetro e médio de distancia. E de empregarmos o estilo de certos jornalistas haveria que falar de “Bomba a la hora del cole” quando no passado Dezembro despejárom um colégio em Getafe. Ou de “Campaña de verano” quando em maio de 2009 aparecêrom na praia de Argue de Llançà 25 artefactos a tam só um metro da linha de costa, que também foi despejada. Em Setembro do mesmo ano umhas crianças brincavam no areal de Montalt quando encontrárom a enésima bomba da Guerra Civil. Dous anos depois um turista encontrou outra na praia de Ses Covetes.

Obviamente tal sementeira cobra vítimas. Vítimas dum franquismo com mecha retardada que nengumha AVT reconhecerá: em 2007 a de A.G.G. de 59 anos em Paterna, a de F.J.F.G. em Astúries em 2009… etc.

2. Mas em Espanha som incapazes de compreender o fenómeno. Só com um imaginário completamente colonizado pola “ameaça terrorista” e a sobredose de amnesia proporcionada pola Transiçom se podem escrever reportagens como a de José R. Villalba en Ideal.es. O jornalista conclui que desde a criaçom dos GEDEX “até agora, o seu labor foi impagável e pese à notável diminuiçom da actividade terrorista neste país, estes profissionais do GEDEX continuam a pé do canhom como se aqui vivêssemos ainda hoje umha situaçom como a Espanha de 1980”. Após reconhecer que “só em Espanha encontram-se umha média de 4.000 a 5.000 explosivos da Guerra Civil cada ano”, que “polo geral costumam ter a carga activa em 99% dos casos”.Já nom é que, como ironizavam num excelente artigo de Diagonal, pensem que Yasser Arafat vestia o pano palestiniano em solidariedade com a ‘kale borroka’, é que crem que o bombardeio de Gernika foi obra de ETA.

3. No passado 21 de maio –só uns dias depois de que a Delegado do Governo Espanhol em Catalunha apoiasse umha homenagem aos membros da ‘División Azul’ que combatérom junto com o exército nazi- o PP, UPN e Foro Asturias impedem que o Congresso declare o 18 de Julho “Dia da condena do franquismo”. Nesses mesmos dias o terrorismo machista entrava numha das vagas de mortes grande dos últimos anos. O Governo resiste-se a condená-lo, e quando o fai, dias depois, veta expressons como “violência machista” e “assassinato de mulheres”. Há só umhas semanas o Parlamento Basco apoia a família de Yolanda González, jovem seqüestrada e assassinada em 1980 polo Batallón Vasco Español. Todos? Nom. Faltam UPyD e PP.

Em Argentina, o processo judicial aberto contra o franquismo denuncia pressons do Governo espanhol para paralisá-lo. Um dos imputados polos crimes da ditadura é o sogro do ministro de justiça, Ruíz Gallardón, quem, por certo, derrogou a lei que retirava os títulos nobiliários do franquismo.

4. Entre tanto o Comité para a Prevençom da Tortura do Conselho de Europa visita Espanha e emite o enésimo informe denunciando as supervivências franquistas na ‘democracia espanhola’: calabouços inumanos, amparo institucional da tortura, violaçom de umha pressa política em 2011… Quando a Mariano Rajoy lhe perguntam no Senado se pensa cumprir as tarefas que Europa lhe pom na matéria responde que nom pode impor-lhe aos juízes a prática das salvaguardas anti-tortura, por respeito à independência judicial. (Dolores Becerril, ‘Defensora del Pueblo’, aconselha-nos que sejamos compreensivos, pois há “falta de orçamento” para previr a tortura). O editorial do diário Gara responde-lhe a Rajoy: “O último ranking mundial elaborado por World Economic Forum a partir de umha série de medidores objectivo situa o Estado espanhol no posto 56, justo por trás de Brunéi e Hungria e por diante de Nigéria e Sri Lanka. Que Madrid evoque esta independência judicial para evitar respeitar os direitos humanos di-o todo”.

5. Os titulares das capas dos principais jornais espanhóis em 8 de Junho também o dim todo: “El Gobierno blinda su política con una mayoría fiel en el Constitucional” (El País), “El Gobierno apuntala la firmeza del TC ante el independentismo” (El Mundo), “Un TC de mayoría conservadora responderá al desafío soberanista” (La Razón). Isto é o direito como continuaçom da política e da guerra por outros meios.

6. Passado fevereiro. Pleno municipal no Concelho de Ordes. Realiza-se num prédio situado na avenida que leva o nome de Alfonso Senra, alto cargo da repressom franquista –em concreto dos mais importantes responsáveis da República- que se deixava ver por Madrid em companhia do chefe das SS em Espanha. O PP fica quase sozinho e nom logra sacar adiante a sua proposta de declaraçom institucional de condena ao “terrorismo independentista”. Som os mesmos que cada ano, junto com o exército espanhol, realizam umha macabra homenagem a um “caído do franquismo” no cemitério municipal. Num mausoleu erigido justo encima de onde os vizinhos mais velhos dim que há umha enorme fossa comum de republicanos assassinados.

Em Ordes, por certo, há umha vítima recente do terrorismo. Um vizinho de Ardemil que morreu há só uns anos pola explosom dumha bomba. Umha bomba do franquismo.

Carlos C. Varela. Topas, 29 de Junho de 2013.


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