30 ago. 2012

""Anarquismo, patria e nacionalidade"" Mikhail Bakunin

Recebemos no nosso correio umha proposta de publicaçom do escrito de Bakunin sobre as suas reflexions em torno a Pátria e Nacionalidade, quem enviou a proposta achegou-nos umha versom em castelã, mas traduzimo-la e agora vos apresentamos estoutra versom em galego:

O Estado nom é a pátria; é a abstraçom, a ficçom metafísica, mística, política e jurídica da pátria. As massas populares de todos os países amam, profundamente, a sua pátria, mas este amor é natural, real. O patriotismo do povo nom é só umha ideia, é um feito; pero o patriotismo político, o amor ao Estado, no é a expressom fidel deste feito: é umha expressom distorsionada por médio dumha falsa abstraçom, sempre em benefício dumha minoria exploradora.

A pátria e a nacionalidade som, como a individualidade, feitos naturais e sociais, fisiológicos e históricos ao mesmo tempo; nengum deles é um princípio. Só pode considerar-se como um princípio humano aquilo que é universal e comum a todas as pessoas; a nacionalidade separa a estas, por quanto, nom é um princípio. Um princípio é o respeito que cada quem deve ter polos feitos naturais, reais ou sociais. A nacionalidade, como a individualidade, é um dissos feitos ; e por elo devemos respeita-la. Viola-la seria cometer um crime; e, falando a linguagem de Mazzini, convirte-se num princípio sagrado cada vez que é ameaçada e violada. Por isso sinto-me sempre e sinceiramente o patriota de todas as pátrias oprimidas.

A esência da nacionalidade.

Umha pátria representa o direito inquestonável e sagrado de cada pessoa, de cada grupo humano, asociaçom, comuna, regiom e naçom a viver, sentir, pensar, desejar e actuar ao seu jeito; e esta maneira de viver e de sentir é sempre o resultado indiscutível dum longo desenvolvimento histórico.

Por tanto, inclinamo-nos ante a tradiçom e a história; ou, mais bem, reconhecemo-las, e nom porque se nos apresentem como barreiras abstractas levantadas metafísica, jurídica e políticamente por intérpretes instruidos e professores do passado, senom só porque se incorporarom de feito à carne e ao sangue, aos pensamentos reais e à vontade das povoaçons. Dije-nos que tal ou qual regiom - o cantom de Tesino [na Suiça], por ejemplo - pertence evidentemente à família italiana: a sua linguagem, as suas costumes e as suas restantes características som idénticas aos da povoaçom de Lombardia e, em consequência, deveria passar a formar parte do Estado italiano unificado.

Cremos que se trata dumha conclusom radicalmente falsa. Se existira realmente umha identidade substancial entre o cantom de Tesino e Lombardia, nom há dúvida algumha de que Tesino uniria-se de jeito espontáneo a Lombardia. Se nom é tal, se nom sinte o mais leve desejo de faze-lo, ilo demonstra simplesmente que a História real - a vigente de geraçom em geraçom na vida real do povo do cantom de Tesino, e responsável da sua disposiçom contrária à uniom com Lombardia - é algo completamente distinto da história escrita nos livros. Doutra banda, cabe sinalar que a história real das pessoas e dos povos nom só procede polo desenvolvimento positivo, senom a míudo pola negaçom do passado e pola rebeliom contra del; e que este é o direito da vida, o inalienável direito da presente geraçomn, o garante da sua liberdade.

A nacionalidade e a solidariedade universal.

Nom há nada mais absurdo e ao mesmo tempo mais danino e mortífero para o povo que erigir o princípio fictício da nacionalidade como ideal de todas as aspiraçons populares. O nacionalismo nom é um princípio humano universal. É um feito histórico e local que, como todos os feitos reais e inofensivos, tem direito a exiger geral aceptaçom. Cada povo e até a mais pequena unidade étnica ou tradiçonal tem o seu próprio carácter, o seu específico modo de existência, a sua própria maneira de falar, de sentir, de pensar e de actuar; e esta idiosincrásia constitue a esência da nacionalidade, resultado de toda a vida histórica e suma total das condiçons vitais desse povo.

Cada povo, como cada pessoa, é involuntariamente o que é, e por isso tem um direito a ser él mesmo. Nisso consistem os chamados direitos nacionais. Pero se um povo ou umha pessoa existe de feito dumha forma determinada, nom se da por feito que um ou outra tenham direito a elevar a nacionalidade, num caso, e a individualidade noutro como princípios específicos, nem que devam passar-se a vida discutindo sobre a questom. Pola contra, quanto menos pensem em si mesmas e mais imbuidas estejam de valores humanos universais, mais se vitalizam e carregam de sentido tanto a nacionalidade como a individualidade.

A responsabilidade histórica de toda naçom.

A dignidade de toda naçom, como a de toda pessoa, deve consistir fundamentalmente em que cada quem aceite a plena responsabilidade dos seus atos, sem tratar de desplaza-la a outras. Nom som moi estúpidas tudas essas lamentaçons dum moçalhom queixándo-se com lágrimas nos seus olhos de que alguém corrumpiu-no e pujo-lhe no mal caminho? E o que é impróprio no caso dum mocetom está certamente fora de lugar no caso dumha naçom, cuio mesmo sentimento de auto-estima deveria excluir qualquer intento de carregar a outros com a culpa dos seus próprios erros.

Patriotismo e justiza universal.

Cada umha de nos deveria elevar-se sobre esse patriotismo estreito e mezquinho para o qual o próprio pais é o centro do mundo, e que considera grande a umha naçom quando fai-se temer polas sua vizinhança. Deveriamos situar a justiza humana universal sobre todos os intereses nacionais. E abandonar dumha vez por todas o falso princípio da nacionalidade, inventado recém polos déspotas da França, Prússia e Rússia para aplastar o soberano princípio da liberdade. A nacionalidade nom é um princípio; é um feito legitimado, como a individualidade. Cada naçom, grande ou pequena, tem o indiscutível direito a ser ela mesma, a viver concorde à sua própria natureza. Este direito é simplesmente o corolário do princípio geral de liberdade.

Toda pessoa que deseje sinceiramente a paz e a justiza internacional deveria renunciar dumha vez e para sempre ao que se denomina, a glória, o poder e a grandeza da pátria, a tudos os intereses egoistas e vãos do patriotismo.

Traduzida por Edu

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