7 jul. 2014

[Brasil - São Paulo] "Chega de assassinatos e agressons fascistas!" folheto do Movimento Anarco-Punk (MAP-SP).

Facilitanos a ANA este panfleto repartido em 1º de julho durante um acto público de repúdio contra a actuaçom homófoba e racista dos nazi-fascistas e co galho do juízo a três skinetes fascistas por tentar matar quatro pessoas durante um acto antifascista em 2011. Os skins foram condenados na passada quinta-feira (3 de julho) em júri popular a penas de entre 16 a 21 anos de prisom.

Chega de assassinatos e agressons fascistas!

Em 26 de fevereiro de 2011, o Movimento Anarco Punk de São Paulo sofreu um ataque de skinheads nazi-fascistas enquanto realizava umha atividade cultural anti-fascista. Esta era parte do ciclo de actividades “Jornadas Anti-Fascistas”, realizado anualmente desde a morte de Edson Neris, assassinado em 2000 por dezenas de Carecas do ABC por ser homossexual.

Neste dia, companheiros foram agredidos com facadas no braço e cabeça e outra pessoa com problemas de mobilidade nas pernas foi duramente agredida nas imediaçons do local. Em um grupo grande, os indivíduos nazistas portavam machadinhas, soco inglês, espingarda de chumbinho e facas (1), sendo umha delas com símbolos nazistas em seu cabo.

Infelizmente este nom é um caso isolado: agressons e assassinatos de pessoas negras, homossexuais, lésbicas, trans, migrantes, imigrantes, moradoras de rua, mulheres, e todas que nom se encaixam no padrom branco hetero-patriarcal das elites ocorrem cotidianamente. Som dezenas os grupos nazi-fascistas actuantes na cidade. Alguns casos chegam à grande mídia ou às redes sociais, mas em sua maior parte sequer chegam à público, sendo lembrados apenas pelas cicatrizes e memórias da víctima sobrevivente. Em todas as situaçones, o desleixo do Estado é evidente. E em sua maioria, nunca som qualificados como o que realmente som: casos de racismo, xenofobia, homofobia, lesbofobia, transfobia, machismo.

A estes grupos, que na realidade som apenas a ponta mais visível de um enorme iceberg, soma-se os incontáveis casos cotidianos de discriminaçom racial, de orientaçom sexual, de gênero, etc., legitimados por umha sociedade que está fundada nas heranças da escravitude negra, na imposiçom da heterossexualidade como norma aceitável, no patriarcado e na manutençom dos privilégios de umha minoria.

Assim, ao desleixo do Estado em relaçom às acçons destes grupos de extrema-direita que actuam violentamente na cidade, soma-se ainda a invisibilidade total dos outros inúmeros casos de racismo e homofobia em estabelecimentos comerciais, escolas, instituiçons e locais de trabalho, o preconceito velado presente nas mais diversas formas em discursos, imprensa, comerciais, publicaçons, política institucional, “piadas”, etc., a conivência completa do Estado com o genocídio da populaçom negra que ocorre nas periferias por parte da polícia, as políticas cada vez mais duras de criminalizaçom dos movimentos e lutas sociais, retirando de nós o direito à manifestaçom e organizaçom, a falta de acesso à cidade por parte da grande maioria da populaçom, as políticas de higienizaçom social que cada vez mais empurram nosso povo para longe sem direito à umha vida digna.

Há todo um quadro social que permite e legitima a opressom a nós, que nom fazemos parte da parcela privilegiada da sociedade. E assim, o descaso e omissom do Estado é o mesmo, seja quando ocorre um caso de racismo em ambiente de trabalho, seja quando ocorre um caso de assassinato protagonizado por grupos de extrema-direita, seja quando a polícia assassina um jovem negro na periferia.

Nos dias 1, 2, 3 e 4 de julho, ocorrerá o julgamento de parte dos responsáveis pela tentativa de assassinato de nossos companheiros em 2011. Nom acreditamos na justiça burguesa, na repressom policial ou no sistema carcerário como soluçom para estas questons, porém, chamamos este acto público em frente ao Fórum como forma de repúdio a esta e todas as outras agressons que sofremos cotidianamente, mostrando umha vez mais que nom esquecemos o sangue derramado! Esta é umha denúncia nom só da acçom violenta de grupos de skinheads fascistas, que devem ser combatidos, mas umha denúncia das políticas de Estado, e de umha sociedade fundada no privilégio de poucos.

É necessário que sigamos nos organizando, enquanto povo pobre, negro, periférico, enquanto indigenas, quilombolas e povos da terra. Enquanto mulheres, gays, lésbicas e trans.

Seguimos juntas nessa jornada!
Pelo fim da opressom dos privilegiados, pelo fim dos privilégios!
Chega de assassinatos e agressons fascistas! Chega de extermínio nas periferias!

Movimento Anarcopunk de São Paulo – MAP/SP


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Nota de Abordaxe.- (1) O soco inglês é conhecido também como punho americano, a espingarda de chumbinho vem sendo umha escopeta de ar comprimido de balotes.

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