17 jul. 2014

[Bolívia] A Hipocrisia de Evo e a sua lei da "Pachamama"

Rula estes dias pela rede umha notícia populista segundo a qual o Evo Morales é o máximo defensor da Terra depois de criar umha nova lei que amplifica a que aprovara há dois anos e que considera a "Pachamama", a "Mãe Terra”, um sistema vivente com direitos, como se fosse umha pessoa, entre eles o direito à vida, à diversidade, à água, ao ar limpo, ao equilíbrio, à restauraçom e a viver livre de contaminaçom. Agora e suspeitosamente a só uns meses das eleiçons presidencias de 12 de outubro, vem de criar a figura da Defensoria da Mãe Terra, a qual tem a obriga de proteger os direitos da Terra, embora todas as autoridades do Estado devam fazê-lo; ou seja nada novo baixo o sol boliviano.

Mesmo a lei nom esclarece quando começará a funcionar essa Defensoria; pero ecologistas de salom e "podemistas" já defundirom pola rede esta "fantástica iniciativa" tildando ao Evo de pouco menos que o heroe mundial na defessa da Terra e voltam a destacar o feito de que se opusera abertamente aos acordos tomados durante a cimeira climática das Naçons Unidas em dezembro de 2010, pois considerou que nom eram contundentes para frear os danos da mudança climática.

Entre os destaques desta lei, figura que estabelece que as “terras da Naçom serám dotadas, distribuídas e redistribuídas de maneira equitativa com prioridade para as mulheres, povos indígenas originários, camponeses, comunidades interculturais e afro-bolivianas que nom as possuam". E propom-se a eliminaçom da concentraçom da propriedade da terra ou latifúndio e outros componentes da Mãe Terra em mãos de proprietários agrários.


Mas, o que nom contam estes ecologistas, é que há menos de um mês indígenas bolivianos denunciaram atropelos do Governo de Evo Morales contra as suas terras durante umha reuniom paralela ao G77+China que se realizou em Bolívia, e donde se manifestaram junto a indígenas amazónicos de vários paises em demanda, que curioso, de respeito á Mãe Terra e os seus Direitos, além de denunciar que o governo de Evo os criminaliza para impedir os seus protestos em contra de projectos que afectam as suas vidas e terras, como no caso da construçom dumha auto-estrada que acabaria com o TIPNIS (Território Indígena e Parque Nacional Isiboro-Secure), razom pola que as compas anarquistas Nina Mansilla e Henry Zegarrundo foram presas.

A nova lei da hipocrisia também estabelece a regulaçom e o controle da “estrangeirizaçom na propriedade”, bem como o acesso e aproveitamento dos componentes da Mãe Terra, e considera que as actividades econômicas como a mineira e a petroleira devem ser contempladas nessa lei. Dito assim sem mais soa moi bem, e se lhe engades ainda ameaças do tipo: "aqueles que causarem danos de forma accidental ou premeditada à Mãe Terra ou a seus “sistemas de vida” devem garantir a reabilitaçom das áreas, sem deixar de se submeter a outras responsabilidades legais" e além declaras que "os delitos relacionados com a Mãe Terra som “imprescritíveis”, e nom lhes será aplicado a eles o benefício da suspensom condicional da pena e que os reincidentes terám sançons mais graves", pois como que "fetém tio guai". Isso sim nom di nada de proibir minerias nem extraçons petrolíferas, só fala de regula-las, algo que, sem ir mais longe, também esta regulado acá ao igual que estám penalizadas as actividades daninas. Vamos que nom aporta nengumha salvagarda especial á Pachamama. Já publicaramos em Abordaxe a opiniom de Julieta Ojeada do colectivo "Mujeres Creando" no que dizia que: "Ficou evidente para nós que Evo nom vai ser um homem que respeita a natureza, quer dizer, que respeita a “Pachamama”, como tinha proposto em seu discurso. Seu governo tem um projecto desenvolvimentista, um mau projecto desenvolvimentista". É como dizer que as criançinhas palestinas tenhem direitos reconhecidos internacionalmente, mas isso nom assegura que os disparos de assassinos israelitas se leva a vida de mais de 45 nenos e nenas em só uns dias.

A verdade é que Evo Morales é um hipócrita defessor da Mãe Terra nos foros internacionais e mesmo algumhas das suas iniciativas forom acolhidas pola ONU, pero no seu pais afronta questonamentos de grupos de indígenas amazónicos e andinos que se distanciarom do seu governo e falam de total falha de coerência com os seus discursos na ONU. A este respeito vos recomendo a leitura deste artículo (em castelám) de Patricia Alandia titulado "Debatiendo con la abuela", no que fai umha analise do governo de Evo Morales e a sua actitude para com os povos indígenas, e donde di que "o “mandar obedecendo ao povo” convirtiu-se no “queiram ou nom queiram”, no “sí ou sí” e a violência verbal agora é marca de prepotência e autoritarismo.

Redactado por Tancredo Tantonto para Abordaxe.
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Nota de Abordaxe.- Indicar que para fazer mais entendível a excelente crónica de Patricia Alandia, quando ao princípio fala de Doria Medina, refere-se ao político, empresario, ex ministro e várias veces candidato presidencial pola socialdemócrata "Frente de Unidad Nacional", e quando ao final menta a Fernando Vargas refire-se ao dirigente do Territorio Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS), quem foi proclamado como candidato á presidência polo Partido Verde.

Mais informaçom em Abordaxe sobre Evo e a repressom contra o TIPNIS por ordem cronológico:

- 1/6/2012 Ofensiva repressiva contra anarquistas!! (Outro caso bombas??)

- 5/3/2013 Outra montagem contra anarquistas na terra de Evo Morales

- 20/3/2013 Poesia de Henry, preso anarquista na Bolívia de Evo

- 7/5/2013 Fanzine e Calendário em Solidariedade com Henry Zegarrundo, agora em arresto domiciliário

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