27 jun. 2014

Proposta de mobilização a nível internacional para o dia 28 de Junho com o lema: A luta social não é um delito, frente à repressão, solidariedade!!!

Colamos esta convocatoria de Stop Represión Granada:

A repressão do Estado espanhol às lutas sociais chegou a níveis próprios de regimes autoritários. Por isso, a colaboração e organização entre tod@s e a demonstração de solidariedade são mais necessárias que nunca.

No estado espanhol, durante os últimos anos, a repressão aos movimentos sociais passou de multar as pessoas por participar em protestos sociais, a meter-las em prisão pelo mesmo motivo. Tudo num contexto de precariedade e recortes para a população, e umas reformas legislativas do governo orientadas a terminar com a luta social (a lei de Segurança Cidadã, a reforma do Código Penal, a Lei de taxas Judiciais, etc.).

E não o podemos permitir.

Fazemos uma chamada para que saiamos em todas as cidades no dia 28 de Junho em protesto contra esta situação de repressão e injustiça. Em muitas cidades estamo-nos a organizar para responder a esta situação de forma pontual, mas agora mais que nunca é imprescindível que nos juntemos nesta luta, porque a repressão é comum a todos e também será a nossa frente. Unamos nosso caso particular aos demais para que sejamos mais fortes esse dia.

Em Granada são Carlos e Carmen quem entrarão em prisão por participar num piquete informativo do 15 de Maio; na Galiza, Ana e Tamara ou Serafim e Carlos encontram-se na mesma situação; igualmente Koldo em La Rioja e muitas outras pessoas nos vários territórios do Estado. E não nos esqueçamos dos companheiros que estão em prisão preventiva, sem ter sido julgados, como Miguel e Isma em Madrid, ou Sergi em Barcelona (recentemente preso na sequência dos protestos de Barcelona contra o despejo de Can Vies). Por todas estas pessoas, saiamos esse dia.

A nível internacional, convocamo-vos para a mobilização em frente às embaixadas e consulados espanhóis, para que se oiça em todos os sítios a nossa repulsa contra a repressão do Estado espanhol aos movimentos sociais.

No grupo Stop Represión Granada, elaborámos já um manifesto e um cartaz para não vos sobrecarregarmos com trabalho e para que tudo seja mais rápido e eficaz (manifesto que colamos a continuação). Se bem que, claro, em cada local são livres de decidir o que levar.

Para saber que cidades apoiam, pedimos que enviem ao correio do grupo - stoprepresion.acampadagranada@gmail.com - uma mensagem com o assunto “APOYO MOVILIZACIÓN 28 J”, para que possamos elaborar um documento com todas as cidades que apoiam e poder ir atualizando-o. (No cartaz seguinte poden-se ver as cidades onde hai convocatorias confirmadas ata agora)


MANIFESTO

A REPRESSÃO NAO PODERÁ PARAR A NOSSA VONTADE DE LUTAR!

A LUTA SOCIAL NÃO É UM DELITO

CONTRA A REPRESSÃO, SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL!!!

PEL@S NOSS@S COMPANHEIR@S DETID@S, ACUSAD@S E APRISIONAD@S.


Tod@s sabemos que estamos num momento de crise, se bem que muit@s de nós já o estávamos antes - que não se esqueça que a igualdade entre classes nunca foi real.

Desde que nos começaram a bombardear com o mal que está a situação económica nunca mais deixámos de sofrer a brutal aplicação da sua saída da crise, que é acabar com os direitos sociais conquistados nas ultimas décadas. Em todo o mundo, os poderes políticos e económicos implantaram medidas de recortes para restaurar os seus benefícios, porque tinham descido “alarmantemente” para eles. Ao povo, impuseram-nos a precariedade como forma de vida, enquanto que eles continuam a viver, como sempre, por cima das nossas possibilidades.

Frente a todas estas políticas de precariedade para nós e benefícios para eles (os governos, as grandes empresas e os banqueiros) saímos à rua a lutar pelo que é nosso e, recordemos, ninguém nos deu de mão beijada. Protestámos por cada desalojamento, por cada recorte na Saúde e Educação, por cada despedimento, por cada usurpação do nosso direito a decidir, por cada ataque nos nossos bairros, em suma, lutámos contra cada ataque do sistema capitalista nas suas diversas formas. Entretanto, os políticos e banqueiros corruptos guardaram o seu dinheiro roubado em paraísos fiscais, desprezaram as mobilizações sociais e rotularam-nos de criminosos. Os que nos roubam, nos mentem e nos humilham são os mesmos que nos criminalizam e nos reprimem a golpes de lei ou a golpes de cacete.

Já tudo está claro para nós, não há duvida. Nos últimos meses, ficou clara a estratégia dos governos de todo o mundo contra as mobilizações e protestos sociais. Não só as querem calar, senão que também as querem remover com dor. No estado espanhol, primeiro impuseram-nos uma Lei de Taxas judiciais para reservar, ainda mais, a justiça para eles. Logo, iniciaram a reforma do Código Penal para aumentar os anos de prisão em delitos de ordem pública e de atentado contra a autoridade, para que ninguém escape à impunidade e arbitrariedade policial, nem da prisão. Depois, lançaram um anteprojeto de Lei de Segurança Cidadã dizendo-nos que, pelo nosso bem, se tinha que regular o uso dos espaços públicos e das manifestações, porque a rua é de tod@s. Agora, inclusive criminalizam a liberdade de expressão também nas redes sociais. Todas estas reformas estão encaminhadas não só a calar os protestos, senão também a invisibilizar a dura repressão que exercem contra a população, a endurecer as penas e a aumentar a indefensibilidade legal das pessoas.

Contra todas estas injustiças lutaram @s noss@s companheir@s que hoje se encontram na prisão, a ponto de entrar nela ou com procedimentos penais abertos. Nos últimos anos, um grande numero de militantes sociais e políticos de todo o estado foram vitimas de represálias pela sua participação em protestos sociais, e não nos esquecemos del@s. Não nos esquecemos das dezenas de companheir@s a ponto de entrar na prisão por participar numa greve (Carlos e Carmen (Granada), Ana e Tamara (Pontevedra), Koldo (La Rioja), os 8 de Airbus, etc.), nem nos esquecemos das centenas de detidos durante manifestações ou dos companheiros que passaram e estão passando meses em prisão preventiva (Alfon, depois da Greve Geral de 14.11.2012; Miguel e Isma, depois das Marchas de 22 de Maio; Sergi, depois dos protestos contra o despejo de Can Vies, etc.). Não podemos nomeal@s a tod@s. Assistimos atónitos a uma criminalização do protesto e da luta social própria de um regime autoritário e sem precedente algum nestes anos do que chamam democracia. Porque nós não o chamamos assim. Sabemos que não vivemos em liberdade e que não podemos expressar as nossas opiniões e desconformidades. Sabemos que não nos podemos reunir ou manifestar com total liberdade, e que o menor passo em direção a levantar a voz, sair à rua, defender os nossos bairros ou fazer piquetes durante as jornadas de greve é reprimido.

Recusamos que nos separem entre manifestantes bons e maus, não há vândalos infiltrados entre nós, mas sim gente com muita raiva contida, pessoas fartas de ser oprimidas e fartas de ver como se beneficiam e repartem o bolo os mesmos de sempre. Que não nos confundam, porque mantermo-nos unid@s está nas nossas mãos. Enquanto @s noss@s companheir@s esperam os seus julgamentos, as suas sentenças, os seus recursos ou perdões por ter cometido supostamente delitos de atentado à autoridade, atentado contra o direito dos trabalhadores, desobediência e desordem publica, e não sabemos quantas falácias mais do sistema legislativo e judicial que nos impõe, os políticos governantes e os banqueiros, os grandes donos do estado e do capital, continuam a cobrar ordenados em envelopes, continuam a receber perdões, continuam com as suas contas na Suíça e, claro, continuam a dormir tranquilos.

Mas não por muito tempo. Nós decidimos deixar de ter medo. Decidimos responder a cada ataque, a cada companheir@ privad@ de liberdade, a cada pessoa detida, torturada e humilhada por não se calar e sair para a luta. Não esperamos supostos salvadores. O único que temos é a luta e a solidariedade, é o unico terreno que não nos ganharam, e que continue sendo assim. Ainda que o tratem de impedir, continuaremos a lutar pelos nossos direitos e para que tod@s desfrutemos de uma vida plena.

POR TOD@S @S QUE LUTAM E NÃO SE CALAM,
SAIMOS À RUA.

A LUTA É O ÚNICO CAMINHO!

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