20 may. 2014

[Porto Alegre, Brasil] Nasce a Cruz Negra Anarquista



Há dias deramos conta em Abordaxe do nascimento em Roma (ou mais bem renascimento) da Cruz Negra Anarquista (Coordinadora de grupos e individualidades que jurdira no fim do século XIX na Rússia co galho de, entroutras fazetas, prestar um apoio direto as/aos prisioneirxs anarquistas, juntar dinheiro para as famílias e para a propaganda anarquista e anti-carcerária). As compas italianas aclaravam que "nasce com o objectivo específico de converter-se em palestra de ideias com, como mínimo denominador comum, a centraliade da práctica destrutiva" (...) "que nunca deverá assumir o tom ou as formas do assistencialismo".

Agora som as compas do Brasil, em concreto de Porto Alegre, quem nos fam saber que esta CNA "surge dentro dumha maré agitada, donde som cada vez mais xs piratas que se dispõem a navegar no rumo da reapropriaçom de suas vidas e a assumir as possíveis consequências de estar em meio a esta tempestade". Colamos o texto da sua Apresentaçom:

“Assim expresso minha solidariedade. Com um passo firme que nom retrocede diante de nada e um sorriso grande como claro. Com um coraçom amoroso que se desnuda diante dx camarada. Com umha mam terna e a outra armada. Assim, expresso minha solidariedade ganhando em cada batalha umha soma de preciosa liberdade”. Gabriel Pombo Da Silva.




A Cruz Negra Anarquista (CNA) de Porto Alegre surge a partir das motivaçons e ânsias de um grupo de individualidades, que, a partir de suas próprias afinidades, passa a se reunir mais periodicamente no intuito de alimentar e fortalecer a solidariedade com xs companheirxs presxs e perseguidxs pelo poder, dentro do actual contexto que estamos vivendo, onde ao mesmo tempo em que a revolta e a insubmissom se afiam, a repressom engrossa. Partimos da ideia que é somente a partir de um fortalecimento das próprias relaçons que podemos atravessar as grades e expandir a nossa solidariedade e força as/aos guerreirxs presxs. Com a chegada do ano de 2014 vemos como se intensificam os projectos de expansom do Capital que encontram na Copa do Mundo um momento de auge, as justificativas para acelerarem todo tipo de violaçom e destruiçom da vida, percebemos também a força constructiva que surge a partir da explosom de revolta que começou em junho do ano passado. Dentro desta maré agitada som cada vez mais xs piratas que se dispõem a navegar no rumo da reapropriaçom de suas vidas e a assumir as possíveis consequências de estar em meio a esta tempestade.

A Cruz Negra Anarquista nasce no fim do século XIX na Rússia, em meio a um momento de intensa luta e agitaçom, com o intuito de prestar um apoio direto as/aos prisioneirxs anarquistas, juntar dinheiro para as famílias e para a propaganda anarquista e anti-carcerária. Ao longo do século renasce em diferentes partes e momentos, sempre mantendo esse caráter, mas nunca se tratando de umha organizaçom, mas sim de umha coordenaçom de diferentes e multiformes grupos e individualidades. Quando decidimos por utilizar este nome é por nos encontrarmos e identificarmos nesta história, dando continuidade e mantendo esta luta viva. Como colectivo buscamos fortalecer as redes de comunicaçons com xs presxs, dentro do território controlado pelo estado brasileiro e fora dele; também sentimos a vital importância de gerar e propagar umha cultura de memória, onde nengumha/um guerreirx jamais seja esquecido, que nengum golpe do poder passe em branco, que xs presxs nom se sintam sós e xs mortxs sejam sempre lembradxs.

Hoje nos sentimos a continuaçom de umha luta ancestral, que neste território se levanta a 514 anos contra a ordem imposta e que seguirá enfrentando esta lógica carcerária enquanto ela se perpetue. Vemos a luta contra as prisons como o seguimento da luta pela Terra em si, contra as fronteiras e pela recuperaçom das nossas vidas. Se bem sabemos que nom existe nada mais anti-natural que trancar corpos em espaços delimitados, enclausuradxs pela manutençom da “paz democratica”; nom esquecemos que a prisom nom é nada mais que umha extensom da sociedade na qual vivemos, onde a terra se voltou objecto de disputa do agro-negócio e da exploraçom do mercado energético, onde o que chamam de Vida acabou se reduzindo a processos meramente mecânicos e repetitivos de relaçons sociais fomentadas por interesses e alimentadas pela hipocrisia diária. Assim, lutar contra as prisons é sobretudo, lutar pelas nossas Vidas e a dxs nossxs afins, é decidir alimentar nosso sangue no olho e apagar o medo que o poder quer nos fazer incorporar diariamente, e, com o punho fechado a/ao inimigx e a mam estendida a/ao companheirx, criar novas formas de rebeldia nutrindo-nos das lutas presentes e passadas...

É assim que pretendemos expandir o propósito da CNA, vendo nela umha iniciativa, um convite para refletir sobre as estratégias e práticas, afiando nossas ideias, com a ânsia de intensificar, dinamizar e diversificar ao máximo os ataques contra o sistema carcerário, dentro e fora das prisons. Criar laços, multiplicar a propaganda, contribuir a que surjam mais actividades, conversar para expandirmos nossas ideias, encarando nossas vidas como trincheiras andantes em caminhos de umha busca incansável por viver a anarquia.

Saúde, solidariedade e tormenta!

Mais info: http://cnapoa.noblogs.org

Contacto: cnapoa@riseup.net

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