24 abr. 2014

Campanha de grupos libertários contra as eleiçons europeias

Desde a Assembleia de Colectivos Libertários Europeus (ACLE), formada recém por activistas do Estado espanhol, França, Grécia, Itália e Portugal, chega-nos este convite (via ANA) a participar na difusom deste comunicado que surge da reflexom colectiva em torno do circo eleitoral do próximo 25 de maio.

Se sentires identificados, pedimos que nos comunique através deste correio (acle@casmadrid.org) antes de 10 de maio próximo, para umha difusom geral nos dias anteriores às eleiçons. Em 12 de maio comunicaremos a lista definitiva de adesons.

Esta mensagem está sendo enviada a diferentes colectivos de sensibilidade libertária de Portugal, Grécia, França, Estado Espanhol e Itália.

Contra o rapto da Europa

A globalizaçom supom umha transformaçom radical das necessidades do capitalismo, que transfere o aparato productivo a países em que os benefícios som muito maiores em funçom do grau de exploraçom quase escravista que aplica. Por outro lado, a selvagem financeirizaçom da economia tem transformado a dívida e sua culpabilidade no verdadeiro motor da acumulaçom capitalista e no dispositivo de governo e opressom. Durante as últimas décadas, a classe trabalhadora europeia tem vivido imersa em um processo de perda da identidade de classe, dirigida até um espaço imaginário de “classe média”, o que lhe tem permitido acesso a níveis de consumo e serviços (saúde, educaçom...) impensáveis anos atrás, tudo isso a custa da exploraçom secular dos países do terceiro mundo e do sector mais precarizado da própria classe trabalhadora.

Neste contexto, a Europa caminha até o desmantelamento e privatizaçom dos sistemas de proteçom social, a queda brutal dos salários, o incremento incessante das massas de desempregados e excluídos, enquanto a desigualdade dispara de forma mais pronunciada nos países do leste e sul europeu.

Neste novo processo de recomposiçom e de acumulaçom do capital, o político ocupa um lugar totalmente subordinado ao econômico. O Estado, que sempre supôs um elemento fundamental na dominaçom, agora desempenha essa mesma funçom sob as ordens diretas das multinacionais.

Assistimos a umha crise estrutural do capitalismo que se traduz na introduçom de novos e mais poderosos sistemas de dominaçom e exploraçom, ao que se soma ignorar as crises do meio ambiente e energética, o que já pressupom graves riscos à humanidade.

Necessitamos umha mudança profunda

É necessário analisar a extinçom das formas clássicas do proletariado industrial, a proliferaçom de inumeráveis formas de subemprego e precariedade que corroem ainda mais os salários e contribuem para disciplinar aos que ainda os conservam.

Nom há que confiar em um sistema em que, governe quem governe, tudo continua igual e nom pode mudar a partir de dentro, porque o verdadeiro inimigo dos trabalhadores e excluídos som as próprias instituiçons do Estado capitalista, e o que representam:

• Legitimam a desigualdade e a exploraçom: nom se questiona em mãos de quem está a riqueza.

• Legitima um modelo de crescimento ilimitado, baseado no incremento constante da productividade, em um consumo desenfreado, que dissipa os recursos do planeta e que nom atende às necessidades básicas das pessoas, um modelo que eles chamam “crescimento”.

• Legitimam as hierarquias, esvaziando de conteúdo a participaçom política, ao limitá-la ao depósito periódico de umha papeleta na urna.

Nom só falha a “política”, falha o sistema

Ante o incremento do protesto e o mal estar, o sistema político-econômico necessita legitimar-se e para isso trata de enquadrar os conflitos dentro dos limites institucionais, mediante propostas despolitizadas e interclassistas, promovidas a partir da esquerda do capital que, ocultando em ocasions a existência da luta de classes, sempre aceitam a lógica do Estado, reforçando-o com a promessa de umha volta impossível ao “estado de bem estar”. Um estado que nunca deixou de ter um caráter capitalista e explorador.

Ante a esta situaçom...

Só cabem propostas radicais, que vam à raiz dos problemas. Buscamos um processo de apropriaçom colectiva das riquezas e da mudança do sistema productivo alternativo ao capitalismo e a exploraçom da natureza. Apostamos em umha economia autogestionada e sustentável que conduza ao bem estar social de todas as pessoas, garanta as necessidades básicas, defenda o apoio mútuo e a cooperaçom, e valorize os trabalhos orientados ao cuidado e manutençom da sociedade. Lutamos por umha sociedade equitativa e contra as desigualdades de gênero, de classe ou de raça, contra o patriarcado, o racismo e a discriminaçom por orientaçom sexual, utilizando mecanismos colectivos de resoluçom dos conflitos. Queremos umha sociedade aberta, que garanta o livre movimento de imigrantes e de sua participaçom em condiçons de igualdade. Esta é a única Europa que nos interessa.

O descontentamento deve ser um ponto de saída, nom pode supor a paralisaçom. Nada é possível sem esforço, nada essencial mudará sem acabar com o capitalismo, as oligarquias e sua acumulaçom de poder e dinheiro. O que somos capazes de construir será resultado de lutas, sacrifícios e da multiplicaçom de conflictos. O capitalismo nom é um sistema infinito, senom finito e superável.

Nós, activistas do Estado espanhol, França, Grécia, Itália e Portugal, fazemos um chamamento à colaboraçom com as populaçons dos países da periferia europeia, sem esquecer os sectores mais deprimidos dos países centrais, para trocar experiências autogestionárias, tecer redes de apoio mútuo e preparar estratégias de luta comum.

Ao mesmo tempo, chamamos ao boicote activo do circo eleitoral europeu, ao nom pagamento da dívida e à coordenaçom entre todos os movimentos alternativos de nossos países, para expandir a luta na rua.

Assembleia de Colectivos Libertários Europeus (ACLE)

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