12 mar. 2014

[Grécia] Marcha sob a chuva depois do suicídio de um trabalhador de Praktiker

Colamos esta informaçom facilitada por ANA, que á sua vez recolheu de VerbaVolant; se bem cumpre aclarar antes que Praktiker é um holding alemã de tendas de utensílios para o fogar e o jardim (do tipo “Fai-no tu mesmo”, como outras mais conhecidas por estes lares como Leroy Merlin ou BricoKing) e com forte presença em paises como Grécia, Hungria ou Polónia, onde centos de pequenos comércios de bairro da mesma categoria tiveram que fechar ao nom poder competir com este gigante que vende utilidades de qualidade muito duvidosa a preços baixos, e onde a maioria de seus empregados cobra o salário mínimo legal e som obrigados a trabalhar horas extras com contratos temporais e sem case direitos. Copiamos pois:

Em 3 de fevereiro de 2014, Stéfanos Valavanis, trabalhador de Praktiker no bairro ateniense de Egaleo, se suicidou na sua morada. Apenas dois dias antes de seu suicídio, a patronal da empresa o obrigaram a apresentar a sua “demissom voluntaria” para nom pagar-lhe nengumha indenizaçom por despido, a qual teria direito a receber legalmente se tivesse sido despedido.

Cerca de 200 pessoas se concentraram na praça principal do bairro de Egaleo e começaram a marchar ata a tenda Praktiker local. Pode ser que o tempo frio e chuvoso tenha inibido umha participaçom mais massiva, mas quem participaram na marcha tiveram umha atitude combativa na rua. A marcha esteve bem defendida e durante quase umha hora palavras de ordem ressoaram por todo o bairro. Seu caráter radical e subversivo rompeu o silêncio politicamente passivo e submisso da sociedade local. A marcha atravessou a avenida mais comercial do bairro, sendo “discretamente seguida” pela Polícia. Pouco antes de chegar à Praktiker, a presença de dois pelotons da chamada Polícia antidistúrbio se fixo menos discreta, já que se alinharam diante da tenda que já fechara seu enorme estacionamento subterrâneo e estirara umha cerca de arame grossa na sua entrada. Os manifestantes exigiram e conseguiram a retirada da chamada Polícia antidistúrbios da entrada e assim chegaram até as mesmas portas. O único negócio que estava aberto naquele momento era um supermercado, que se localiza no mesmo edifício que a Praktiker. Por outro lado, as portas interiores de Praktiker que dam acesso ao supermercado estavam fechadas. Os manifestantes ficaram por ali uns 20 minutos gritando palavras de ordem e distribuindo folhetos dentro e fora do edifício, fazendo pintadas e jogando tinta vermelha na fachada da loja. Logo todos marcharam até a estaçom de metrô mais próxima e à praça onde começara a marcha.

Muitos transeuntes expressaram seu apoio à manifestaçom, mas sem que este apoio chegasse a ultrapassar os limites da cultura da delegaçom política. Seja como for, o acto de “suicídio” leva umha carga emocional, sobretudo em um bairro operário como este. Também, durante a distribuiçom de panfletos informativos, houve um momento de tensom, o qual, no entanto, nom chegou à hostilidade. Foi evidente que a actitude de segurança expressada através de frases como “que se pode fazer?” ou através da atribuiçom da morte do trabalhador ao destino, converteu-se na reacçom mais comum das pessoas durante o protesto. As pessoas, especialmente dentro da Praktiker, estavam emocionadas e surpresas pelo protesto diante da entrada da tenda, mas sem que esta surpresa chegasse a converter-se em solidariedade com os manifestantes.

Segundo alguns dos participantes na okupa Sinialo que tomaram parte na marcha, a manifestaçom deixou um legado de determinaçom e organizaçom, minando o temor que pretendem semear os patrons de Praktiker e a Polícia, dado que ambos estimavam (consideravam) que a raiva de classe que sucedeu ao suicídio estava esgotada tras a suave retórica esquerdista sobre o tema e tras umha pequena concentraçom convocada pela internet na semana anterior.

Também deixam claro que nom vam permitir que o assassinato de Stéfanos Valavanis desapareça no esquecimento criado intencionalmente, e que vam trabalhar para criar umha infraestructura colectiva sustentável que possa frear a arbitrariedade da patronal em geral – e nom só a de Praktiker - a qual pretende degradar nossa vida, fazendo-nos acostumarmo-nos à morte.

Mais fotos da marcha aqui

 

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