20 feb. 2014

[Compostela] Crónica dum Boicote a Garzón na USC (11-02-2014)

Damos pulo a esta crónica dos feitos acaecidos na terça feira da semana passada, dia 11 de fevereiro, na USC, que nos foi enviada á nossa caixa de correios pelo seu autor D.S.A. donde nos dizia que no-la enviava: "por se queredes contribuir a dar-lhe difusom ao assunto publicando-o no vosso blogue" (...). "Ponho também a ligaçom do vídeo que publicárom em GalizaContrainfo, que é o melhor que saeu e umha fotografia".(1)

Assim pois, sim queremos contribuir e engadimos a foto enviada e mais o vídeo de GC ao que fai referência o compa:



CRÓNICA DUM BOICOTE A BALTASAR GARZÓN

A Universidade de Santiago de Compostela (USC) tinha previsto o passado 11 de fevereiro realizar duas conferências sobre democracia, direitos humanos e memórica histórica a cargo de Baltasar Garzón, principalmente. Os anos em que foi juiz instrutor da Audiência Nacional caraterizárom-se pola sua complicidade com a tortura sistemática que se aplica em Espanha a represaliadas políticas de toda condiçom e por ser o impulsor da ilegalizaçom de numerosas formaçons políticas, do peche de meios de comunicaçom contrários aos interesses da Oligarquia e da proibiçom de multitude de atos públicos reivindicativos. Por todo isso, era inaceptável a presência dessa personagem infame na nossa Universidade e decidimos fazer todo o posível para rebentar essas palestras.

A primeira era na Facultade de Ciências da Educaçom às 9.15. Alí estávamos, umhas trinta pessoas de distintas sensibilidades políticas (anarquistas, marxistas, independentistas...) dispersas entre o numeroso público, que se componhia num 95% por alunas obligadas a assistir polos seus professoras ( até se passou umha lista de assistência). Assim é como se garantiza o cheio absoluto! Garzón fijo apariçom e erguemo-nos imediatamente. Mostramos cartaces que ponhiam "Garzón torturador" e berramos forte consignas como "Baltasar Garzón, torturador" ou "Fóra fascistas da USC". A sua atitude desde o primeiro momento foi prepotente e provocadora. Mostrou um cínico sorriso e retou-nos a que algumha de nós subisse à mesa dos conferenciantes, colhesse o microfone e desse algum argumento na sua contra. Sem pensá-lo subim arriba, sentei ao seu carom, colhim o microfone e comecei a explicar-lhe ao público presente, cuja maioria só conhecia de Garzón o que sae nos meios burgueses de manipulaçom, o historial real desse indivíduo. Acabei dizendo que nom havia nada que debater nem dialogar com torturadores, que o mínimo que se merecia era todo o nosso desprezo e baixei de alí nom sem antes cuspir-lhe na cara mais umha vez o qualificativo de "fascista". Seguimos com os nossos berros mentres organizadores e conferenciantes seguiam teimando no seu intento de que calássemos e puidesse transcorrer com "normalidade" aquela infámia. Garzón repetia umha vez e umha outra que nom o íamos calar e que nom ia marchar de alí. O ambiente era realmente hostil para nós; à animadversom de conferenciantes e professoras somava-se a de boa parte do estudantado presente, embaucado com o conto da tolerância, o respeito e o diálogo (até com o Fascismo!) que desde pequenas nos inculcam desde os colégios e os meios burgueses. A nossa confrontaçom direta com Garzón negando-lhe a palavra, sem tolerância nem respeito que valesse, nom foi comprendida pola maioria de alunas alí presentes. Essa foi, sem dúvida, a nota mais negativa e como autocrítica há que dizer que falhou a comunicaçom com elas e isso é algo primordial que urge melhorar. Pouco despois, alguém empezou a deixar um microfone a algumhas alunas e professoras para que puidessem repetir a mesma cantinela de respeito e tolerância e assim intentar deixar-nos em evidência. Sem embargo, nós também aproveitamos para fazer uso desse microfone. Um companheiro, por exemplo, dijo que nom era certo que se impedisse a Garzón o direito a expressar-se, já que tem todos os meios de comunicaçom burgueses à sua disposiçom todo o tempo para dizer o que queira e também resaltou que é inadmisível que se habilite dinheiro e espaço público para colaborar no seu lavado de cara. Outro companheiro lembrou que ele mesmo tem um bisavô assassinado na Guerra Civil polos fascistas sem saber onde estám os seus restos e que nom ia consentir que Garzón e o resto de fascistas coma ele os utilizarem no seu benefício, que se alguém tinha que abrir as fossas e dar com os corpos seria o Povo loitando e nom os continuadores do regime franquista. Também aproveitou para pedir-lhe explicaçons polo seu papel na ilegalizaçom do PCE(r) e no encarcelamento de militantes dessa organizaçom política. Foi assim como nos tocou resistir, entre turnos de palavra com o microfone nalgúns momentos e noutros berrando, durante umha hora e 45 minutos mais ou menos para impedir que a conferência se puidesse celebrar, e conseguimo-lo! Os conferenciantes já nom o intentárom mais, marchárom e todas abandonárom a sala. Ganháramos a primeira batalha.

A segunda ia ser na Facultade de Geografia e História às 12.00. Até alí fomos. A gente amoreava-se nas imediaçons da aula na que estava prevista a segunda conferência. Seguia havendo detratoras da nossa posiçom (algumhas eram as mesmas das 9.15), mas incorporara-se a nós gente que nom estivera na primeira conferência, polo que a cousa esta vez estava um pouco mais equilibrada. Justo diante da única porta da aula atopavam-se uns cinco guardas de "seguridade", que só deixavam entrar a um número limitado de pessoas. No momento em que eu me disponhia a entrar na aula, um deles impujo o seu critério artibrário dizendo-me que nom podia passar com a mochila. Ele sabia que eu tinha nela um altofalante que já utilizara antes. Reprochei-lhe a discriminaçom e resignei-me a ficar fóra. Esta vez a maioria de nós ficáramos fóra. Desde alí tocou-nos alçar as nossas voces contra a presência do inquisidor. Um homem saiu da aula e dijo que a conferência fora suspendida e que Garzón nom ía aparecer. Nom nos fiamos e seguimos alí um pouco mais. Logo chegárom e entrárom, por um passo feito polos de "seguridade", alguns progres famosos como o mercenário dos meios de comunicaçom burgueses Antón Losada ou o escritor Manuel Rivas. Recevemo-los com o berro de "cúmplices da tortura". Despois dum tempo fóra, em alerta pola posível chegada iminente de Garzón, as companheiras que conseguiram entrar na aula saírom. Contárom que dentro estava-se a projetar um vídeo sobre memória histórica e que era praticamente seguro que Garzón nom acudiria. Finalmente, a sua ausência foi anunciada na Radio Galega. Ganháramos-lhe o pulso a Baltasar Garzón. Tivéramos a oportunidade de dizer-lhe à cara todo o que de ele pensamos; puidéramos liberar a nossa raiva justificada e fazer-lha chegar. Podiamos estar satisfeitas, poucas ocasións assim se presentam na vida e essa aproveitáramo-la.

Já pola tarde, era hora de observar a repercussom que tivera todo nos meios. Para nom aborrir entrando em concreçons, já que sabemos bem como é o jeito de cobrir novas por parte dos meios burgueses, direi só que mentírom descaradamente, que neles se digérom autênticos disparates e que recorrérom à imaginaçom todo o concebível para desacreditar-nos. Pouco nos deve importar isso. A Revoluçom Social nom se fará com eles, mas apesar deles. Poderiamos também frustrar-nos com as reaçons na nossa contra de parte do estudantado alí presente, mas nom o faremos, porque somos conscientes de que longo é o caminho e que, durante algum tempo mais, numha parte da Clase Trabalhadora prevalecerá aínda a alienaçom que a fai posicionar-se em contra dos seus própros interesses. No entanto, chegará o dia em que a farsa do Sistema derrubará-se por completo e essas irmãs proletárias que ontem nos reprochavam, amanhá estarám com nós. Simplesmente confiamos em que a nossa açom se difunda devidamente polos meios de contrainformaçom e sirva de exemplo para outras pessoas no futuro, como para nós servírom anteriormente açons similares, criando-se assim um bom costume que permita que o Fascismo nom tenha cabida em ningum sítio.

Finalizarei dizendo que com o que eu me quedo é a felicitaçom chegada de familiares e amigas de presas políticas, às quais tivem na minha mente todo o tempo que durou a açom dando-me força. Isso nom tem preço para mim e enche-me mais ca nada.

Saúde e Revoluçom Social!

D.S.A.


(1) Animamos a leitoras e siareiras deste blogue a faze-lo próprio e animar-se a enviar crónicas e notícias, às que procuraremos darlhes pulo.

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