9 ene. 2014

Hamburgo: que está a suceder?

Colamos este texto de DiárioLiberdade que o recolhe e traduze o artículo assinado por Julian Finn na web alemana Zeitspuk:


Isto é uma tentativa de explicar a situação actual em Hamburgo para aqueles e aquelas que estão a ler informações diversas.

Tenho a minha própria opinião sobre isto tudo, mas vou tentar explicá-lo em palavras simples. Assim, por favor, que ninguém fique zangado por causa de imprecisões de pouca importância ou factos que possam considerar diferentes à sua perspectiva política. Vou, aliás, tentar ser breve, fazendo notar que todas as minhas fontes estão em alemão.

O Rote Flora: Em 1989, um velho teatro no bairro de Sternschanze em Hamburgo foi ocupado, e assim ficou desde então. Foi renomeado de Alte Flora (O Velho Flora) a Rote Flora (Flora Vermelho), e tem sido o centro da esquerda autónoma na cidade desde esse momento. Em 2001, o teatro foi vendido a um investidor sob a premissa de não ser despejado. Para encurtar a história: os tempos mudaram e 'O Flora' está outra vez (de novo, longa história) sendo ameaçado com um despejo.

O grupo "Lampedusa em Hamburgo" é um conjunto de mais de 300 refugiados, dos quais 70 estão sendo protegidos neste momento pela igreja em St. Pauli (a área no sul-oeste de Sternschanze). Sem reconhecimento legal, estas pessoas vivem com o medo da deportação. Em Outubro de 2013 [o governo municipal] começou a procurar e deter pessoas de cor nos arredores de St. Pauli, a fim de averiguar os seus nomes e registá-las para uma possível deportação.

O Esso-Häuser é um conjunto de prédios no Reeperbahn, zona recreativa de Hamburgo no coração de St. Pauli, que foram deixados apodrecer pelos seus proprietários. A sua demolição estava marcada para Julho (2014), mas foram designados como inabitáveis e instáveis em Dezembro (2013) e, em consequência, foram evacuados justo antes do Natal, deixando cerca de 70 ocupantes (e também um legendário clube de música) temporariamente sem casa; os e as residentes foram postas em hotéis e receberão ofertas de andares alternativos.

hamburg2Estes três temas são o ponto fulcral dos conflitos sociais actuais em Hamburgo. Os subjacentes são, certamente, as leis racistas de imigração (toda essa história da "Fortaleza Europa") e a gentrificação. Hoje em dia é impossível para pessoas com ingressos baixos encontrarem um andar a preços acessíveis no centro; St. Pauli e Sternschanze foram especialmente gentrificados nos últimos anos.

Em Outubro, uma manifestação de protesto contra as procuras sem nenhumas garantias de pessoas de cor em St. Pauli, foi confrontada pela polícia de choque, tão só a uns duzentos metros de onde começara. A explicação oficial era a de previr violência. Isto desatou muitos protestos nas semanas a seguir, culminando nos protestos do 21 de Dezembro e subsequente tumulto. Toda a situação tem sido amplamente relatada.

Para o fazer breve, cerca de 10.000 manifestantes de todas partes da Europa reuniram-se em frente do Rote Flora e foram parados pela polícia de choque usando cordões, canhões de água, bastões e gás pimenta depois de caminharem aproximadamente dez ou vinte metros. Neste caso a explicação oficial foi que a manifestação tinha começado demasiado cedo, no entanto há rumores de que comandantes da força policial de direita tinham planeado esta abordagem abrupta de antemão. Antes e depois do 21 de Dezembro, estações de polícia e outros edifícios públicos (e quase todas as lojas em Sternschanze que puderam ser identificadas como "gentrificantes") foram atacadas, rompendo os seus vidros.

A polícia divulgou há pouco um comunicado muito contestado, indicando que no 28 de Dezembro um grupo de trinta ou quarenta manifestantes atacaram a Davidwache, a estação de polícia de St. Pauli, quebraram janelas (o que está confirmado aconteceu na do 20 de Dezembro, mas não nessa noite) e também atacaram um policial, golpeando-lhe na cabeça com uma pedra. Isto causou uma grande comoção em Hamburgo mas foi, no entanto, refutado no domingo (5 de Janeiro) por um dos advogados que defendem Rote Flora. Posteriormente, a polícia admitiu "erros" no comunicado. A causa ainda está em curso .

Estes factos, além duma grande quantidade de atenção da imprensa e uma força policial tentando conter protestos espontâneos menores diários, bem como, às vezes, ataques a prédios públicos ou grandes lojas (como uma American Apparel Store), fez com que a polícia declarara uma vasta área de Hamburgo (St. Pauli, Sternschanze e bairros adjacentes) um Gefahrengebiet, ou "zona de perigo". Isto permite à polícia parar e revistar pessoas sem mandado e sem qualquer pedido adicional por um tribunal, assim como expedir cartas de "despejo" ou Aufenthaltsverbote. Isto significa que, com um limite de tempo, essa pessoa tem que deixar a zona de perigo que está ocupando. Já ouvi falar de pessoas que moram na área serem autorizadas a caminhar até as suas casas (se estiverem na área), mas tendo que face-lo sozinhas, e ficar depois no interior. As ordens de despejo normalmente são expedidas com limite de permanência nas 6h00 da manhã seguinte.

Além de buscas aleatórias, os protestos espontâneos são rapidamente interrompidos ou isolados.

Como disse, não há muito mais do que isto, muitos detalhinhos de merda [sic], mas isto vem resumindo a maior parte [do acontecido].

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