9 oct. 2013

[Brasil] Setembro Negro, uma tempestade de insubmissão e festas anti-sistema nas ruas

Publicamos acá a introdução a este extenso e completo informe sobre a situação vivida no Brasil em 7 de setembro (data da celebração da Independência) neste ano de 2013, com relatos das mobilizações nas diferentes cidades e estados, o artículo à ìntegra pode-se lêr nesta ligação do blogue Cumplicidade, mas colamos acá o que recebemos na nossa caixa de correios:

Na manhã de sábado 7 de setembro de 2013 uma tempestade de insubmissão assolou a paz e os bons costumes tão desejados para esta data patriótica, de louvação ao militarismo e ao estado brasileiro. Em todas as regiões controladas pelo estado brasileiro, insubmissos se agitaram perturbando, ofendendo e atacando o poder e suas expressões. É crescente esta tempestade de insubmissão trazendo novos traços a realidade das ruas, aos horizontes. O ano vindouro de copa do mundo e eleições agravará estas tormentas.

A iniciativa deste material foi o de compilar informações da mídia e de outros grupos publicados na internet sobre os acontecimentos dos protestos de 7 de setembro. Trazendo um conjunto de impressões, relatos, notícias que nos dão uma fotografia imaginativa dos desdobramentos em distintas cidades. Nada é neutro, assim que estas informações compiladas estão cobertas com o verniz, quase transparente, da intencionalidade. O intuito não é fazer eco a estas intencionalidades simplesmente traficamos as informações e procuramos resignificá-las em seu conjunto valorizando a cultura combativa e subversiva destas jornadas. Somos incapazes dentro do turbilhão da vida de elaborar uma análise\reflexão de jornadas as quais não vivemos assim sendo nos valemos destas informações e por mais distorcidas que sejam nos debruçamos a pensar um pouco e decidimos compartilhar este material na viva intenção de provocar e animar todxs rebeladxs espalhadxs nesta colcha de retalhos aparentemente desconexos, para que saibam que não estão sós e que verdadeiramente temos uma potencialidade, há de experimentar maneiras de nos fortalecermos, solidarizarmos e melhor golpear o sistema de dominação que nos rodeia e que também carregamos dentro nós.

Muitxs criticam que estes protestos massivos tem somente atacado a superficialidade do sistema e suas vidraças. Concordamos que muitxs se mantenham nas superficialidades, não indo com sua crítica\luta na raiz da mazela, na infinidade de expressões da autoridade em si, direcionando a luta para reformas, direitos, cidadania. Sabemos que muitxs que estão nas ruas hoje dão seus primeiros passos nestes campos de batalha. Para mergulhar em águas profundas há primeiro que perder o medo da água e então partir de um ponto da beira mar, ou seja não nascemos prontxs para nada, tudo é um processo para chegarmos as nossas conclusões, capacidades. Porém acreditamos que a realização destas jornadas de rua tem criado uma sintonia\confiança\ cumplicidade entre seus animadores elementos que quando enraizados se tornam laços de difícil rompimento para a repressão. Se tornam também caminhos para seguir lutando, criando autonomia para todos os aspectos da vida.

O fenômeno do Bloco Negro (black bloc) está brotando com força como inço e em algumas aparições também pela superficialidade na crítica\luta contra o sistema de dominação. Muitxs se alegram, outrxs se espantam com o Bloco Negro… e o pólen da insubmissão se espalha. O Bloco Negro é uma tática de luta nas ruas adotada pelos autônomos da Alemanha intimamente ligados a movimentação okupa isto nos anos 80, posteriormente se difundiu pela Europa e mais atualmente apareceu combatendo ferrenhamente os encontros da OMC como em Seatle e do G8 em Gênova (Carlo Giuliani Presente!). A tática consistia em possibilitar a situação onde as pessoas envolvidas pudessem garantir sua defesa frente aos aparatos repressivos e grupos fascistas, destroçar a materialidade do poder e atacar a policia sem serem individualizadxs e identificadxs. Todxs se vestem de negro, encapuzadxs. Os modernos sistemas de controle social são capazes de monitorar através das câmeras das ruas e dos infiltrados (P2) os passos daqueles que não obedecem sua cartilha de direitos e deveres pré estabelecidos, somos tantxs, e se intensificam as técnicas da repressão.

A cultura combativa tem se sobressaído dentro do campo de batalha das ruas abandonando o diálogo com o poder, a mediação por militantes qualificados com as instituições do estado, enfim a ruptura com a cidadania e com a luta por direitos. Não queremos mais direitos queremos a liberação total da terra e dos seres e ela não será escrita nas legislações nem garantida por leis e exércitos, será afirmada na tumba de toda autoridade, de toda dominação, um processo sem fim e caótico o que desespera todos os bons moços da ordem de todas as tendências.

É um grande salto qualitativo para a luta abandonar pautas reformistas ampliando os olhares do que se passa. O sistema de dominação dá passos acelerados na cobiça de controlar tudo, transformar tudo em produto, mercadoria, lucro. São as vidas de tudo que é vivo e cada centímetro de terra, rios e mares que estão em jogo. É muito além de uma “questão social”. O progresso devasta tudo, os povos nativos de todas as regiões estão em guerra permanente na defesa das terras que habitam e fazem parte. Hidroelétricas, estradas, termoelétricas, eucalipto, fabricas de celulose, mineração, extração de areia, cimento, polos petroquímicos, desmatamento, campos de soja, gado, plataformas de extração de petróleo, capitalismo verde, desenvolvimento sustentável. As tecnologias abarcam todos parâmetros da vida domesticando em alta velocidade nossas vidas, transformando-nos em números. Nanotecnologia, biometria, robótica, transgenia, clonagem, computação, chips, tudo disfarçado de avanços para saúde, entretenimento, soluções… ficção científica? Domínio e controle de ti e de tudo… vamos lutar por 0,20 centavos? Estão matando a terra.

Estes escritos com noticias de diferentes locais tem também o intuito de provocar uma possibilidade de aprendermos com as experiências de outras regiões. Do acionar dxs revoltosxs, dos processos repressivos, procedimentos policiais e suas táticas de atuação, das “novas” leis que em estados como Rio de Janeiro, Pernambuco e Ceará se adiantam em reprimir xs “vândalxs mascaradxs”, enfim cada jornada nos traz um conjunto de lições que tratemos de tirar o melhor disto tudo afiando o punhal de nossas lutas.

Para ler o texto completo, mais fotos, clica aqui:

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