9 jul. 2013

[Portugal] Nem tudo o que luz é ouro.- O protesto contra a projectada Mina de Ouro da Boa Fé num excelente blog de informação e convite á participação

As compas da revista anarquista portuguesa a partir do Baixo Alentejo "Alambique", na sua web dam conta da web da Plataforma contra a mina de ouro em Boa Fé, na serra de Montefurado no Alentejo Central, e colamos o que apontam ao respeito:

…/ Cada um de nós deve fazer o que puder nos meios em que se move. Basicamente, neste momento, importa divulgar o que aqui se prepara. Importa desmascarar os argumentos falaciosos que associam ouro a riqueza para o país, ou exploração mineira a desenvolvimento regional. A nossa intenção, neste blogue, é deixar a nu cada vez mais elementos que provem que se trata de duas grandes mentiras, que vão sair caríssimo ao país e aos futuros cidadãos. Como todos os atentados ambientais, não são apenas os danos para a reduzida população da Boa Fé e arredores que estão em causa – é a própria qualidade de vida a uma escala muito mais vasta. /…

O protesto contra a projectada Mina de Ouro da Boa Fé num excelente blog de informação e convite á participação: https://projectomineirodaboafe.wordpress.com/
Assim se apresenta:

“Somos pessoas atentas ao que se passa no país. Une-nos o amor ao Alentejo e em particular à Serra de Monfurado, que todos conhecíamos como santuário de inestimável beleza e harmonia, muito antes de ser declarada Zona de Protecção Especial, integrada na Rede Natura 2000.

Reúne-nos o pasmo e a revolta perante a possibilidade de a vermos completamente esventrada a troco de 4% dos lucros de uma empresa mineira que pretende extrair-lhe o ouro. E quando a demagogia substitui a argumentação inteligente, sentimos ser dever de cidadania reagir.

A implantação de uma actividade que destrói uma zona a explosivos, sem possibilidade de recuo, tem de ser muito bem justificada. Não basta soltar palavras mágicas, como “ouro”, “emprego”, “dinamização económica”, como qualquer charlatão de feira. De quanto “ouro” estamos a falar: a dívida pública portuguesa ou os problemas da região ficam resolvidos se liquidarmos para sempre este pedaço de paraíso? Que empregos se geram nestes empreendimentos? Não nos atirem números à toa – 10, 135, 1000, mais “emprego indirecto”: que contratos, que salários, que prazos, que garantias? Que contas foram feitas sobre esta prometida dinamização regional? Aparentemente, ninguém se deu a esse trabalho, elementar para uma tomada de decisão consciente. Num país em desertificação acelerada do interior, este empreendimento resolve o quê, por quanto tempo e com que consequências após encerramento? Quanto custam as perdas de potencial agrícola, turístico, ambiental? Porque as crateras, a escombreira, a barragem de rejeitados tóxicos, essas, ficam para sempre.

Ao que vimos

A imaginação do ministro da Economia para tirar o país do atoleiro em que os sucessivos governos o têm vindo a enfiar tem uma ideia-força: passar do buraco financeiro aos buracos da exploração mineira. Que acabam invariavelmente em mais buracos, económicos e sociais. Esta filosofia de tapar buracos com buracos não nos parece lógica nem produtiva. Perante um problema da magnitude da exploração mineira da Boa Fé, fomos confrontados com um Estudo de Impacte Ambiental, na versão curta, que é um verdadeiro conto de fadas. Mas iremos viver felizes depois da abertura das minas? E como é que isto se compatibiliza com um sítio de Rede Natura, sem destruir a Natureza privilegiada da Serra de Monfurado? Propusemo-nos conhecer a versão mais técnica do Estudo – a cuja sigla recorreremos com frequência: EIA. Simples bom senso e a memória de casos que correram mal levantaram dúvidas. O mesmo não aconteceu em várias instituições responsáveis pelas quais o documento teve de passar antes de ser colocado à consideração pública.

Entre vizinhos, com amigos, trocando perplexidades com conhecidos, o panorama foi aclarando – e ganhando proporções nunca imaginadas! Do que conseguimos detectar em tempo, demos parte à Associação Portuguesa do Ambiente (APA) e aguardamos esclarecimento.

O Governo tem obrigação de saber o que se vai passar na exploração, ao pormenor, em cada fase do processo, para exigir garantias bancárias e seguros para os danos previsíveis e obrigar a medidas de segurança eficazes. Tem, no mínimo, de nos tentar convencer de que uns eventuais 11 milhões de euros, recebidos aos bochechos, não hipotecam o futuro de várias gerações, justificando os lucros líquidos que a empresa levará para o estrangeiro.

Por último e para sermos breves, consideramos inaceitável que se tire partido demagógico das dificuldades da população: acenar com empregos em época de crise, quando nada se pode ou faz para garantir a sua efectivação, é desonesto e imoral! A exploração mineira é das actividades mais sensíveis às flutuações nas Bolsas mundiais. Há três anos, o preço do ouro subia em flecha; em Abril deste ano, deu um trambolhão que mandou abaixo grandes empresas mineiras internacionais e pôs as restantes em apuros. As grandes agências de notação preconizam uma baixa de pelo menos dois anos.

Na Boa Fé e arredores, as poucas pessoas que encontraram emprego na empresa mineira foram apanhadas nesse turbilhão, mandadas para casa de um dia para o outro, sem indemnizações e por tempo indeterminado. Já não é a primeira vez – e não será a última. Quando o valor do ouro subir, eles aí estarão de novo, com mais promessas de “1000 empregos”. E muita formação (paga?), porque vão ter trabalho a perder de vista!

Se já estivesse em fase de exploração, numa crise bolsista destas, a empresa largava tudo como estivesse, a meio ou no final da laboração. Quem cá vive que resolvesse os problemas. São esses problemas que queremos conhecer e acautelar, desmistificando engodos de empregos e desenvolvimento económico regional.

Chegámos a um ponto em que não queremos prosseguir sozinhos. Pretendemos alargar horizontes e partilhar preocupações. Porque noutros lugares, outros cidadãos, outras zonas intocadas estão em risco de se ver confrontados com o mesmo processo predatório. Quem tiver achegas sobre estas questões, é muito bem-vindo a estas páginas!

Foram as dúvidas que nos juntaram, procurando entender melhor o que está por trás do conto de fadas do milagre do ouro da Serra de Monfurado. A exploração mineira da Boa Fé é apenas o início. O filão segue até Borba/Portalegre.

Nenhum de nós tem estudos em geologia e minas. Mas estamos decididos a levar o mais longe possível o conhecimento dos reais impactes daquilo que nos estão a reservar, com a ajuda dos nossos amigos, especialistas em diversas áreas técnicas e do ambiente, de cujos conselhos temos beneficiado. Quanto mais estudamos, maior é a nossa incredulidade perante o apoio dos organismos do Estado ao que aqui se prepara: saberão o que estão a apoiar? Ou estão a pôr deliberadamente várias gerações vindouras a pagar mais uma política de curtíssimo alcance?

Não acreditamos em especialidades científicas inacessíveis nem em determinismos financeiros que vulgares cidadãos não tenham capacidade para entender. Expliquem, não escondam!

Este blogue pretende ser um centro de partilha de informações sobre o tipo de actividade que a empresa que conseguiu a concessão de exploração mineira anunciou e desenvolveu no Estudo de Impacte Ambiental, o qual levará em breve à aprovação estatal da exploração mineira Chaminé/Casas Novas.

Aos nossos leitores, pedimos colaboração. Os nossos “posts” remeterão sempre para as fontes de informação a que acedemos, fruto de esforços individuais. Outras haverá, provavelmente, mais actualizadas e explícitas: revelem-nas, corrijam-nos, informem! É esse o grande objectivo desta iniciativa cidadã. »

1 comentario:

  1. Cromos do carago.... nao querem a mina.. paguem do vosso bolso ao cidadaos locais os potencias beneficios financeiros para a regiao

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