18 feb. 2013

[Grecia]: Comunicado dxs catro compas presxs do atraco ao banco de Kozani


Já falaramos em Abordaxe deste caso, das torturas recebedas por tres deles e dum seu primeiro Comunicado onde já prometiam um comunicado mais extenso (e muito interesante), que agora recolhemos de ContraInfo e traduzimos e colamos:

12 de fevereiro de 2013

"Os nossos dias se passam, as nossas noites, nom".

Corremos cara nossa fugida entanto, ao nosso redor, desata-se umha verdadeira caçaria humana. Detrás de nos, umha vida predeterminada, raiada polas maõs dos dominadores, com o galo de internalizar a submissom como umha condiçom objectiva, para legitimar sistemas morais de leis e regras, para igualar ao indivíduo a umha lógica estadistica de números. Diante de nos, o mundo das nossas “utópicas” fantasias, que se conquista so com violência. Umha vida, umha possibilidade e eleiçons decisivas.

Contempla o vazio intermédio das nubes e salta, porque a caida nunca foi umha eleiçom mais segura.

Em venres, 1 de fevereiro de 2013, junto a um grupo de compas, procedimos a realizar um atraco duplo ao Banco Agrotiki e a Oficina de Correios de Velvendo, Kozani. Na nossa opiniom, é importante analizar até um ponto a parte operativa do atraco. Isto, principalmente, para sublinhar todos os aspectos do ataque, as eleiçons que tomamos, os erros que cometemos e as razons que nos conduziram a elos:

Assim, na manhã do venres, atacamos os dous objectivos divididos em dous grupos. Desde o início, o nosso plano era tomar o dinheiro de ambas caixas fortes, o que de feito aconteceu. Durante a nossa fugida, umha série de eventos desafortunados e um erróneo manejo da situaçom, levarom a revelar à polícia tanto o nosso veículo como o nosso paradoiro.

Devido ao cordom policial que automáticamente se formou, o companheiro que manejava a camioneta, disfarçada por afora de ambulância, estava a buscar rutas de fugida para o grupo que realizara os atracos. Nessa busca, cometeu o erro de se passar tres vezes fronte a umha patrulha policial, o que figera que resultara sospeitoso, ao que seguiu umha persecuiçom e, entom, devido ao desconhecemento da área, terminou em quatro calejons sem saida, e no último deles foi arrodeado, ao nom dispôr de espaço para escapar. E, assim, depois de prender-lhe lume à camioneta, o compa foi arrestado. Com istos aconteceres e, visto que o nosso compa com o veículo para a fugida estava já nas mãos da polícia, as nossas opçons de escapar se reduzirom drásticamente.

Decidimos, por tanto, deter ao primeiro veículo que se passara, porque este podeia assegurar umha fugida mais segura para nos e xs nosxs compas. Assim as cousas, a questom principal era assegurar-se que o novo veículo nom resultara conhecido para "os pacos", assim que acordamos deixar com nos ao conductor da furgona, até atopar umha ruta de escape para nos. É neste ponto, aproximadamente despois de cruzar-nos com umha patrulha policial, que pouco a pouco a fugida levou-nos a umha desenfreada persecuiçom até a cidade de Veria, onde a maior parte das forças policiais disponíveis da zona estava tras de nos. Obviamente nunca consideramos nem sequer por um segundo o uso do refém como escudo humano (nom teriamos problemas em faze-lo se, por ejemplo, ele fosse o director dum banco), de qualquer modo, a polícia nom sabia dél. Ao final, él se convirtiu em escudo humano para os pacos, sem que estxs o souberam, porque él foi o motivo polo qual nom chegamos a usar as nossas armas com o propósito de fugir. Debido à nossa consciência e a nossa moral que nom nos permitem arriscar a vida dumha pessoa que acabara por azar com nos e contra a sua vontade.

Neste ponto, queremos aclarar que nom portávamos as armas com o propósito de intimidar a ninguém, senom como umha ferramenta no caso de enfrontamento com os pacos. Assim, o motivo polo qual nom atuamos como nos tocava faze-lo, para escapar, foi umha condiçom na que nos atopamos devido ao nosso mal manejo da situaçom.

A única via de escape neste ponto era acelerar e o nosso intento de ganhar terreno com o nosso veículo aos polícias que nos estavam a perseguer. Por suposto, a cidade de Veria nom é o melhor lugar para algo como isto e, por ende, ficamos pronto atrapadxs numha rua estreita, resultando a nossa detençom. Durante o nosso arresto, o único que dijemos foi que a pessoa que estava com nos nom tinha nada a ver com os atracos nem com nos. Nom tanto, os polícias continuarom golpeándo-lhe também a él, quanto menos, entanto tivemos contacto visual.

A narraçom anterior nom está enmarcada na presunçom e a autopresentaçom, senom com o propósito de reverter o legado dum arresto sem batalha, ao que nos conduzirom as circunstâncias.

A narraçom finaliza na chefatura de polícia de Veria, onde seguiu umha longa tortura com tres de nos a mãos da polícia. As suas tácticas som conhecidas e esperadas: carapuça na cabeça, mãos algemadas às costas e golpes.

Consideramos óvbio que há umha linha clara que nos separa do sistema, que marca a guerra entre dous mundos. O mundo da dominaçom, a opressom e a submissom e o mundo da liberdade que nos criamos e mantemos vivo a través da nossa incesante luita contra o Poder.

Nesta guerra, os pacos som um objectivo permanente para xs anarquistas guerrilheirxs dado que elxs som a vanguarda e a rama repressiva dos mecanismos do domínio. Por isso, damos por feita a atitude delxs para com nos. Se o Estado nom nos combatira, entom poderiamos ter boas razons para estar preocupadxs. A tortura, como método, foi, é e será sempre umha arma no arsenal de qualquer autoridade dada. Nos, anarquistas, por suposto, rejeitamos usar tais métodos contra os nossos inimigos e preferimos a digna práctica da “ejecuiçom” política, porque nom queremos reproduzir a podredume do seu mundo senom acabar com ela.

A opiniom que ve axs luitadorxs como presas nas garras dos mecanismos repressivos internaliza a percepçom de derrota dentro dos círculos subversivos. Esta é a aceptaçom dumha percepçom que reduze a guerra contra os inimigos da liberdade ao contexto da aceptaçom da ética e a legalidade social burguesa. E, para ser claros, o aponte de arriba concerne a anúncios como os de ANTARSYA (Fronte de Esquerda Anticapitalista Grega) ou A.K. (suposto Movimento Anti-autoritário), os quais contribuem mais ao reformismo que à radicalizaçom. Sobra referer-nos aos jornalistas, ao partido SYRIZA (Coaliçom da Esquerda Radical) e outros sectores do sistema que, com anúncios “amistosos” cara nos, intentam reachegar-se a aquelas consciências que empeçam a discrepar com as normas, servindo deste jeito à estabilizaçom do régime.

Agora, em quanto à prática de torturas, para nos a resposta reside na acçom polimorfa. A visibilizaçom de eventos específicos a través de acçons contrainformativas, tais como comunicados, cartazes, concentraçons, manifestaçons, etc. é definitivamente necessária, para que assim cada vez mais pessoas poidam chegar a umha conclusom. Umha conclusom que nom deixa espaço para “incidentes ailhados” ou “conductas vengativas”, senom que leve à comprensom de que a violência física sempre foi umha forma de repressom e control do Poder. Forma parte da guerra entre a dominaçom e a rebeliom.

Por suposto, entanto difunde-se esta mensagem, deve difundir-se também umha mensagem de terror cara os torturadores por natureza, os pacos. Para que os pacos nom golpeem, nom tenhem sentido as denúncias intrasistémicas e os procedimentos jurídicos, que implicam também concesions e a aceptaçom informal do poder judicial e jornalístico. Fai falha resistência, e a resistência necessita também ter formas violentas. Porque um ataque aos pacos, nom só aos de Veria, já seja com pedras, molotovs ou com armas, innegavelmente os leva a reconsiderar as suas eleiçons, contando as suas feridas antes de volver a levantar a mão. Porque, como bem dijo-se antes, os nossos inimigos tenhem nome e endereços.

Nom mentaremos analíticamente o rol dos bancos, de qualquer forma, no tempo no que vivemos, está claro para todxs. A sua existência é um roubo constante. Para nos, como anarquistas, eles constituem objectivos de ataques de todas as castes: incendiário, bomba, atracos. Por suposto, muitas cousas forom ditas sobre o nosso caso e, induvidavelmente, para nos existe a necessidade de dar-lhe a volta ao clima criado. Para golpear o contínuo intento de vaziar de contido as nossas eleiçons e para revelar os podres alcances sociológicos e o fundo pseudohumanitário que, devido à nossa idade, quereriam assinar.

“Som moços normalinhos e assaltarom um banco. Por que?”

Porque o atraco é umha acçom política consciente. Nom é o estádio seguinte a um periodo de ansiedade adolescente, de ambiçons de enriquecimento persoal, nem tampouco é o resultado da nossa suposta preguiça. No entanto, contém o nosso desejo de nom atar as nossas vidas à brutal exploraçom do trabalho assalariado. O nosso rejeitamento a volver-nos granagens para os intereses financieiros. A nossa resistência ao seu violento avance da bancarrota mental e de valores do seu mundo.

Para nos está claro que nom rejeitamos a criatividade dentro das nossas comunidades. Além, a organizaçom dum atraco exige tanto trabalho físico como mental. Rejeitamos, nom tanto, escravizar a ossa criatividade a um mundo de produçom e reproduçom do trabalho. Por suposto, para nos, pouco sentido teria o rejeite à escravitude assalariada se nom trabalháramos paralelamente também para a sua destruiçom. Somos anarquistas sem arrepentimentos e nom buscamos simpatia, compaixom nem comprensom porque atuáramos “equivocadamente” num mundo “equivocado”. Buscamos a propagaçom das nossas projeçons e práticas e luitaremos por elo até as nossas derradeiras palavras, até a nossa derradeira bala.

Cada umha das nossas acçons de ataque é também um momento da guerra revolucionária total que se está a levar a termo a todos os niveis. O dinheiro acadado com este atraco nom foi destinado ao paradíso consumista artificial. Esta é simplemente a ferramenta para mover cada forma de luita. Desde a impresom de comunicados à merca de armas e explosivos, para a financiaçom de estructuras ilegais de ataque e defensa. Desde o arrendo das nossas vivendas ilegais até o subministro de explosivos para fazer voar a paz social.

O objectivo é a difusom da acçom direita contra a condiçom de cautivério geralizada que experimentamos. Tanto seja em guerrilha ou abertamente e cara a cara, com qualquer método que cada umhx pense que é mais frutífero e efectivo, de qualquer forma que disponha ou com a que desfrute cada individux e cada colectivo que contribua à luita. Sempre, o objectivo de cada movimento nosso, de cada ataque de guerrilha é a propagaçom da consciência revolucionária. Para posiçonar-nos conscentemente contra do mundo da escravitude total, contra a constante evoluiçom do inimigo, o qual o barre tudo ao seu caminho. Contra esta condiçom, a luita pola liberdade e o nosso intento de dar características combativas a cada aspecto da luita anarquista é frutífero e necessário.

Porque a anarquia nunca pode converter-se numha ideia agradável no mundo da submissom universal, senom que se atopa em constante conflito com este. Esta nom pode restringirse nem a eventos inofensivos e democráticamente aceptáveis, nem a fetichismos sobre os medios, senom que constitue, mais bem, um todo indivisível de todas as formas de luita. Cada individux ou grupo, segundo os seus desejos, as suas intençons e a sua forma de pensar, contribue à continuidade da luita, com qualquier medio possível. A anarquia é a nossa forma de organizar-nos, de viver e de luitar. É a organizaçom sem restriçons, é a luita incesante. É o companherismo extremo que experimentamos nas nossas comunidades em revolta, contra a podrida estructura social.

Concluindo, gostariamos em saudar a todxs xs compas que atuarom. Colando cartazes, berrando consignas, organizando concentraçons, escrevendo textos solidários (dentro e fora dos cárceres). A todxs aquelxs que, neste intre, estám planejando os seus ataques.

PD1: Também queremos enviar a nossa solidariedade a Spyros Dravilas em greve de fame, quem libra umha dura e dorosa luita por umha bocanada de liberdade. Muita força.

PD2: Ha pouco tempo, o compa Ryo de Indonesia foi assassinado. Ryo foi um anarquista que promovia a solidariedade internacional a través da açom. Agora, incluso estando ausente nas hostilidades que nos geramos contra o existente, estamos convencidos de que nos sempre miramos a mesma estrela, a estrela da insurreçom anarquista permanente. Honor ao compa RYO.

Os anarquistas:

Nikos Romanos
Dimitris Politis
Andreas-Dimitris Bourzoukos
Yannis Michailidis

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