23 ago. 2012

[México] Comunicado de Mario López (Tripa): "Com tudos os meios possíveis"

Recolhemos de "Cruz Negra Anarquista de México" este texto escrito pelo companheiro Mario López no contexto da Jornada Anticarcerária em México do 17 e 18 de agosto, onde fai umha moi interesante reflexom sobre a luita contra os cárceres de dentro e de fora:

Com tudos os meios possíveis

O silêncio e a toma de distância amplamente sugeridas pelo poder, nom fam mais que aumentar o espessor dos muros da prisiom onde som encirradxs. Bem distinto é o caminho da complicidade, caminho que se abre de aquelxs que querem saltar no ar istos muros.
“A resoluçom dum problema” Italia, 1994

Agora mesmo quando me atopo tras istos muros e ainda permanezo na enfermeria do reclusório sur da Cidade de México, esperando pela minha parcial recuperçom, miro a través da ventã enreixada e a minha vissom choca com as duas grandes muralhas aramadas e protegidas pela torre de vigiância, as quais só marcam umha estreita divisom entre umha prisom e outra, entre o cárcere e o seu terror, e a cidade e o seu encerro. Dois mundos paralelos, uniformados dumha só cor, dois sociedades com um único fim: o control. Estando acá, dou creto a Xosé Tarrío e Marcelo Villaroel, afirmo que tanto a análise como a crítica contra as prisions devem de partir do eixe político e das ideias, pero também –e moi importante- desde a vivência persoal, desde a perspectiva de quem vivem e caminham nela.

As prisions também som centros de auto-extermínio, em ocasions um todos contra todos, um lugar onde luita-se por sobreviver, onde mais que adquirir respeito, inculca-se o medo, pero tenho e devemos ter claro, que este auto-extermínio é propiciado directamente pelo Estado-capital, quem por meio do terror, o medo, a corrupçom, o ateigamento, a sobrepovoaçom, as drogas, as negligências médicas, etc., ponhem ao indivíduo numha situaçom de estrés, confusions, depresions eufóricas e anojos, em fim, tudo um ambente de pressom que fam deste lugar um verdadeiro e permanente campo de guerra. Obviamente falo da prisiom que me está tocando viver. Ainda pese a tudo isto, percato-me da existência mínima de solidariedade e companherismo entre os presos, incluso, moi a pesar da regra base: “Na Cana tu caminhas sozinho e tês que ver por ti e só para ti mesmo”.

O cárcere é um claro reflexo do mundo exterior, dumha sociedade que se pudre e se descompom afundida nas mesmas contradiçons do sistema.

O “módulo” é o espaço carcerário dentro do cárcere, é dizer, o cárcere dentro do mesmo cárcere. Tuda umha estructura de control social, pero que, a diferência dalgumhas prisions ou módulos de máxima seguridade, acá o castigo quiçás é sobreviver nas mais péssimas e viles condiçons de vida. O módulo é o pior castigo tanto para os presos problemáticos como para quem chegam a protestar por algo. As golpiças dos custódios, o terror psicológico som, junto com o módulo, os principais métodos de control. Umha mostra do poder que tenhem esses cobardes com placa e porra.

O cárcere na que me atopo, é nuns aspectos, diferente a muitos dos que padecerom muitxs outrxs compas: os módulos de ailhamento permanente, os penais de máxima seguridade, os FIES, forom criados dum modo estratégico e fríamente calculados para que física e psicológicamente despojem ao individuo das suas capacidades de questonar, criar, criticar, pensar e finalmente, fazer dél um pantasma sobrevivinte e dependente do sistema, sem autonomia, sem capacidade de decisom livre e consciente. As paredes brancas, sem luz solar, sem actividades recreativas, sem deporte, com vigiância as 24 horas, buscam matar de talho o espíritu guerreiro dos “rebeldes sociais”, quem nom aceptam e rebelam-se sem tanto análise académico, sem tanto politiqueio. Assimesmo estám feitos para aniquilar a convicçom e luita dxs nossxs afins e presxs políticxs. Este cárcere é um claro reflexo da sociedade mercantil, os seus erros, os seus vícios sociais, a sua hipocrasía e o espectáculo, a clara diferencia é que acá tudo se vive mais intenso: os picados, queimados, golpeados, estám à ordem do dia, tudo a causa da reducçom do espácio vital ao mínimo.

Pese a tudo, acá nom tudo é mera submissom. À contra, também encontro-me com compas que mantenhem umha mentalidade aberta e crítica, com umha clara e vissível tensom a romper com a aparente “ordem existente” e enfocar-se numha luitha, mínimamente por “melhorar as suas condiçons de vida”, sendo compas nom tam politizados e com a intençom de radicalizar o seu pensamento, a sua luita é apreciada, nom descartada, pois quem vivem nestas condiçons conhecem moi bem o porqué das suas reivindicaçons.Nom tanto, nom perdamos a nossa linha, eu mantenho umha outra leitura ao respeito sobre a luita contra as prisions, já que mais que abolicionista, as minhas perspectivas e os meus actos focalizam-se na destruiçom total das prisions como estrutura física e mental de control social.

Acá por nengures existe a mentada e presumida “rehabilitaçom” ou “reinserçom social”, tudo convirte-se numha farsa, num circo, num jogo de poder, para o qual contribuem psicólogos, criminólogos e sociólogos. Isto é algo que tuda a povoaçom reclusa sabe:“O cárcere é a melhor escola do crime”. Nesse ponto, como anarquista, essa proposta de rehabilitaçom nom significa nada positivo, pois simplesmente seria -ou é-, um intento de reinsertar a tudos os dissidentes na comunidade do capital e que dum jeito ou outro, contribuam ao perfeito funçonamento da mega máquina. Esta é a única rehabilitaçom positiva para o Estado-capital.

Antes de concluir com esta breve exposiçom, gostaria de fazer umha aclaraçom que considero necessária. Nestas linhas enfoquei-me únicamente ao sistema penitenciário, pero quando falo de cárcere, também refiro-me a qualquer tipo de encerro mental e físico: desde o encerro e tortura contra os animais nom humanos, como os circos, zoológicos ou laboratórios viviseitores; as condiçons de ateigamento que, em pro do benestar e o progresso, o humano impom sobre a natureza; o castigo que se impom nas escolas; a tortura dos psiquiátricos ou o “esposo” que encerra e priva da liberdade aos seus filhxs e companheira; até o sequestro humano por motivos políticos ou comuns, etc. Tudas som por igual situaçons de cárcere, relaçons sociais que tenhem que ser destruidas.

Esta breve experiência e o que me falta por viver, deixa-me mais que claro que necessitamos afiar melhor as nossas navalhas e focaliza-las numha luita muito mais objectiva e direita contra o sistema penitenciário. Devemos abrir as nossas propostas a outros campos, a outras luitas e incrementar as actividades anticarcerárias -como esta na que nos encontramos-. Porque temos a absoluta necessidade de propagar a ideia que se enfoque na destruiçom desta e de qualquer sociedade cárcere.

Nem reformas nem aboliçom. Afiemos as nossas navalhas, a nossa crítica e a nossa análise, abandonando as posiçons mornas e de espera, eliminar já das nossas contendas o falso discurso da culpabilidade e inocência, discurso do sistema jurídico do Estado que só contribue a incrementar o ateigamento e criminalizaçom de companheirxs presxs por ser consequentes com as suas ideias de ataque ao poder. Umha luita anti-carcerária que mantenha umha incidência no social, umha verdadeira irrupçom real e nom fictícia, umha luita anti-carcerária com projectualidade sobre a base, e nom umha simple actividade que só se limite a reafirmar a nossa teoria. Umha luita dentro dumha luita contra tudo e pela liberdade total,

Companheirxs, por último quero aproveitar este espaço para enviar a minha solidariedade revolucionária -ainda que seja de palavra- para com as companheirxs anarquistas prisioneirxs em Itália, Grécia, Espanha, Bolívia e Indonésia, com xs companheirxs em fuga de Chile, Diego Ríos e Mono. Um forte abraço a Gabriel Pombo da Silva e Marcos Camenish. Solidariedade com tudxs xs ácratas prisioneirxs no mundo cuios nomes nom recordo neste momento, pero están presentes na luitha. Solidariedade com a minha irmá e afim Felicity Ryder, quem desde a sua fuga mantem-se cara a cara com o inimigo, a sua atitude frote à vida.

Companheirxs: a mim falta-me um caminho por recorrer e a todxs juntxs umha luita que continuar.

Pela liberdade, pela anarquia
Abaixo os muros das prisions!
Com ogni mezo necessário.. Sem siglas nem dirigentes
Guerra social em todas as frontes!

PD: A luita contra os cárceres, é parte da luita contra um tudo, é só um campo da guerra contra o poder sem deixar de lado tudo o demais. A liberdade total.

Muitas graças pelo espaço e a solidariedade.
Mario Antonio López, anarquista prisioneiro do GDF, Reclusorio Sur, Cidade de México, 9 de agosto de 2012.

Já em Abordaxe temos abordado o tema de Mario, da sua detençom tras a explosiom dum artefacto na que resultou ferido, nesta notícia e ampliamos nestoutra notícia

Para mais informaçom sobre Mario Antonio López, Tripa, podedes consultar o blogue Solidaridad Mario López "Tripa"

Notícia traduzida e colada por Edu

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