23 jun. 2011

REVOLUÇOM ESCREVE-SE SEM JOTA


“Hoje caim na conta de cómo nos separarom. Os universitários insistiam em dizer que os “sopaipas”(1) se foram, que deixaram de romper, de destruir, que deixaram de fazer que os méios falaram mal das suas movilizaçons. A raiba inundou-me. Quanto menos esses “sopaipas”, como despectivamente chamarom-lhes, tinham claro quem era o seu inimigo: a polícia, que é o fidel guardiám da normalidade capitalista e todo o mundo burguês que lhes obrigam a desejar. E unim-me a eles, e começamos. “Companheiros, nom tenhem pedras? Compartilhamos esta que tenho, déjem-me dividi-la”, dijem-lhes. “Graças irmão. Imos cabros (2)”, respostarom-me. E fumos dar-lhe à puta polícia. Este mundo nom nos pertence em nada, e eles, instintivamente, sabem-no. Eu sabia-lo. Por algo estava lá, e nom nos bailecinhos e festinhas, canticos e hinos dos “tontitos” dos dirigentes estudiantis, que a viva voz faziam-se os portadores da nossa representatividade. Eles, o “lumpenproletariado”, também sabiam-no, e preferiam evidenciar a luita de clases que existe todos-los días. E para ilo armarom-se e lançarom-se, como tantos outros figemo-lo.


Pero os estudiantes, nom todos, mas umha gram maioria, estavam pedindo volver à normalidade, que voltáramos à marcha, que nom nos deixáramos provocar. Provocar? Nos estávamos provocando. Estamos fartos de todos e queremos que o conflicto seja cruelmente palpável, que a ninguém deixe alheio, que se removam todas as mentes. “Vostedes som os “tontitos” que se infiltram e deixam-nos a todos mal parados, a todos os que queremos construir umha verdadeira democracia”, dijerom-me uns universitários, moi na onda da chile ou da católica(3). “Democracia? Eu jamais pedim democracia, essa é a tua ilusom. O inimigo está ai, diante de nos, é o Estado, o Capital, a polícia e toda esta propriedade, a eles nom lhes devemos nada e temos que queima-los, nom somos um rebanho de putos cidadáns como vostedes, temos que queimar esta república”, respostei-lhes. As caras de desprezo acaecerom sobre quem tímidamente assentirom. Pero já nom nos importam. Sabemos que somos; proletários, sabemos o que nom somos; rebanho.”

“Um proletário incontrolado que estivo lá e ninguém contou-lhe nada”.

REFLEXOM QUE NOS ENVIARON POR INTERNO

Colado e traduzido de http://accionanarquista.blogspot.com

Notas da traduçom:
(1) "sopaipas" - plato típico em chile feito com massa fritida, chama-se assim a quem levam um corte de pelo similar à "sopaipa", especialmente adoptado polos jonens do "lumpem-proletariado"
(2) cabros - moços
(3) nomes vulgares das universidades de Santiago de Chile: "La Chile" e "La Católica"

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