5 ago. 2014

[EEUU] Carta de Steve Jablonski: “Som Anarquista e Resistente ao Grande Jurado”

Colamos esta Carta que nos chegou da ANA:

Olá, meu nome é Steven Jablonski, som um anarquista e um resistente ao Grande Jurado (1). Após viver em exílio no Canadá por aproximadamente um ano e meio, voltei fai um mês aos Estados Unidos. Meu regresso nom foi planejado como algo secreto, mas sentim a necessidade de tirar um pouco de tempo para mim mesmo, para poder juntar meus pensamentos e descomprimi-los antes de publicar algum comunicado. Agora me sinto pronto para romper o silêncio e para esclarecer um pouco a confusom sobre o feito de ter sido citado polo Grande Jurado de Seattle, na causa na que se investigam os feitos do 1º de maio de 2012 nesta cidade:

Em julho de 2012 várias pessoas no noroeste receberam citaçons para depor ante o Grande Jurado que investigava a actividade anarquista e a destruiçom de propriedades durante a manifestaçom anticapitalista do 1º de maio de 2012 em Seattle. No final de julho recebim umha chamada de alguém dizendo que era um agente do FBI, que declarou que eu estava citado para depor fronte ao Grande Jurado e perguntou como poderiam entregar-me essa citaçom. Umha citaçom que só tem efeito após ter sido entregada à pessoa fisicamente. Tomei a decisom de resistir ao Grande Jurado saindo do país, ao invés de arriscar-me a que me entregassem o documento e ter que depor no Grande Jurado.

Estivem e estou firme na minha ideia de nom cooperar com o Estado. Estava bastante seguro que se eu me negasse a responder as perguntas do Grande Jurado, teria sido preso por desacato civil e iria ao cárcere. Sem julgar as decisons tomadas por outros resistentes ao mesmo Grande Jurado, nom me sentim confortável apresentando-me ao Estado para umha sentença de prisom. Compreendo que a prisom é parte da vida para muitas pessoas neste mundo e também compreendo que por tomar parte em actividades anarquistas, a pessoa está arriscando-se a ser presa. Quero fazer todo o possível para resistir e nom cooperar com o Estado e também recuso caminhar conscientemente até minha própria cela em umha prisom.

Cheguei ao Canadá em 4 de agosto de 2012. Em novembro começara a viver em Montreal, Quebec. Durante o tempo que passei lá, a CSIS (Serviço de Inteligência de Segurança Canadiana) e a SPVM (Polícia da cidade de Montreal), me perseguiram. Durante o tempo que passei no Canadá, rotineiramente me seguiam e se acercavam dizendo meu nome na rua e fora de minha casa. Durante estas acçons me disseram que devia voltar ao meu país e que eles estavam só esperando para poder deportar-me. Muitas vezes me colocaram em umha patrulha da SPVM, incluindo umha vez que o figeram a umha quadra da minha casa, às duas da madrugada e me deixaram na periferia da cidade, onde me tiraram o telefone, dinheiro, meus sapatos e minha jaqueta. Uns meses depois, duas pessoas desconhecidas me atacaram a duas quadras de minha casa, mas nom levaram nada de meus pertences, só me chamaram “puto americano” repetidamente. Em todas essas ocasions, ficou claro que essa gente sabia da minha situaçom legal.

Apesar de toda a perseguiçom, também tive o amor e a amizade de gente genial em Montreal. Essencialmente cheguei lá sem conhecer ninguém e essas pessoas fizeram com que eu tivesse tudo o que necessitava. Rapidamente, após os altos e baixos, estas relaçons se transformaram em vínculos que tenho certeza, durarám muito tempo.

É muito claro que o Estado nom está feliz com minha decisom, ou as decisons de outros, de nom cooperar com esta investigaçom. Apesar disso, todos, exceito umha das pessoas envolvidas na investigaçom, se mantiveram firme em nom cooperar com a investigaçom. Mas a investigaçom agora está chegando ao fim. O passado ano e meio, certamente foi o mais interessante e o mais difícil da minha vida. Com a ajuda de amigos novos e velhos, anarquistas próximos e de longe, e a inspiraçom que sentim de meus companheiros e resistentes ao Grande Jurado em comum, algumhas coisas já finalmente estám chegando ao seu fim.

Meu tempo no exílio também terminou sendo bastante caro, mas graças ao apoio monetário que recebim de muitas pessoas, me cuidaram muito bem. Quero expressar minha gratitude em especial ao Comitê contra a Repressom Política em Vancouver B.C. e Guelph ON e amigos no Bay Area e New York. Também quero agradecer a meus amigos em Puget Sound, os amigos mais próximos que tenho no mundo. Seu apoio e seu ânimo têm sido insuperáveis para minha resistência e minha saúde mental e emocional. Também quero dizer quanto me inspiraram a infinidade de acçons em solidariedade ao redor do mundo e também a qualquer pessoa que ofereceu qualquer gesto de apoio.

Também quero esclarecer que me solidarizo completamente com os vândalos anônimos que atacaram o Juizado William Kenzo Kakamura em Seattle no 1º de maio de 2012. Nom tem muitas coisas que desejo mais que ver as instituiçons do poder atacadas. Me identifico fortemente com a tendência anarquista insurrecional e creio que os actos de crimes e rebelions que ocorreram esse dia em Seattle servem como um pequeno exemplo de como a gente pode atacar fisicamente às instituiçons do Capital, como parte de sua busca interminável pela liberaçom.

Ainda estou emocionado por poder estar em casa, como muitas coisas na vida, a experiência tem sido agridoce. Tive umhas experiências incríveis durante o último ano e meio e regressar à casa nom tem sido nada fácil. Apesar da frustraçom dos últimos 19 meses, sei que ao sair desta experiência, me tornei umha pessoa mais forte e com vínculos mais fortes, com umha ideia mais clara do que a afinidade, a amizade e a anarquia significam para mim. Mas no fim, simplesmente estou contente de finalmente estar em casa.

Solidariedade com os outros resistentes do Grande Jurado e os no exílio!

Liberdade para Amelie, Carlo e Fallon! (os 5 prisioneiros)!

Que viva a Anarquia!


Qualquer pergunta / dúvida / comentário para Steve, podes escrever-lhe por correio a: nothingleft@riseup.net.

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(1) Nota de Abordaxe.- A Constituiçom dos EEUU reconhece dois tipos de jurados: um gram jurado, que decide si a pessoa deve ir a juízo, e um jurado ordinário, que decide si a pessoa é culpável ou inocente.

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