24 oct. 2013

[México] Fala um dos 11 anarquistas mais perigosos da Cidade do México

Em venres 11 de outubro, Aristegui Noticias publicou a nota “GDF identifica a 11 anarquistas detidos em marcha 2deOutubro“, na que, este diario, retomou a informaçom do0 portal Reforma.com sobre umha lista que o Governo do Distrito Federal haveria defundido com os nomes de 11 pessoas identificadas como “anarquistas”, que haveriam participado nos feitos de violência durante essa marcha na Cidade de México.

Nessa nota que ampliou Aristegui Noticias aparecem os nombres de Carlos Esteban Jiménez Martínez, Gabriela Luna Hernández Arreola, Jaime Aguilar, Aland Rodríguez Martín del Campo, Estela Morales Castillo, Carlos Hernández, Julián Luna, Felipe Matías Reyes, Julio Pisanty Alatorre e Rubén Trejo Muñoz.

Agora recebimos umha carta assinada por Julio Pisanty Alatorre, que publicamos a continuaçom, e engadimos também as ligaçons a duas cartas de apoio:

Em 11 de outubro publicou-se umha nota no portal Aristegui Noticias que reproduze informaçom da nota do diário Reforma intitulada: "Identifica governo a grupos anarquistas. Ficham a Anarquistas". Nela menta-se o meu nome, polo que lhe solicito, aducindo o direito de réplica, publique a seguinte carta no mesmo espaço no que se fam acusaçons na minha contra:

Chamo-me Julio Pisanty Alatorre. Som médico, e actualmente estou terminando o Internato Médico num hospital público, na Cidade do México. Esta sexta-feira [11/10/2013], quando observava umha mulher grávida, um amigo telefonou-me para informar que, ao que parece, som um dos onze “anarquistas” mais perigosos da cidade. Assim, pelo menos, diz um artigo publicado no jornal “Reforma” e reproduzido por outros meios, supostamente baseado num relatório do governo do Distrito Federal.

A notícia apanhou-me de surpresa. Nom pude senom perguntar-me: será que, de feito, som perigoso? Evidentemente é falso que a minha “periculosidade” resida no meu “grau de violência e participaçom constante em manifestaçons que terminam em actos de vandalismo” (como diz o afamado diário). O que ali se diz de mim – salvo que estudo na Faculdade de Medicina – é pura e simples mentira. O absurdo torna-se tanto ou mais evidente quando a dinâmica actual da minha formaçom profissional nom me permite “a participaçom constante nas manifestaçons”. Surge, entom, umha nova dúvida: porque é que som perigoso?

Será que som perigoso por pensar que outra forma de exercer medicina nom só tem que ser possível, mas que é necessária e urgente? Será que som perigoso por pensar que algumha coisa nom está bem quando vejo pessoas deixarem o meu hospital “público” por nom terem dinheiro para pagarem tratamentos que lhes salvariam as vidas, e a isto se chama “alta voluntária”? Será que sou perigoso por afirmar constantemente a ideia de que as doenças de que as pessoas padecem som o produto de umha situaçom social injusta? Será que som talvez perigoso por afirmar que um sistema que se baseia no trabalho de médicos em formaçom, com horários de mais de 32 horas sem dormir, nom pode ser o melhor para os usuários? Será que som perigoso por pensar e dizer que umha reforma que passa pola factura dos gastos dos pais de família nas escolas nom pode ser chamada de reforma educativa? Por acreditar que, como médico, é meu dever opor-me a umha guerra absurda que semeou o país de mortos que tinham a minha idade? Por participar num movimento que apontou o dedo à manipulaçom midiática, essa mesma de que agora som víctima? Será que o perigoso é que somos muitas e muitos os que pensamos assim?

Na minha opiniom, o que me diz este “relatório”, e a forma com que alguns meios o replicaram, mostra o maniqueísmo com que actua, neste caso, o governo do Distrito Federal (GDF). Mostra também a falsidade das suas supostas investigaçons, que procuram apresentar explicaçons simplistas sem se preocuparem em aproximar-se um pouco que seja da realidade. O GDF e os meios de comunicaçon procuram hoje construir personagens que possam linchar, em vez de olharem para a marginalizaçon e para a desigualdade como a origem da situaçom actual. O meu caso, creio, desmascara a sua farsa: um médico que ainda acredita no humanismo, que faz teatro, que tenta ser consequente na clínica e na rua, é o radical perigoso que invocam quando tentam regular as manifestaçones públicas?

Como médico e como habitante desta terra entre o Bravo e o Suchiate, vejo com grande preocupaçom o rumo autoritário em que o país se encontra. Hoje tocou-me viver um exemplo, ainda que menor em comparaçom com os agredidos, os mortos e desaparecidos, deste autoritarismo que deixa clara a necessidade de, como sociedade, lhe pormos um fim.

Saúde e saudaçons!

Julio Pisanty Alatorre

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Cartas de Apoio a Julio:

- México: o inimigo interno

- Carta de Apoio em Indymedia México

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