23 abr. 2013

"Café-bar L'Incontro" - Novo relato de Adri "Senlheiro"

Voltam a enviar-nos um outro relato do "Senlheiro" desde o seu Colectivo de Apoio, e damos conta dele.

Café-bar L'Incontro

Um decorado "glamouroso". Gelados, cócteis...Duas televisoms de plasma, videoclips de moda, Melendi a todo volume.

Estudantes subvencionados polos pais sentam a tomar um chocolate, um professor mileurista toma o café mentres lê "El Correo Gallego", um trabalhador "autónomo" aproveita para tomar umha coca-cola e um pintxo mentres atende o seu computador portátil no terraço.

Vestidos com camisa branca e pantalom preto, os camareiros.


Um deles leva na empresa dous anos com contratos parciais, o segundo nom tem contrato nem horário, acode quando é chamado polo patrom, o terceiro, mais novo, chamou a um anúncio do jornal: "Ayudante de camarero menor de 25 años". Nom sabe se o vam contratar ou nom, precisa de dinheiro urgentemente para pagar o aluguer da casa e trabalha com todas as suas forças, sem perguntar.

Cada dia, os tres atendem o bar, limpam e obedecem o "encarregado". Este era camareiro há anos, agora responde ele ante o patrom, é quem vigia e controla. Senta ao fundo da barra, por fora, e nom quita olho. Quando o considera preciso pom-se a atender o bar, para dar "exemplo": -"A esa pareja de gitanos no le pongáis tapas, no interesan de clientes. Venga, estamos dormidos o que?!".

Nengum minuto mal-gastado, nengum camareiro pode estar parado em nengum momento. Obrigatório ter boa cara, afeitado e pelo curto, bons sapatos. 12 horas diárias, umha hora para ir jantar, 3€ a hora.

Tras da barra, na cozinha, o rapaz mais novo fai as tapas coas mans, limpa-se a um trapo usado de vários dias, e corta o pam cumha máquina de cortar "fiambre". Os camareiros dim que o único trabalhador que nunca se cortou com essa máquina é quem agora é o encarregado.

Umha tarde, o rapaz corta-se num dedo e chorrea sangue. O encarregado entra na cozinha, dá-lhe um anaco de cinta adhesiva de colar cartazes e di-lhe: -"Continua". O bar está cheo de gente, a falar animadamente.

Passam duas semanas, deixa-se ver o patrom. Aparca o seu carro Mercedes num garage privado, frente o bar. Viste roupa "Lacoste" e leva nas maos umha revista de golfe. Chama polo camareiro jovem ao quarto de limpeça. Saca uns míseros bilhetes dos petos e di-lhe: -"No hace falta que vuelvas más. No te necesitamos".

O anúncio continua no jornal durante meses. Cada semana um novo rapaz entra a trabalhar com a ilusom de conseguir um emprego estâvel.

POST-DATA

Greve geral. Um piquete informativo da CIG passa por diante do establecemento. O patrom fai guárdia diante deste, com as reixas baixadas e o bar a pleno funcionamento. Ninguém diz nada.

Á tarde, um piquete improvisado de jovems enojados passa por diante. O establecemento funciona com normalidade. Um jovem tenta entrar dentro, o patrom dá-lhe um "sopapo" e impide-o. Nesse momento intervem a policía, e ameaça o grupo de jovens com carregar. No establecemento soam cançoms que falam sobre a liberdade e o amor, mentres as porras movem-se ao ritmo dos 40 principais.

Soto, 24 de Fevereiro de 2013

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