16 mar. 2012

A dupla vara de medir

Dias atrás puidem ver, nom sem certo assombro, em plena praça do Obradoiro, umha faixa de boas dimensons, apoiada no muro da catedral ao carom da entrada ao seu museu e enfronte mesmo do edíficio do concelho. Acheguei-me um tanto por ver de que se tratava e por dar-me a sensaçom de que tinha que ser alguém com muitos arrostos (que nom arrestos) para desafiar de maneira tam evidente e patente a normativa municipal ao respeito da proibiçom de colar qualquer coisa na via pública, e mais tendo em conta que quem suscribe é sabedor da sançom recebida polas compas da Gentalha do Pichel quando em junho de 2010 a Cámara Municipal de Compostela implantou-lhes umha multa de 1500€ por colocar umha faixa na praça do 8 de março na qual podia-se ler "na Galiza só em galego", multa, por certo imposta polo anterior bipartido por "ocupaçom indevida da via pública" e executada polo presente governo municipal, quem mesmo embargou via judicial as contas desta associaçom cultural.

Assim que fum achegándo-me e em quanto puidem lêr a lenda da faixa, entendim “ipso facto” que, fora das minhas perspectivas, nem se tratava de ninguém com arrostos, nem, por suposto, de ninguém que fosse ser multado nem, muito menos, arrestado por tamanha acçom.

Para minha desilusom, tratava-se dumha outra campanha orquestrada pelo auto-identificado como “cubano santiaguero e músico profissional titulado” Javier Fernández Castillo, quem já há um par de anos protagonizara, por estas mesmas datas, mas daquela enfronte do consulado cubano, umha greve de fome com grande sucesso em todos os falsimeios para pedir democracia em Cuba, e que rematara tras vinte dias e noites ( de feito surpreendente com uns kilinhos de mais, ainda que el aduzia ter perdido 13 kilos) e aplausos e solidariedades do mais râncio desta cidade, entre eles, quem na altura era jefe da oposiçom do concelho e hoje alcalde Gerardo Conde Roa, quem se comprometera a levar a sua causa ao Parlamentinho galego.

E assim tal cenografia rematara tras 25 dias de actuaçom diante do consulado, quando o cubano queixumeiro declarara na altura, que abandonava porque “o tema nom alcançou a dimensom nacional que pretendia", se bem, a tal actuaçom tivera grande repercussom em todos os meios do poder, tanto escritos como audiovisuais, quando o habitual é que estes jeitos de luita sejam totalmente silenciadas por estes meios, como se passa agora mesmo com os jejuns e encerros nas suas celas que estám a levar a cabo os 1 e 15 de cada mês duzias de pessoas presas do estado espanhol para denunciar o que se passa nas “moi democráticas” cárceres deste “moi democrático” estado, e assim tratar de amossar até que ponto nissos centros de extermínio, tam democráticamente aceitados pola sociedade, ocorrem vejaçons, maltratos e torturas físicas e/ou psíquicas de maneira cotidiá e sistemática (como relatam mesmo ONG’s e Organismos internacionais, nada susceptíveis de ser catalogadas como anti-sistema), ou mesmo silenciam o que se está a passar no mui democrático Chile, no que a dia de hoje 2800 pessoas do cárcere “modelo” Colina I permanecem em greve de fome para pedir que, simplemente, se cumpram os seus direitos constituçonais.

Desta volta a sua aventura no Obradoiro durou 10 dias, até que o agora alcalde Gerardo Conde Roa se entrevistou com ele, pujo-lhe um médico à sua disposiçom e prometeulhe a celebraçom em Compostela dum “Simposium Internacional proLiberdade e Democracia para Cuba” e mesmo preocupou-se pola sua seguridade e pediu-lhe que abandonara a greve de fome, e com a mesma o cubano santiaguero, recolheu os seus bartulos e foi-se com a sua música profissonal a outra parte.

E assim, quem isto escreve, gostaria de saber a quanto ascende os custos do serviço médico e mesmo quanto vai aportar o concelho para a celebraçom desse Simposium, e com elo denunciar publicamente que entanto a umhas residentes desta cidade se lhes multa e embargam as contas por reivindicar o direito a falar a nossa própria lingua, a este cubano se lhe oferecem quartos de todas nós para as suas confabulaçons anti-castristas (e nom vou ser eu quem faga defessa dos Castro, mas sim convido ao respeito a leitura deste texto de María José Gómez de la Calzada ).

Além fico com pena e raiba de nom ter reaçonado a tempo e aproveitar a jogada do músico cubano para plantar-me ao seu carom com umha outra faixa em apoio dos jejuns e encirros nas celas das pessoas presas no estado espanhol e mesmo convidar à Gentalha a fazer o mesmo com a faixa com que lhes multaram e a toda quanta gente foi ou está a ser represaliada polo concelho compostelá (o de agora do PP e o de antes do bipartito PSOE-BNG) por colar um simples papel reinvindicativo nas ruas desta cidade.

Se um músico cubano pode faze-lo e mesmo receber apoios e quartos nas suas demandas, gostaria de provar que se tivera passado se cada umha de nós tiveramos feito o mesmo ao seu carom, cadaquem com as suas reivindicaçons e o seu teatrilho de greve.

Asdo. Edu

1 comentario:

  1. Interesante esta historieta, non coñecía o caso do chorvo éste, pero tenche tela o conto, diso non hai dúbida...

    En fin, o conto de sempre. Pa o que interesa sí que hai fondos e sí que hai democracia e liberdade de expresión.

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